O influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, teve a soltura concedida pela Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) na segunda-feira (17). A decisão reconheceu excesso de prazo na prisão preventiva, mantida desde outubro de 2025.
A liberdade não encerra o processo nem representa absolvição. Buzeira continua submetido a medidas cautelares: está proibido de deixar o Brasil e de manter contato com os demais investigados. O bloqueio de seus bens também foi mantido até o término da ação.
Por que a Justiça determinou a soltura
O TRF-3 avaliou o tempo de duração da prisão preventiva e concluiu que houve excesso de prazo. Prisões cautelares são medidas adotadas antes de uma condenação definitiva e precisam ser justificadas e reavaliadas ao longo do processo.
A mesma decisão beneficiou Rodrigo de Paula Morgado, apontado pelas autoridades como operador financeiro ligado ao esquema investigado. Os dois devem cumprir as restrições estabelecidas pelo tribunal enquanto o caso continua em andamento.
A defesa de Buzeira comemorou a decisão e voltou a negar qualquer envolvimento do influenciador com o crime organizado. A soltura, contudo, não analisa de forma definitiva a culpa ou a inocência dos investigados.
O que investiga a Operação Narco Bet
Buzeira foi preso em outubro de 2025 durante a Operação Narco Bet. Polícia Federal e Ministério Público Federal apuram um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria usado casas de apostas on-line, criptomoedas, empresas de fachada e contas de terceiros para ocultar a origem e o destino de recursos.
Segundo o MPF, o influenciador teria enviado ao menos US$ 15 milhões em criptoativos a Morgado entre agosto de 2023 e março de 2025. As acusações ainda serão examinadas no processo, e as defesas podem contestar as provas e apresentar suas versões.
A investigação também relaciona o grupo à compra do veleiro Lobo IV, apreendido em fevereiro de 2023 pela Guarda Costeira dos Estados Unidos nas proximidades da costa africana. A embarcação transportava cerca de três toneladas de cocaína, de acordo com as informações divulgadas sobre o caso.
Soltura não é o fim da investigação
Ao reconhecer o excesso de prazo, o tribunal substituiu a prisão por restrições consideradas suficientes neste momento. Se houver descumprimento das medidas cautelares ou surgirem novas razões concretas, a situação pode voltar a ser analisada pela Justiça.
Buzeira ganhou grande projeção nas redes sociais ao exibir uma rotina de luxo, promover negócios digitais e fazer sorteios. Sua ascensão financeira passou a ser acompanhada por autoridades em investigações que agora tramitam no Judiciário.
O caso deve continuar com a produção e a análise de provas, manifestação das defesas e decisões das instâncias responsáveis. Até eventual condenação definitiva, prevalece a presunção de inocência.
Fontes: UOL, Agência Estado, Polícia Federal e Ministério Público Federal.
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