CRISE

Casas Bahia recorre à recuperação judicial; CEO revela plano para ganhar fôlego

Casas Bahia quer usar recuperação judicial para captar crédito, negociar passivos e vender ativos; lojas mantidas e canais digitais seguem operando.

Por · · Atualizado: 20/08/2026 11:09
Gestores analisam documentos financeiros em uma grande loja de varejo. Imagem ilustrativa gerada por IA para o ClickFato.

A Casas Bahia pretende usar o pedido de recuperação judicial para tentar captar crédito de curto prazo, negociar o passivo acumulado e transformar ativos não essenciais em dinheiro. A estratégia foi detalhada pelo presidente da varejista, Renato Franklin, nesta segunda-feira (17), durante uma teleconferência sobre o segundo trimestre.

Segundo o executivo, a companhia vinha tentando reorganizar obrigações antigas desde 2023 sem recorrer ao processo judicial. A liquidez, porém, continuou apertada e a empresa decidiu buscar a proteção prevista para companhias em dificuldade financeira.

Lojas e site continuam funcionando

As unidades mantidas após o redimensionamento e os canais digitais seguem operando. A recuperação judicial não significa falência nem fechamento imediato: o objetivo é permitir uma negociação organizada com credores enquanto a atividade continua.

A empresa também avalia vender ativos considerados não essenciais e monetizar parte da infraestrutura logística. O CEO acredita que a escala da rede e sua relação com fornecedores e credores podem favorecer as negociações.

Quase 300 lojas foram fechadas

Na segunda fase do plano de transformação, a Casas Bahia fechou 298 lojas menos rentáveis, reduziu a estrutura corporativa, eliminou níveis hierárquicos e revisou contratos e despesas. Os investimentos foram cortados em quase 40%.

As unidades encerradas respondiam por aproximadamente 14% da receita. O redimensionamento retirou perto de 30% das lojas e dos custos, com a meta de formar uma operação menor, mais rentável e capaz de financiar as próprias necessidades.

Estoque menor ajudou o caixa, mas traz risco

Os estoques diminuíram R$ 1,160 bilhão entre o primeiro e o segundo trimestre. Essa redução respondeu pela maior parte dos R$ 798 milhões de geração de caixa livre no período, segundo o executivo.

O efeito melhora o capital de giro no curto prazo, mas pode provocar falta de produtos no segundo semestre. A empresa disse ter conseguido prazos maiores com fornecedores, sem obter o aumento esperado nos limites concedidos por seguradoras de crédito.

A Casas Bahia trabalha com um cenário conservador para consumo e crédito e não prevê retomar o crescimento nos próximos dois anos. Uma captação internacional continua em discussão, mas ainda não tem data nem compromisso firme de aporte.

Fontes: Estadão, MSN e declarações do CEO Renato Franklin em teleconferência.

Tags: Casas Bahia, recuperação judicial, varejo, crédito, economia

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