A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou ré a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão foi proferida pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior paulista.
Com a decisão, Deolane passa a responder formalmente à ação penal ao lado do principal líder da facção criminosa, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de familiares do chefe do grupo.
O Esquema e a Conexão com o PCC
As investigações apontam que Deolane Bezerra mantinha uma relação direta e íntima com a família de Marcola e funcionava como uma espécie de receptora de valores ilícitos da facção. O esquema operava por meio da "Transportadora Lado a Lado", uma empresa de fachada utilizada para ocultar recursos oriundos do tráfico de drogas.
De acordo com o tribunal paulista, a conta bancária de Deolane foi utilizada para receber depósitos fracionados e pulverizados vindos diretamente da transportadora. As movimentações eram coordenadas por Everton de Souza, apontado como operador financeiro de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, irmão de Marcola.
A materialidade e os indícios do crime foram sustentados por um robusto conjunto de provas obtidas pelo Ministério Público, que inclui:
- Conteúdo telemático extraído de aparelhos celulares apreendidos.
- Relatórios de inteligência financeira e do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro.
- Quebras de sigilo fiscal e bancário contendo depósitos fracionados (técnica para burlar alertas automáticos dos bancos).
Movimentação de R$ 27 Milhões e Planos em Dubai
Novos desdobramentos da investigação policial revelam que o envolvimento da influenciadora era ainda mais profundo. Relatórios apontam que Deolane movimentou cerca de R$ 27 milhões vinculados ao esquema da transportadora. Análises fiscais identificaram graves inconsistências em suas declarações, além do uso de "laranjas" para ocultar os valores.
A polícia também interceptou áudios que indicavam que grandes quantias em dinheiro vivo eram armazenadas em imóveis da ré. O plano da organização criminosa envolvia a transferência de ativos financeiros para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de distanciar o dinheiro do alcance das autoridades brasileiras.
Diante disso, a Justiça determinou o sequestro de bens e veículos de luxo de Deolane, incluindo carros de alto padrão como uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade.
Prisão Mantida
Deolane Bezerra foi presa no dia 21 de maio durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo. A influenciadora segue detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.
A defesa da advogada tentou converter a prisão preventiva em domiciliar e solicitou a transferência de estabelecimento prisional, mas ambos os pedidos foram negados pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis. Recentemente, a Justiça também rejeitou um pedido de habeas corpus protocolado por seus advogados.
Além de Deolane e Marcola, também se tornaram réus no mesmo processo:
- Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior (irmão de Marcola)
- Everton de Souza (operador financeiro)
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinho de Marcola - foragido)
- Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinha de Marcola - foragida)
Os réus têm o prazo de dez dias para apresentar suas respostas formais à acusação.
O Outro Lado
Em nota oficial, a defesa de Deolane Bezerra — composta pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes — declarou que o recebimento da denúncia faz parte do rito processual e não configura uma condenação.
Os defensores afirmaram que utilizarão todos os meios de prova necessários para comprovar a inocência de sua cliente durante a instrução do caso, garantindo que os rendimentos de Deolane possuem origem estritamente lícita, estão regularmente declarados e que ela não possui nenhum vínculo com o crime organizado.
A defesa de Marcola e de seus familiares também nega as acusações, argumentando que as severas restrições de contato e comunicação impostas a Marcola no sistema federal tornam inviável qualquer participação nos fatos alegados e que os demais familiares são alvos devido ao mero vínculo de parentesco.