ALERTA AO CONSUMIDOR

Azeites de marcas conhecidas vendidos como extravirgem são rebaixados em análises; veja lista

Análises realizadas por laboratório do Ministério da Agricultura rebaixaram amostras de azeites comercializados como extravirgem. Andorinha, Gallo, Borges e outras marcas aparecem em documentos enviados à Justiça, mas resultados ainda admitem perícia e contraprova.

Por · · Atualizado: 16/08/2026 11:58
Foto: imagem ilustrativa

Consumidores que costumam comprar azeite extravirgem nos supermercados devem ficar atentos. Análises realizadas por um laboratório do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicaram que amostras de produtos vendidos no Brasil nessa categoria não atingiram os critérios necessários para serem classificadas como extravirgem.

Entre os produtos avaliados estão marcas bastante conhecidas e encontradas em supermercados brasileiros.

É importante destacar, entretanto, que os resultados ainda não são conclusivos e dizem respeito especificamente às amostras submetidas aos testes. As empresas têm direito à perícia e à contraprova, portanto não é possível estender automaticamente os resultados a todos os produtos ou lotes das marcas mencionadas.

Quais marcas aparecem nas análises?

De acordo com informações extraídas dos documentos encaminhados à Justiça, amostras comercializadas como azeite extravirgem das seguintes marcas foram classificadas como azeite virgem:

  • Andorinha
  • Gallo
  • Borges
  • Gomes da Costa
  • Filippo Berio
  • Carrefour

A classificação como azeite virgem significa que as amostras analisadas não atenderam a todos os critérios necessários para permanecer na categoria extravirgem.

Isso, porém, não significa que o azeite virgem seja impróprio para consumo. Trata-se de uma categoria diferente e inferior à extravirgem.

Duas marcas tiveram amostras classificadas como lampante

A situação apontada nos documentos é diferente para outras duas marcas.

Amostras de Costa D'Oro e Terras de Camões foram classificadas nas análises como azeite lampante.

Essa categoria não pode ser destinada diretamente ao consumo humano sem passar por processo de refino.

Por isso, é importante diferenciar os dois resultados: uma amostra rebaixada de extravirgem para virgem não está na mesma situação de uma amostra classificada como lampante.

Resultados ainda não são definitivos

O Ministério da Agricultura esclareceu que os exames foram feitos para atender a uma determinação judicial, dentro de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo.

O próprio Mapa informou que não divulgou uma lista oficial e definitiva de marcas ou lotes irregulares, pois os resultados ainda passam por procedimentos de validação técnica e administrativa.

As empresas responsáveis também podem solicitar perícias e contraprovas antes da conclusão do processo.

O ministério ressaltou ainda que uma divergência na classificação de identidade e qualidade do azeite não significa automaticamente a existência de risco à saúde pública.

Qual a diferença entre extravirgem, virgem e lampante?

O azeite extravirgem ocupa a categoria de qualidade mais elevada. Além de atender aos parâmetros químicos estabelecidos pela legislação, precisa passar por avaliação sensorial e não apresentar determinados defeitos de aroma ou sabor.

O azeite virgem também é obtido diretamente das azeitonas por processos mecânicos, mas pode apresentar características que impedem seu enquadramento na categoria extravirgem. Ainda assim, é próprio para consumo.

Já o azeite lampante apresenta características que impedem seu consumo direto. Para ser utilizado como alimento, precisa passar por processo de refino e atender às exigências aplicáveis ao produto resultante.

Empresas se manifestaram

Após a repercussão das análises, a Gallo informou que tomou conhecimento das alegações e iniciou uma apuração interna. A empresa declarou manter compromisso com a qualidade e segurança de seus produtos e afirmou que eles não oferecem risco à saúde.

A Andorinha declarou que acompanha as informações divulgadas, aguarda dados das autoridades para uma apuração completa e afirmou seguir a regulamentação vigente, além de realizar análises internas e externas de seus lotes.

O processo judicial continua em andamento e os resultados ainda poderão ser contestados antes de uma conclusão definitiva.


Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) / informações de documentos da ação civil pública do MPF


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