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Fraude nas Americanas: PF mira acionistas e executivos de bancos na 2ª fase da operação

Polícia Federal mira acionistas das Americanas e executivos de bancos na 2ª fase da Operação Disclosure, que apura fraude contábil bilionária.

Por · · Atualizado: 13/08/2026 14:24
Fachada de loja das Americanas; Polícia Federal apura fraude contábil bilionária revelada pela varejista em 2023.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude contábil revelada pelas Americanas em 2023. A nova etapa da apuração tem como alvos acionistas de referência da companhia e executivos ligados a grandes instituições financeiras.

A operação é realizada com apoio do Ministério Público Federal. Ao todo, agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 54 bilhões, montante apontado como possível prejuízo relacionado ao caso.

Entre os alvos citados na investigação estão os acionistas de referência Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann, além de Eduardo Saggioro Garcia, apontado como operador direto dos sócios.

Também são alvo da operação executivos ligados a bancos que mantinham relação com a companhia, segundo as investigações. Entre eles estão José de Castro Araújo Rudge Júnior e Gustavo Balassiano, do Itaú Unibanco; Carlos Henrique Villela Pedras, do Bradesco; e André Juaçaba de Almeida e Alexandre Lian Abdo, do Santander.

Paulo Alberto Lemann é filho de Jorge Paulo Lemann. O empresário Jorge Paulo Lemann não é alvo da operação desta quinta-feira.

O que a PF investiga

A nova fase da Operação Disclosure busca apurar se acionistas, operadores e representantes de instituições financeiras tiveram algum nível de participação, conhecimento ou envolvimento com o esquema de fraude contábil que levou à crise da varejista.

Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, as investigações apontam que ex-executivos das Americanas teriam montado um esquema para inflar artificialmente os resultados financeiros da empresa, ocultar dívidas e manipular balanços.

A apuração também envolve operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada, conhecidos como VPC, que teriam sido contabilizados sem lastro econômico.

De acordo com os investigadores, há indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

Fraude veio à tona em 2023

O caso Americanas começou em 11 de janeiro de 2023, quando a companhia informou ao mercado a existência de inconsistências contábeis estimadas inicialmente em cerca de R$ 20 bilhões.

A revelação provocou forte impacto no mercado financeiro, queda nas ações da empresa e levou a varejista a entrar em recuperação judicial.

Em junho de 2024, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Disclosure, com foco em ex-executivos da companhia. O ex-CEO Miguel Gutierrez chegou a ser preso na Espanha após inclusão do nome na lista de difusão vermelha da Interpol, mas teve a prisão revogada posteriormente.

Em março de 2025, o Ministério Público Federal denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários, acusados de integrar uma estrutura organizada para manipular resultados financeiros, enganar investidores e ocultar a real situação patrimonial da empresa.

Americanas diz que não foi alvo de buscas

A Americanas informou que não foi alvo dos mandados cumpridos nesta quinta-feira. Em nota, a companhia afirmou que a operação se refere às fraudes contábeis reveladas em 2023 e que segue colaborando com as investigações.

Os acionistas de referência afirmaram que foram surpreendidos pela operação e sustentam que foram enganados e induzidos ao erro pela antiga diretoria da companhia. As defesas informaram que ainda não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial.

O Itaú declarou que não é investigado no caso e que colabora com as autoridades desde 2023. O Santander informou que está ao lado das partes prejudicadas e que também coopera com as investigações. O Bradesco informou que acompanha a situação e está à disposição das autoridades.


Nota das Americanas na íntegra

"A Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos."


Nota dos acionistas das Americanas na íntegra

"Os acionistas de referência foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 25.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Companhia.

Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis.

Até o momento, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar."


Nota do Itaú na íntegra

“Em relação à operação realizada hoje, o Itaú Unibanco, embora não seja investigado, esclarece que colabora ativamente com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. As investigações oficiais já demonstraram que a varejista foi palco de uma das maiores fraudes corporativas do País.

O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços.

A instituição reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista."


Nota do Santander na íntegra

"O Santander informa que está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações. A instituição reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações."


Fonte: portal G1

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