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Criciúma: conheça a cidade catarinense que cresceu com o carvão e abriga uma mina única na América Latina

Com mais de 214 mil habitantes, Criciúma é um dos principais polos urbanos e econômicos do Sul de Santa Catarina. Fundada por imigrantes italianos, a cidade cresceu com a mineração, tornou-se referência na indústria cerâmica e possui uma das poucas minas de carvão abertas à visitação no mundo.

· Atualizado: 05/08/2026 10:52
Vista aérea de Criciúma. Foto: Secretaria Municipal de Turismo

Localizada no Sul de Santa Catarina, Criciúma exerce influência regional nas áreas de comércio, indústria, educação, saúde e prestação de serviços.

De acordo com o Censo de 2022, o município possuía 214.493 habitantes. Sua área territorial é de aproximadamente 234,8 quilômetros quadrados, conforme os dados atualizados do IBGE.

A economia criciumense se diversificou ao longo das décadas. Além da histórica extração de carvão mineral, o município possui atividades ligadas às indústrias cerâmica, metalmecânica, plástica, química, de confecções e da construção civil.

A cidade foi fundada por imigrantes italianos

A formação de Criciúma começou oficialmente em 6 de janeiro de 1880, quando famílias de imigrantes italianos chegaram à região e estabeleceram uma comunidade baseada inicialmente na agricultura e no pequeno comércio.

Segundo a Fundação Cultural de Criciúma, o primeiro grupo reunia aproximadamente 150 pessoas de 22 famílias. Para alcançar o local, os colonizadores percorreram mais de 30 quilômetros em meio à mata, carregando seus pertences e acompanhados pelos filhos.

O crescimento econômico ganhou força nas primeiras décadas do século XX, principalmente após o início da exploração intensiva do carvão mineral.

De onde surgiu o nome Criciúma?

Antes da grafia atual, a localidade era chamada de Cresciuma.

O nome teria surgido devido à presença abundante de uma espécie de capim encontrada na região, conhecida por uma denominação de origem tupi. Em 1948, uma lei estadual alterou oficialmente a grafia de Cresciuma para Criciúma.

Até a década de 1920, a localidade pertencia ao município de Araranguá. A emancipação político-administrativa ocorreu em 4 de novembro de 1925, fazendo com que Criciúma completasse seu centenário como município em 2025.

O carvão transformou a economia e a paisagem urbana

A extração de carvão foi fundamental para o crescimento de Criciúma. A atividade atraiu trabalhadores, favoreceu a formação de bairros operários e impulsionou a instalação de empresas e serviços.

A construção da ferrovia também esteve diretamente ligada à mineração. Inicialmente utilizada para transportar o carvão, a estrutura começou a levar passageiros em 1923 e ajudou a conectar Criciúma a outros municípios do Sul catarinense.

Durante décadas, bairros, empresas e espaços públicos foram organizados em torno da atividade carbonífera. Essa ligação histórica fez com que Criciúma se tornasse conhecida como Capital Nacional do Carvão.

O Monumento ao Mineiro, localizado no centro da cidade, foi construído para homenagear os trabalhadores responsáveis pelo desenvolvimento da mineração e da região carbonífera.

Curiosidade: cidade possui mina aberta aos visitantes

Uma das principais curiosidades de Criciúma está no bairro Archimedes Naspolini.

A Mina de Visitação Octávio Fontana, aberta ao público desde 2011, é apresentada pelo portal municipal de turismo como a única mina de carvão mineral aberta à visitação na América Latina e a quarta do tipo no mundo.

Durante o passeio, os visitantes percorrem parte da estrutura com uma pequena locomotiva inspirada em um modelo utilizado em 1922. O espaço apresenta equipamentos, maquetes e informações sobre as condições enfrentadas pelos trabalhadores durante a extração do carvão.

A mina também possui uma gruta dedicada a Santa Bárbara, considerada padroeira dos mineiros.

Indústria cerâmica ganhou importância internacional

Embora o carvão tenha sido essencial para a formação econômica da cidade, outros setores começaram a crescer ao longo do século XX.

A partir da década de 1940, a indústria de revestimentos cerâmicos ganhou destaque e ajudou Criciúma a se consolidar como um dos principais polos industriais do Sul do Brasil.

A cidade também possui empresas dos setores de embalagens, plásticos, confecções, metalurgia, construção civil e produtos químicos.

Essa diversificação reduziu a dependência econômica da mineração e fortaleceu Criciúma como centro regional de negócios e serviços.

Criciúma também entrou para a história do futebol brasileiro

A cidade possui uma forte ligação com o futebol por meio do Criciúma Esporte Clube, conhecido como Tigre.

Em 1991, o clube conquistou a Copa do Brasil, comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão. O título colocou o nome da cidade no cenário nacional e garantiu a participação do time na Copa Libertadores de 1992.

A conquista permanece como um dos acontecimentos esportivos mais marcantes da história do município.

Cidade preserva a memória dos imigrantes e dos mineiros

Além da mina de visitação, Criciúma possui espaços que ajudam a contar sua história, como o Museu Augusto Casagrande, a Casa do Agente Ferroviário, a Praça Nereu Ramos e o Monumento ao Mineiro.

O município também realiza a Festa das Etnias, evento que reúne elementos culturais e gastronômicos das comunidades que participaram de sua formação.

Outro exemplo de transformação está no Parque dos Imigrantes. A área, anteriormente utilizada como depósito de rejeitos da mineração, foi recuperada e convertida em espaço público de lazer e preservação da memória italiana.

Entre minas, indústrias, parques urbanos e conquistas esportivas, Criciúma conseguiu diversificar sua economia sem abandonar a história dos imigrantes e trabalhadores que ajudaram a construir a cidade.


Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; Prefeitura Municipal de Criciúma; Fundação Cultural de Criciúma; Portal Viva Criciúma; Confederação Brasileira de Futebol e Wikipédia.


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