CLIMA

El Niño está ficando mais forte: corais revelam mudança sem precedente em 1.000 anos

Estudo publicado na Science indica que eventos recentes de El Niño estão muito mais intensos do que no período pré-industrial e reforça alerta diante do Super El Niño de 2026.

Por · · Atualizado: 31/08/2026 12:11
Corais das Ilhas Galápagos permitiram aos cientistas reconstruir aproximadamente mil anos de mudanças associadas ao El Niño no Oceano Pacífico.

O comportamento do El Niño está mudando de forma significativa à medida que o planeta aquece, segundo um novo estudo que conseguiu reconstruir aproximadamente mil anos de variações climáticas no Oceano Pacífico.

A pesquisa, publicada na revista científica Science, analisou corais vivos e fósseis das Ilhas Galápagos e encontrou evidências de que a variabilidade ligada ao El Niño aumentou fortemente nas últimas décadas.

Os pesquisadores calcularam que os eventos dos últimos 40 anos foram aproximadamente 36,5% mais intensos do que aqueles registrados no período pré-industrial.

Em comparação com o comportamento do fenômeno durante o século XX, o aumento observado nas últimas quatro décadas ficou próximo de 16%.

Corais guardaram mil anos da história do clima

Para chegar aos resultados, cientistas utilizaram a composição química dos esqueletos dos corais das Ilhas Galápagos, região considerada estratégica para acompanhar as mudanças de temperatura associadas ao El Niño no Pacífico oriental.

Os corais funcionam como uma espécie de arquivo natural.

À medida que crescem, diferentes características químicas ficam preservadas em seus esqueletos, permitindo aos pesquisadores reconstruir as condições do oceano mesmo em períodos muito anteriores às medições modernas realizadas por satélites, navios e boias.

Com isso, a equipe conseguiu comparar o comportamento atual do fenômeno com aproximadamente 1.000 anos de história climática.

Últimas décadas destoam do passado

Os resultados mostram que as oscilações entre El Niño e La Niña estão ficando maiores, principalmente por causa da ocorrência de fases de El Niño mais fortes.

Segundo a pesquisa, o comportamento observado nas últimas décadas está fora do padrão encontrado durante grande parte do último milênio.

Os cientistas também compararam os registros obtidos nos corais com simulações produzidas por 12 modelos climáticos.

A análise indicou que apenas a variabilidade natural do clima dificilmente explicaria sozinha a mudança registrada recentemente.

O estudo aponta o aquecimento global causado pelas atividades humanas como a explicação mais provável para parte desse fortalecimento.

Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que o trabalho não realiza uma atribuição formal capaz de afirmar que toda a intensificação observada foi provocada exclusivamente pelas mudanças climáticas.

Super El Niño de 2026 aumenta preocupação

A descoberta chama ainda mais atenção porque ocorre justamente durante o desenvolvimento de um El Niño extremamente forte no Pacífico tropical em 2026.

As projeções indicam que o fenômeno poderá se tornar um dos mais intensos já observados desde o início das medições modernas.

Eventos fortes de El Niño podem modificar padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta, além de favorecer episódios de seca, chuvas extremas, enchentes, ondas de calor, incêndios florestais e perdas agrícolas, dependendo da região.

O El Niño acontece quando as águas superficiais de parte do Pacífico Equatorial ficam persistentemente mais quentes que o normal e essas alterações passam a influenciar também a circulação da atmosfera.

Aquecimento e El Niño podem se reforçar

Outro fator preocupante é a interação entre o fenômeno e o aumento da temperatura média do planeta.

O El Niño pode elevar temporariamente a temperatura global, enquanto um oceano que já parte de condições mais quentes pode contribuir para eventos ainda mais intensos.

Por isso, cientistas acompanham com atenção a evolução do episódio de 2026 e seus possíveis impactos nos próximos meses.

A nova pesquisa reforça que o comportamento do El Niño não deve ser analisado apenas com base nas poucas décadas de medições instrumentais disponíveis: os registros preservados pelos corais mostram que o que está ocorrendo atualmente é incomum quando comparado a aproximadamente mil anos de história climática.


Fonte: CNN Brasil / Revista Science / Universidade de Michigan


Tags: El Niño, Super El Niño, clima, mudanças climáticas, aquecimento global, temperatura, Oceano Pacífico, corais, Galápagos, Science, previsão do tempo


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