Uma movimentação de última hora nos bastidores das eleições presidenciais de 2026 provocou um novo impasse entre as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe do candidato do PL convidou a prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, Leandra Guedes (Avante), ex-companheira do deputado federal André Janones (Rede-MG), para acompanhar o debate presidencial da TV Globo nesta sexta-feira (23 de outubro).
O convite faz parte de uma estratégia política que busca dificultar a presença de Janones no evento. Isso porque a prefeita possui uma medida protetiva concedida pela Justiça de Minas Gerais contra o parlamentar, com quem manteve um relacionamento amoroso no passado.
Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta sexta-feira (23), a intenção da campanha de Flávio Bolsonaro é utilizar a existência da determinação judicial para criar um impedimento à participação do deputado nos bastidores do debate.
A presença de Leandra Guedes, entretanto, ainda não estava confirmada, e não havia decisão judicial ou anúncio da organização do evento determinando o afastamento de Janones.
Por que Flávio Bolsonaro convidou a ex-companheira de Janones?
A iniciativa está diretamente relacionada a uma decisão judicial envolvendo Leandra Guedes e André Janones.
Em 2025, a prefeita de Ituiutaba procurou a Justiça alegando ter sofrido ameaças e tentativas de constrangimento por parte do ex-companheiro.
Segundo a denúncia apresentada por Leandra, o deputado teria ameaçado divulgar fotografias íntimas dela, supostamente para exercer influência sobre decisões da administração municipal.
Diante das alegações, a Justiça mineira concedeu medidas protetivas que impõem restrições de aproximação e contato ao parlamentar.
A campanha de Flávio Bolsonaro considera que a eventual presença da prefeita no mesmo ambiente que Janones poderia gerar um conflito com essas determinações.
A estratégia, portanto, busca dificultar a participação do deputado no evento em que Lula e Flávio Bolsonaro estarão frente a frente pela última vez antes do segundo turno.
O que determina a medida protetiva contra André Janones?
A decisão judicial envolvendo os dois foi divulgada em abril de 2025, após a repercussão das acusações apresentadas pela prefeita.
De acordo com reportagens publicadas na época, as medidas estabelecem restrições que incluem:
- Proibição de aproximação de Leandra Guedes, observada a distância determinada pela Justiça.
- Proibição de contato com a prefeita e pessoas abrangidas pela decisão.
- Restrições relacionadas à divulgação de imagens íntimas e conteúdos envolvendo a ex-companheira.
- Possibilidade de responsabilização pelo descumprimento das determinações judiciais.
A decisão foi fundamentada na Lei Maria da Penha e possui natureza protetiva.
É importante destacar que a concessão de uma medida protetiva não representa, por si só, uma condenação criminal pelas acusações que deram origem ao pedido.
Também não significa que o deputado esteja automaticamente impedido de comparecer a qualquer evento público.
A aplicação das restrições depende do conteúdo da decisão vigente e das circunstâncias concretas, incluindo a distância entre as pessoas envolvidas.
Leandra Guedes aceitou participar do debate?
Até a publicação da reportagem do Metrópoles, Leandra Guedes ainda não havia confirmado sua presença no evento.
Em contato com o veículo, a prefeita informou que estava em viagem e que precisava conhecer melhor o conteúdo do convite antes de tomar uma decisão.
Ela preferiu não antecipar se aceitaria acompanhar o confronto presidencial.
A prefeita também indicou que poderia se posicionar sobre o assunto ao longo da tarde desta sexta-feira.
A resposta é importante porque a estratégia divulgada pela campanha de Flávio Bolsonaro depende da eventual presença de Leandra no local.
Até aquele momento, não havia confirmação de que ela viajaria ao Rio de Janeiro para assistir ao debate.
Aliados de Janones comentam tentativa de afastamento
Procurados pelo Metrópoles, aliados do deputado André Janones minimizaram a movimentação envolvendo o convite à prefeita.
Segundo a reportagem, pessoas próximas ao parlamentar afirmaram que o episódio não era o foco de Janones naquele momento.
O deputado desempenha um papel importante na mobilização digital favorável à campanha de Lula.
Ele administra o canal de WhatsApp Exército do Lula, que reunia aproximadamente 8,8 milhões de seguidores, conforme o levantamento apresentado pelo Metrópoles nesta sexta-feira.
O espaço é utilizado para divulgar conteúdos relacionados à candidatura petista e mobilizar apoiadores nas redes sociais.
Do lado de Flávio Bolsonaro, uma iniciativa semelhante, associada ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reunia cerca de 2,1 milhões de participantes, segundo a mesma reportagem.
A disputa digital entre os grupos também tem provocado controvérsias e ações na Justiça Eleitoral.
Convite pode realmente impedir Janones de entrar no debate?
A presença de Leandra Guedes no evento poderia criar dificuldades para André Janones, mas não existe confirmação de que o convite, isoladamente, tenha poder para impedir sua participação.
A eventual restrição dependeria das condições estabelecidas na medida protetiva e das circunstâncias em que os dois poderiam permanecer no mesmo ambiente.
Também seria necessário considerar os procedimentos de credenciamento e segurança definidos pela organização do debate.
Caso exista risco de descumprimento de uma decisão judicial, as autoridades competentes poderão avaliar as providências necessárias.
Por isso, o efeito prático da iniciativa permanece incerto.
O convite político não substitui uma determinação judicial nem permite concluir antecipadamente que Janones será impedido de comparecer aos estúdios.
Debate acontece nesta sexta-feira, às 21h20
O encontro entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcado para 21h20 desta sexta-feira (23), logo após o Jornal Nacional.
O debate será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli.
A transmissão acontecerá pela TV Globo, GloboNews e plataformas digitais do grupo.
O programa será dividido em quatro blocos, com perguntas e respostas sobre temas nacionais e regionais, além de um momento de debate livre.
A emissora também estabeleceu regras para a movimentação dos candidatos no estúdio, com o objetivo de organizar as intervenções e garantir o cumprimento dos tempos de fala.
O confronto representa a última oportunidade de debate televisivo entre os dois candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo (25 de outubro).
Disputa entre aliados aumenta tensão na reta final
A iniciativa envolvendo Leandra Guedes acontece em meio ao aumento das provocações públicas entre apoiadores das duas candidaturas.
Na quinta-feira (22), André Janones publicou mensagens nas redes sociais sugerindo que uma pessoa presente na plateia poderia provocar surpresa durante o debate.
O parlamentar também mencionou uma possível revelação relacionada ao encontro, mas não apresentou publicamente elementos suficientes para confirmar o conteúdo anunciado.
As declarações contribuíram para ampliar a expectativa em torno dos bastidores do evento.
Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro adotou a iniciativa de convidar a ex-companheira de Janones, introduzindo um novo elemento na disputa política.
As movimentações ocorrem a poucos dias da votação que definirá o próximo presidente da República.
Presença da prefeita ainda é a principal dúvida
A eventual participação de Leandra Guedes na plateia poderá ampliar a repercussão política do encontro entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Entretanto, ainda existem questões sem resposta, incluindo a confirmação de sua presença e os possíveis efeitos das restrições judiciais envolvendo André Janones.
O episódio também coloca em evidência a diferença entre uma estratégia anunciada por uma campanha e a aplicação efetiva de uma decisão da Justiça.
A campanha de Flávio Bolsonaro convidou a ex-companheira de Janones com o objetivo de dificultar a presença do deputado no debate, mas não há confirmação de que a iniciativa conseguirá afastá-lo do evento.
Com o segundo turno marcado para domingo (25), a movimentação representa mais um capítulo da disputa política e judicial que acompanha a reta final das eleições de 2026.
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