Uma disputa sem precedentes entre duas das entidades mais poderosas do futebol mundial ganhou um novo capítulo. A Uefa prepara uma ação criminal na Suíça contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, relacionada a um plano bilionário que previa a entrada de investidores privados nos negócios ligados às principais competições da entidade.
Segundo documentos obtidos pela BBC Sport, a Uefa acusa Infantino de possível gestão criminosa na elaboração do projeto. As acusações são da entidade europeia e ainda não representam uma condenação judicial.
O projeto, que acabou abandonado após forte reação dentro do futebol, previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE).
A empresa concentraria parte dos direitos comerciais relacionados a torneios como as Copas do Mundo masculina e feminina e o Mundial de Clubes, permitindo participação de investidores privados.
Negócio de US$ 4,2 bilhões está no centro da disputa
Segundo a documentação citada pela BBC, investidores poderiam desembolsar aproximadamente US$ 4,2 bilhões para obter uma participação financeira permanente nos negócios comerciais ligados à Fifa.
A proposta implicaria uma avaliação empresarial próxima de US$ 20 bilhões.
A Uefa questiona esse valor e alega que não teria ocorrido um processo competitivo aberto nem uma avaliação independente para determinar quanto os ativos realmente valeriam.
A entidade europeia sustenta ainda que o projeto teria avançado sem consulta adequada às confederações e às 211 associações nacionais integrantes da Fifa.
Documentos são buscados nos Estados Unidos
Para avançar com uma eventual denúncia na Suíça, a Uefa recorreu também à Justiça dos Estados Unidos.
O objetivo é obter arquivos mantidos por empresas ligadas à Fifa na Flórida, incluindo a Fifa Americas e estruturas relacionadas à Copa do Mundo de 2026.
Esses documentos poderiam posteriormente ser utilizados como provas em um eventual procedimento criminal contra Infantino e, segundo a Uefa, possivelmente contra outros dirigentes.
As 55 federações nacionais que fazem parte da Uefa poderiam ter sido prejudicadas pela operação, argumenta a entidade.
Plano acabou sendo abandonado
A proposta enfrentou forte resistência dentro do futebol internacional e acabou retirada.
A crise, entretanto, continuou. A Uefa declarou ter perdido confiança em Infantino e passou a defender mudanças na governança da Fifa e limites maiores aos poderes da presidência da entidade.
Infantino busca permanecer no comando da Fifa em uma nova eleição prevista para março e ainda conta com apoio de importantes confederações fora da Europa.
A BBC informou que procurou Gianni Infantino e a Fifa para comentar as acusações. A reportagem publicada não apresentou uma resposta deles aos pontos levantados pela Uefa.
A disputa abre um dos confrontos políticos e jurídicos mais graves dos últimos anos dentro da administração do futebol mundial.
Fonte: BBC Sport / BBC News Brasil
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