ANÁLISE CLIMÁTICA

El Niño pode entrar para a lista dos mais fortes desde 1950; chance chega a 81%

Análise elaborada a partir de dados oficiais da NOAA, indica que o El Niño deve ganhar força durante a primavera, com 81% de probabilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. No Brasil, o fenômeno pode favorecer chuvas acima da média na Região Sul, enquanto áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem enfrentar menos precipitação, calor mais intenso e maior risco de seca e incêndios florestais.

· Atualizado: 31/07/2026 21:39
El Niño deve se intensificar durante a primavera e pode atingir categoria muito forte.

O El Niño em desenvolvimento no Oceano Pacífico pode alcançar seu período mais intenso entre a primavera e o começo do verão. Uma análise exclusiva do ClickFato, realizada com dados oficiais da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, mostra que a chance de o fenômeno atingir a categoria muito forte chega a 81% no trimestre entre outubro e dezembro de 2026.

A projeção coincide com o novo boletim divulgado nesta sexta-feira, 31 de julho, por órgãos oficiais brasileiros. O documento aponta a manutenção e a intensificação do El Niño durante o segundo semestre, com elevada probabilidade de o evento alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.

Probabilidade cresce rapidamente até dezembro

O ClickFato reuniu os nove trimestres móveis apresentados na projeção oficial da NOAA e isolou a probabilidade da categoria mais elevada, correspondente a uma anomalia de temperatura igual ou superior a 2 °C na região central do Pacífico Equatorial.

A chance de um El Niño muito forte é de 16% entre julho e setembro, sobe para 48% entre agosto e outubro e chega a 71% no trimestre de setembro a novembro.

O pico aparece entre outubro e dezembro, quando a probabilidade alcança 81%. Depois disso, o percentual recua gradualmente, mas ainda permanece em 75% entre novembro e janeiro e em 54% entre dezembro e fevereiro.


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O que significa um El Niño muito forte?

A NOAA divide a intensidade do fenômeno de acordo com o aquecimento relativo registrado na região Niño 3.4, no Oceano Pacífico Equatorial.

Para o trimestre de outubro a dezembro, a projeção atribui 3% de probabilidade à categoria moderada, 16% à categoria forte e 81% à categoria muito forte. A possibilidade de um evento fraco aparece arredondada para zero nesse período.

Na atualização de 9 de julho, a temperatura semanal da região Niño 3.4 já estava 1,2 °C acima da referência. Na região Niño 1+2, mais próxima da costa da América do Sul, a anomalia chegava a 2,7 °C. A NOAA afirma que o acoplamento entre oceano e atmosfera demonstra o fortalecimento do fenômeno.


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Evento pode ficar entre os maiores desde 1950

A NOAA avalia que, caso a projeção se confirme, o episódio poderá ficar entre os maiores eventos de El Niño observados no registro histórico iniciado em 1950.

O órgão norte-americano também calcula em 97% a probabilidade de o fenômeno continuar ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, período correspondente ao começo do outono no Brasil.

Isso não significa que todas as regiões enfrentarão eventos extremos ao mesmo tempo. A própria NOAA ressalta que a intensidade do El Niño aumenta a confiança nos padrões climáticos esperados, mas não garante que os impactos tradicionais ocorrerão em todos os locais.

Como cada região do Brasil pode ser afetada

Na Região Sul, o fenômeno normalmente favorece maior frequência e volume de chuva. O INMET informou que padrões atmosféricos associados ao El Niño já começaram a influenciar as precipitações na região durante julho.

A maior preocupação envolve a persistência das chuvas, que pode deixar o solo mais úmido e aumentar a vulnerabilidade a alagamentos, enxurradas e deslizamentos quando sistemas meteorológicos intensos atingirem a região. O boletim brasileiro, porém, destaca que a previsão de chuva acima da média não significa automaticamente a ocorrência de desastres.

No Norte e no Nordeste, o El Niño costuma reduzir as chuvas. O cenário pode provocar diminuição da umidade do solo, queda dos níveis de rios, aumento dos focos de calor e dificuldades para comunidades rurais e atividades agropecuárias.

No Centro-Oeste, a combinação de temperaturas elevadas e menor disponibilidade de umidade pode ampliar o risco de queimadas, especialmente em Mato Grosso, Goiás e áreas do Pantanal.

O boletim oficial aponta que o período entre julho e setembro representa uma fase de maior pressão para o Centro-Oeste e o sul da Amazônia, com potencial de propagação de incêndios em Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas, sul do Pará e áreas do Matopiba.

No Sudeste, os efeitos podem variar. Temperaturas acima da média aumentam a possibilidade de ondas de calor e podem prolongar períodos secos, enquanto a aproximação de frentes frias ainda pode provocar episódios isolados de chuva intensa.

Previsão deverá ser atualizada em agosto

A próxima discussão oficial da NOAA sobre o El Niño está prevista para 13 de agosto. Os percentuais poderão aumentar, diminuir ou mudar de período conforme novas medições do oceano e da atmosfera forem incorporadas aos modelos.

O INMET e os demais órgãos envolvidos no monitoramento recomendam que a população acompanhe os avisos meteorológicos e mantenha atualizado o cadastro para receber alertas da Defesa Civil. 


Fontes consultadas: Centro de Previsão Climática da NOAA 

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