Desenrola 3.0

Desenrola 3.0: governo poderá comprar dívidas com desconto de pelo menos 90%; veja quem poderá participar

Nova fase prevê compra de carteiras de inadimplentes pela União e pode alcançar até 15 milhões de pessoas; renegociações estão previstas para começar em 2027

Por · · Atualizado: 26/09/2026 13:20
imagem ilustrativa representa novas medidas de renegociação e compra de dívidas pela União, em proposta associada a uma nova etapa do programa Desenrola.

Uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas foi criada pelo governo federal. Batizado de Desenrola 3.0, o modelo permitirá que a União compre carteiras de dívidas inadimplidas em leilões e transfira ao consumidor o desconto obtido na aquisição.

A expectativa apresentada pelo governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis e que até 15 milhões de pessoas sejam potencialmente alcançadas pelo programa.

Quais dívidas poderão entrar?

Pelas regras anunciadas, a nova fase será direcionada a dívidas bancárias e não bancárias cujo valor original seja de até R$ 10 mil.

Também existe uma faixa específica de atraso: os débitos deverão estar inadimplentes por período superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias, considerando como referência 25 de setembro de 2026.

O Ministério da Fazenda ainda poderá estabelecer critérios adicionais relacionados à renda e à priorização dos participantes.

Como funcionará a compra das dívidas?

A União realizará leilões para aquisição das carteiras.

Os credores interessados apresentarão propostas indicando os descontos que estão dispostos a conceder. A seleção levará em consideração o maior deságio oferecido.

O desconto obtido pelo governo será então transferido integralmente ao consumidor.

O deságio mínimo previsto é de 90%.

Na prática, usando o exemplo apresentado na divulgação do programa, uma dívida elegível de R$ 10 mil adquirida com desconto de 90% passaria a ter saldo de R$ 1 mil para renegociação.

Isso não significa, porém, que toda dívida de até R$ 10 mil automaticamente receberá o desconto ou será comprada pelo governo. Será necessário que ela atenda aos critérios e faça parte das carteiras selecionadas nos leilões.

Será possível parcelar?

Sim.

Depois da aquisição, o consumidor poderá pagar o saldo com desconto à vista ou optar pelo parcelamento.

As condições do parcelamento, incluindo os juros aplicáveis, ainda deverão ser regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Quando começam as renegociações?

O cronograma divulgado prevê várias etapas antes de o consumidor efetivamente começar a pagar.

O chamamento para os credores está previsto para novembro de 2026, seguido pela apresentação das propostas em dezembro.

A homologação deverá ocorrer em janeiro de 2027.

Já a assinatura dos contratos e o início do repasse dos descontos aos consumidores estão previstos para fevereiro de 2027. É a partir desse período que deverão começar os pagamentos à vista ou parcelamentos.

Quanto o programa poderá custar?

Segundo as estimativas divulgadas pelo governo, até R$ 150 bilhões em dívidas poderão ser elegíveis, com possibilidade de aproximadamente R$ 75 bilhões serem efetivamente renegociados.

O custo máximo estimado para a compra das carteiras pela União é de R$ 15 bilhões, com recursos previstos nos orçamentos de 2027 e 2028.

Brasil tem 83,9 milhões de negativados

Dados do Tesouro Nacional citados pelo governo indicam que, em agosto de 2026, existiam aproximadamente R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso.

O levantamento aponta cerca de 83,9 milhões de pessoas negativadas, com média de quatro dívidas por pessoa e aproximadamente R$ 7 mil em débitos por consumidor. Cerca de 55% do estoque correspondia a dívidas não bancárias, incluindo contas de água, energia, telefonia e varejo.

A terceira fase modifica significativamente o modelo utilizado anteriormente. Em vez de depender apenas da negociação entre credores e consumidores, a União poderá adquirir as carteiras com grande desconto e transferir essa redução ao devedor.

Fonte: Agência Brasil e informações divulgadas pelo Governo Federal.

Compartilhar:

Mais Vistas