A Federação Inglesa de Futebol declarou apoio ao movimento das entidades europeias contra o projeto apresentado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, para criar uma nova empresa responsável pelas operações comerciais dos principais torneios da entidade.
As 55 federações ligadas à Uefa aprovaram uma posição conjunta que prevê o boicote às competições da Fifa caso a proposta continue em vigor. A medida poderá afetar torneios masculinos, femininos e de categorias de base.
A Federação Inglesa afirmou estar ao lado das demais associações europeias e defendeu que a Copa do Mundo pertence ao futebol, e não à Fifa ou a investidores privados.
O que a Fifa pretende fazer
O projeto prevê a criação da FIFA Forward Enterprise, empresa que reuniria atividades comerciais como direitos de transmissão, patrocínios, venda de ingressos, licenciamento e parte da operação dos torneios.
A Fifa pretende avaliar a nova companhia em aproximadamente US$ 20 bilhões e levantar até US$ 4,2 bilhões com a venda de uma participação minoritária e sem poder de controle para investidores externos. A entidade afirma que continuaria responsável pelas decisões esportivas e pela governança do futebol.
Gianni Infantino defende que a iniciativa permitirá aumentar os recursos destinados às 211 associações nacionais. A proposta prevê que cada federação possa receber até US$ 40 milhões durante o novo ciclo de financiamento, dependendo da aprovação do modelo.
Uefa teme privatização da Copa
A Uefa considera que a entrada de investidores poderá transformar a Copa do Mundo em um produto financeiro e colocar objetivos comerciais acima dos interesses esportivos.
As federações europeias exigem a retirada completa da proposta e garantias de que os torneios da Fifa não serão futuramente submetidos à propriedade privada. Enquanto essas condições não forem atendidas, o bloco afirma que poderá permanecer fora das competições organizadas pela entidade.
O confronto também poderá atingir diretamente o Brasil. A Copa do Mundo Feminina de 2027 será realizada no país e aparece entre os primeiros grandes eventos que enfrentariam consequências caso o boicote seja mantido.
Apesar da decisão europeia, o boicote ainda depende dos próximos movimentos da Fifa. A proposta precisará ser aprovada pela maioria das 211 federações nacionais, e a entidade poderá modificar ou retirar o projeto antes que a ausência das seleções seja concretizada.
Fonte: Goal, Reuters, Fifa, Associated Press e imprensa europeia.
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