CORRIDA AO PLANALTO

Lula e Flávio ficam separados por 0,5 ponto em tracking, mas há um alerta

Tracking interno citado pelo PL coloca Lula apenas 0,5 ponto à frente de Flávio Bolsonaro; pesquisas registradas também apontam segundo turno apertado.

Por · · Atualizado: 27/08/2026 22:51
Lula e Flávio Bolsonaro em fotografias de 2026. Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Ton Molina/Agência Senado, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0; montagem e recortes: ClickFato.

Um tracking interno citado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, colocou Luiz Inácio Lula da Silva apenas 0,5 ponto percentual à frente de Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno. Segundo o dirigente partidário, a diferença representa empate técnico e reforçou a percepção de que a disputa pelo Palácio do Planalto entrou em uma fase mais apertada.

O levantamento foi encomendado pelo próprio partido e ganhou repercussão após reportagens de O Globo e do SBT News. Na versão tornada pública, porém, não foram informados o instituto responsável, o tamanho da amostra, o período de coleta, a margem de erro nem um número de registro no Tribunal Superior Eleitoral. Essa ausência impede comparar o resultado diretamente com pesquisas que divulgam toda a metodologia.

Pesquisas registradas também mostram disputa competitiva

Dois levantamentos nacionais divulgados em agosto apontaram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno. A Quaest registrou 43% para Lula e 40% para Flávio. Foram ouvidas 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 10 e 13 de agosto, sob o registro BR-06773/2026.

Já a pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou Lula com 47% e Flávio com 44%. O estudo ouviu 2.003 eleitores por telefone entre os dias 14 e 16 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado sob o número BR-03317/2026.

O quadro não é idêntico em todos os institutos. Na pesquisa CNT/MDA, realizada presencialmente com 2.002 pessoas entre 5 e 9 de agosto, Lula apareceu com 48% e Flávio com 39,1% em um eventual segundo turno. A margem de erro foi de 2,2 pontos percentuais e o registro é BR-06935/2026.

O alerta por trás do número de 0,5 ponto

Tracking é um acompanhamento repetido da opinião do eleitorado, usado pelas campanhas para identificar movimentos em intervalos curtos. O formato pode ser útil para orientar estratégia, comunicação e agenda, mas seu valor depende de informações como amostra, método de entrevista, ponderação e margem de erro.

Por isso, o número interno divulgado pelo PL funciona como sinal político, mas não deve ser lido como uma previsão do resultado da eleição. Os levantamentos registrados mostram que há cenários apertados, ao mesmo tempo em que revelam diferenças relevantes conforme a data de campo e a metodologia adotada.

O TSE exige o registro prévio das pesquisas eleitorais destinadas à divulgação pública. O cadastro informa quem contratou e pagou o estudo, método, período de realização, plano amostral, nível de confiança e margem de erro. O registro dá transparência ao levantamento, mas não significa que a Justiça Eleitoral tenha validado previamente o resultado.

Campanhas entram na reta decisiva

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno para 25 de outubro, as campanhas passam a observar não apenas a diferença entre os candidatos, mas também rejeição, indecisos, votos em branco e nulos e o desempenho em grupos específicos do eleitorado.

Os resultados disponíveis até agora sustentam a leitura de uma disputa competitiva, mas ainda são retratos do momento em que as entrevistas foram realizadas. Novos fatos políticos, debates, propaganda eleitoral e mudanças na economia podem alterar o cenário até a votação.

A reportagem foi elaborada com informações de O Globo, SBT News, UOL, BOL e Tribunal Superior Eleitoral. Os registros e as metodologias podem ser consultados no sistema oficial PesqEle.

Tags: Lula, Flávio Bolsonaro, Eleições 2026, Pesquisa eleitoral, Tracking

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