VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Medo da violência muda rotina de 98% das mulheres e afeta trabalho, estudo e lazer

Pesquisa nacional mostra que insegurança leva mulheres a evitar lugares, alterar trajetos e até abrir mão de oportunidades profissionais e acadêmicas.

Por · · Atualizado: 17/09/2026 10:52
Pesquisa mostra que o medo da violência interfere nos deslocamentos, no lazer e até em decisões relacionadas a trabalho e estudo das mulheres brasileiras.

A preocupação com a violência passou a interferir diretamente nas escolhas cotidianas de grande parte das brasileiras. Uma pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva aponta que 98% das mulheres adotam alguma estratégia para reduzir o risco de sofrer violência no dia a dia.

O levantamento também aponta que 78% das mulheres entrevistadas afirmaram já ter sofrido pelo menos um tipo de violência, enquanto 94% disseram se sentir inseguras diante da violência cotidiana. Entre os homens ouvidos, esse último percentual ficou em 84%.

Entre as mudanças de comportamento mais frequentes, 90% afirmaram evitar determinados lugares, 88% evitam compartilhar localização ou informações pessoais nas redes sociais e 83% evitam sair à noite. Outras entrevistadas disseram alterar trajetos, compartilhar localização com pessoas de confiança ou pedir companhia ao sair de casa.

O impacto também chega ao lazer. Segundo a pesquisa, 62% das mulheres disseram já ter mudado hábitos de lazer por preocupação com a violência, enquanto 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam.

Medo também interfere em trabalho e estudo

A insegurança não fica restrita aos deslocamentos e momentos de lazer. 45% das entrevistadas afirmaram já ter deixado de aproveitar uma oportunidade de trabalho ou estudo por medo da violência, enquanto 44% disseram já ter pensado em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.

A pesquisa ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões brasileiras, entre 22 e 30 de abril de 2026. As entrevistas foram realizadas digitalmente e a margem de erro informada é de 2,8 pontos percentuais.

O levantamento também perguntou sobre políticas públicas. Entre as mulheres entrevistadas, 95% consideraram importante ampliar canais de denúncia e apoio às vítimas, enquanto 93% apontaram a importância de melhorias na infraestrutura urbana, incluindo iluminação, espaços públicos e transporte.


Fonte: Agência Brasil / Instituto Patrícia Galvão / Instituto Locomotiva


Tags: violência contra a mulher, mulheres, segurança pública, violência, mobilidade urbana, Instituto Patrícia Galvão, Instituto Locomotiva, direitos das mulheres, segurança das mulheres


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