Você sabia que o estado de Goiás possui uma cidade chamada simplesmente Goiás — e que ela já foi a capital do estado?
Conhecida também como Cidade de Goiás ou pela antiga denominação Vila Boa, o município surgiu durante o ciclo do ouro no século XVIII e conserva ruas de pedra, igrejas, casarões e construções coloniais que atravessaram quase três séculos.
Hoje, com população estimada em 24.113 habitantes em 2026, a pequena cidade guarda um patrimônio de importância mundial e se prepara para completar 300 anos em 2027.
Você sabia que Goiás já foi a capital do estado?
Antes de Goiânia existir, era na atual Cidade de Goiás que ficava a sede do governo goiano.
A história começa em 1727, durante a expansão da mineração para o interior do Brasil. Segundo a Prefeitura, Bartolomeu Bueno da Silva Filho, o Anhanguera, fundou na região o Arraial de Sant’Anna, que posteriormente se transformou em Vila Boa de Goiás.
A localidade ganhou importância com a exploração do ouro e acabou se tornando o principal centro político e administrativo da região.
Em 1818, Vila Boa recebeu oficialmente a condição de cidade e passou a ser chamada de Cidade de Goiás.
Durante décadas, ela permaneceu como capital estadual.
Isso mudou em 1937, quando a sede do governo foi definitivamente transferida para a recém-construída Goiânia.
Mais de 90% da arquitetura colonial original foi preservada
Talvez uma das maiores curiosidades da Cidade de Goiás esteja na quantidade de construções antigas que chegaram aos dias atuais.
De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o município conserva mais de 90% de sua arquitetura colonial original.
Casas térreas, sobrados, igrejas, muros, becos e ruas de pedra formam uma paisagem urbana que ajuda a mostrar como eram algumas das cidades brasileiras surgidas durante o período colonial.
Parte dessas edificações foi construída utilizando técnicas tradicionais como adobe, taipa e pau a pique.
É justamente essa preservação que faz com que caminhar pelo centro histórico seja também uma viagem pela formação do Brasil Central.
Centro Histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO
O reconhecimento ultrapassou as fronteiras brasileiras.
Em 16 de dezembro de 2001, o conjunto histórico da Cidade de Goiás foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial.
Segundo o Iphan, o município representa um importante testemunho da ocupação e colonização do interior brasileiro durante os séculos XVIII e XIX.
O conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico preservado mostra como os modelos urbanos portugueses foram adaptados às condições geográficas e climáticas do interior do país.
A cidade cresceu às margens do Rio Vermelho
Ao contrário de cidades planejadas com ruas retas e grandes avenidas, a antiga Vila Boa foi se desenvolvendo de acordo com o relevo.
O núcleo urbano cresceu entre morros e acompanhando o curso do Rio Vermelho, que atravessa o centro histórico.
Essa formação ajudou a criar becos, ruas estreitas, pontes e diferentes níveis entre as construções, elementos que hoje fazem parte da identidade visual da cidade.
Foi também às margens desse rio que nasceu uma das escritoras mais conhecidas da literatura brasileira.
Você sabia que Cora Coralina nasceu na Cidade de Goiás?
Em 20 de agosto de 1889, nasceu na antiga Vila Boa Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que mais tarde ficaria conhecida como Cora Coralina.
A escritora nasceu na chamada Casa Velha da Ponte, construção histórica localizada às margens do Rio Vermelho.
A residência onde viveu atualmente abriga o Museu Casa de Cora Coralina, que preserva objetos pessoais, móveis, documentos e referências à trajetória literária da autora.
Cora passou a receber maior reconhecimento nacional já em idade avançada e tornou-se uma das figuras mais associadas à identidade cultural da Cidade de Goiás.
Sua história está tão ligada ao município que a antiga casa onde viveu se tornou um dos principais pontos culturais da região.
Procissão do Fogaréu transforma as ruas históricas durante a madrugada
Outra tradição que chama atenção acontece durante a Semana Santa.
A Procissão do Fogaréu percorre o centro histórico durante a noite e é uma das manifestações religiosas e culturais mais conhecidas do município.
A celebração combina religiosidade, história e elementos cênicos pelas ruas de pedra da antiga Vila Boa.
Segundo a Prefeitura, a tradição é realizada há mais de dois séculos e representa um dos principais momentos do calendário turístico da cidade.
Em 2020, a manifestação foi reconhecida oficialmente como patrimônio cultural no âmbito municipal.
Prédios históricos se transformaram em museus
A preservação da cidade não está restrita às fachadas.
Diversos edifícios antigos continuam sendo utilizados como espaços culturais.
Entre eles está o Museu das Bandeiras, instalado em uma construção de 1766 que durante muitos anos abrigou a antiga cadeia e a administração local.
Seu acervo reúne mobiliário, objetos, documentos e peças relacionadas à história da antiga Capitania de Goiás.
Também fazem parte do patrimônio cultural da cidade o Palácio Conde dos Arcos, o Museu de Arte Sacra da Boa Morte, o Teatro São Joaquim e a própria Casa de Cora Coralina.
Cidade de Goiás tem pouco mais de 24 mil moradores
Mesmo com tamanha importância histórica, Goiás continua sendo um município relativamente pequeno.
O Censo de 2022 registrou 24.071 moradores. Para 2026, a estimativa do IBGE é de 24.113 habitantes.
O território municipal possui pouco mais de 3,1 mil km², enquanto o PIB por habitante mais recente divulgado pelo instituto chegou a R$ 32.983,56 em 2023.
Curiosamente, a população praticamente não mudou entre o último Censo e a estimativa atual, enquanto o patrimônio histórico segue atraindo visitantes interessados em cultura, arquitetura e história brasileira.
Em 2027, a cidade completa 300 anos
O próximo ano terá um significado especial para o município.
Em 2027, a Cidade de Goiás completa 300 anos desde a fundação do antigo Arraial de Sant’Anna.
A Prefeitura já criou o projeto “300 Anos”, voltado à valorização da memória, preservação do Centro Histórico, cultura, turismo e economia criativa.
É um marco que chama ainda mais atenção para uma das características mais curiosas da cidade: mesmo depois de perder o posto de capital para Goiânia há quase nove décadas, a antiga Vila Boa conseguiu preservar grande parte da paisagem que conta a história do nascimento do estado.
Com cerca de 24 mil moradores, ruas de pedra, casarões coloniais, museus, tradições religiosas e a memória de Cora Coralina, a Cidade de Goiás mostra que tamanho não determina a importância histórica de um município.
Na série Municípios do Brasil, o ClickFato apresenta histórias, curiosidades e características que tornam únicas as cidades brasileiras.
FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Prefeitura da Cidade de Goiás; Governo do Estado de Goiás; UNESCO.
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