O Corinthians venceu o Internacional por 2 a 1, na Neo Química Arena, mas o resultado não foi suficiente para manter o clube na Copa do Brasil. A eliminação nas oitavas de final encerrou a busca pelo bicampeonato e trouxe também uma consequência importante fora das quatro linhas: o Timão deixou escapar uma premiação milionária justamente quando enfrenta dificuldades de caixa e três bloqueios que impedem o registro de novos jogadores.
O Internacional chegou a São Paulo protegido pela vantagem de 2 a 0 construída no primeiro confronto. O Corinthians pressionou, marcou com Gustavo Henrique e Pedro Raul, mas o gol de Bernabei para o time gaúcho tornou a reação insuficiente. Com o resultado agregado de 3 a 2, o Colorado avançou às quartas de final.
A queda ganha peso adicional porque a Copa do Brasil era considerada uma oportunidade importante para reforçar o caixa corintiano em um momento de forte pressão financeira.
Eliminação também pesa no caixa do Corinthians
O Corinthians encerrou a participação na Copa do Brasil com R$ 5 milhões em premiações acumuladas desde sua entrada na quinta fase.
A classificação diante do Internacional renderia outros R$ 4 milhões, além de manter o clube vivo na disputa por valores ainda maiores nas fases seguintes. O campeão da edição pode acumular uma premiação bastante superior ao longo da campanha.
Para um clube que atualmente precisa administrar dívidas, compromissos com o elenco e punições esportivas decorrentes de débitos, avançar na competição significava muito mais do que permanecer na disputa por um título.
A eliminação interrompe essa possibilidade de receita extraordinária e aumenta a necessidade de a diretoria encontrar outras alternativas para reorganizar as finanças.
Três transfer bans ainda impedem novos registros
O Corinthians atravessa a atual janela de transferências com três bloqueios em vigor, situação que impede o clube de registrar novos jogadores.
As punições estão relacionadas a pendências envolvendo o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação de José Martínez; o Midtjylland, da Dinamarca, pela negociação de Charles; e um atraso em compromisso firmado na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD.
Recentemente, o clube conseguiu encerrar outro bloqueio após quitar uma multa disciplinar aplicada pela Fifa. Mesmo assim, as principais pendências continuam abertas e exigem valores consideravelmente superiores à premiação conquistada na Copa do Brasil.
Enquanto as sanções permanecerem ativas, o Corinthians pode conversar e negociar com possíveis reforços, mas não consegue efetivar seus registros para utilização nas competições.
Diniz expõe dificuldade financeira do clube
Depois da eliminação, Fernando Diniz falou abertamente sobre a situação financeira enfrentada pelo Corinthians.
O treinador afirmou que a atual gestão precisa administrar recursos limitados diante de diferentes compromissos financeiros e resumiu o problema ao dizer que há momentos em que o clube precisa “escolher pagar transfer ban ou pagar salário”.
A declaração evidencia a dimensão da dificuldade enfrentada pelo departamento de futebol.
Além das punições que bloqueiam contratações, o Corinthians teve atrasos salariais nos últimos meses — posteriormente regularizados — e ainda possui pendências relacionadas a direitos de imagem do elenco, segundo informações publicadas pelo Lance!.
Diniz também defendeu a atual administração e afirmou que parte relevante das dívidas é resultado de compromissos acumulados em gestões anteriores.
Premiação poderia aliviar, mas não resolveria o problema
Mesmo uma classificação às quartas de final não seria suficiente, sozinha, para eliminar todas as pendências que atualmente travam o Corinthians no mercado.
Ainda assim, cada avanço na Copa do Brasil representava entrada direta de recursos e aumentava a possibilidade de o clube direcionar dinheiro para acordos, salários ou redução de dívidas.
Por isso, a eliminação diante do Internacional também precisa ser analisada pelo aspecto financeiro.
A Copa do Brasil é uma das competições mais rentáveis do calendário nacional, e permanecer no torneio poderia representar novas cifras milionárias conforme o avanço pelas fases seguintes.
Corinthians precisa encontrar novas soluções
Sem a Copa do Brasil, aumenta a pressão para que a diretoria encontre novas fontes de recursos e acelere as negociações com os credores.
O desafio é conciliar diferentes prioridades: manter salários e direitos do elenco em dia, solucionar as punições e preservar capacidade financeira suficiente para o funcionamento do futebol.
Resolver os transfer bans também é fundamental para devolver ao departamento de futebol liberdade para reforçar a equipe.
A situação coloca a diretoria diante de uma corrida financeira durante a janela de transferências. Quanto mais tempo os bloqueios permanecerem ativos, menor será a margem para eventuais mudanças no elenco.
Foco agora muda para o Campeonato Brasileiro
O Corinthians não terá muito tempo para assimilar a eliminação.
A equipe volta a campo neste domingo (9), quando enfrenta o Red Bull Bragantino, às 18h30, em Bragança Paulista, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Dentro de campo, o objetivo será reagir rapidamente. Fora dele, entretanto, o desafio pode ser ainda maior: reorganizar as contas e encontrar uma saída para os bloqueios que limitam o clube no mercado.
A queda na Copa do Brasil, portanto, vai além de uma eliminação esportiva. Para um Corinthians pressionado financeiramente, também significa menos dinheiro entrando justamente no momento em que o clube mais precisa dele.
Fonte: ESPN, Lance!, CNN Brasil e Band
Tags: Corinthians, Corinthians hoje, Copa do Brasil, transfer ban, dívidas do Corinthians, Internacional, mercado da bola, Fernando Diniz, premiação Copa do Brasil, futebol brasileiro