Você sabia que uma cidade catarinense recebeu uma expedição francesa apenas quatro anos depois da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil?
Estamos falando de São Francisco do Sul, no litoral norte de Santa Catarina.
Registros históricos apontam que o navegador francês Binot Paulmier de Gonneville chegou à região em janeiro de 1504, em um dos primeiros contatos europeus documentados com aquele trecho do litoral brasileiro.
Séculos depois, São Francisco do Sul tornou-se uma importante cidade portuária e preservou boa parte da paisagem urbana formada entre o mar e os morros.
Hoje, o município tem população estimada em 57.649 habitantes em 2026, segundo o IBGE.
Você sabia que São Francisco do Sul é considerada a cidade mais antiga de Santa Catarina?
O título está diretamente ligado aos primeiros núcleos de ocupação do litoral catarinense.
O Iphan considera São Francisco do Sul a cidade mais antiga de Santa Catarina, com fundação situada por volta de 1640 e colonização efetiva a partir de 1658, quando paulistas e portugueses passaram a se estabelecer na região.
O IBGE registra que a localidade foi elevada à condição de Vila de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco em 1660.
Mais tarde, em 15 de abril de 1847, recebeu oficialmente o título de cidade.
Em 2026, São Francisco do Sul comemorou 179 anos de elevação à categoria de cidade.
Mas europeus já haviam chegado à região em 1504
A história do município começa antes da criação formal da vila.
Segundo registros históricos reunidos pelo IBGE, a expedição francesa comandada por Binot Paulmier de Gonneville aportou na região em janeiro de 1504 e permaneceu durante vários meses.
A área já era habitada por povos indígenas, principalmente grupos associados aos Carijós.
Um dos episódios mais conhecidos dessa viagem envolve um jovem indígena levado para a França por Gonneville.
Os registros relatam que o navegador teria prometido devolver o jovem à sua terra, mas isso não ocorreu. Ele acabou permanecendo na Europa e se casou posteriormente com uma filha de Gonneville.
É uma história pouco conhecida que conecta o litoral catarinense à França ainda nos primeiros anos da colonização europeia das Américas.
Centro Histórico cresceu entre os morros e a Baía da Babitonga
Uma das características mais marcantes de São Francisco do Sul é sua relação com o mar.
O núcleo urbano antigo foi formado entre pequenas elevações e a Baía da Babitonga.
Essa geografia influenciou diretamente o desenho das ruas, a disposição das casas e o crescimento do porto.
O Plano Mestre do Complexo Portuário aponta que o conjunto histórico protegido possui cerca de 400 imóveis, abrangendo o núcleo original da cidade, as elevações ao redor e a orla da Baía da Babitonga.
A paisagem inclui casarões, igrejas, sobrados, ruas estreitas e construções diretamente relacionadas à atividade marítima.
Centro Histórico é protegido pelo Iphan desde 1987
O reconhecimento federal veio em 1987, quando o conjunto histórico e paisagístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
A preservação não considera apenas os edifícios.
A relação entre casario, morros, porto e Baía da Babitonga também faz parte do valor cultural reconhecido no município.
Essa abordagem foi considerada importante para o próprio Iphan porque ampliou a forma como os centros históricos brasileiros eram protegidos, indo além de conjuntos puramente coloniais e arquitetonicamente homogêneos.
Igreja Matriz está ligada aos primeiros séculos da cidade
Entre as construções históricas de maior destaque está a Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça.
Ela integra o núcleo urbano antigo e aparece como uma das referências visuais do Centro Histórico.
A região ao seu redor mantém ruas estreitas, praças e construções que ajudam a mostrar a evolução urbana de São Francisco do Sul.
Documentos históricos do IBGE registram a existência de uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Graça ainda no século XVII.
Porto ajudou a transformar a economia da cidade
A localização marítima não moldou apenas a arquitetura.
A atividade portuária tornou-se uma das principais forças econômicas do município.
Segundo o Iphan, São Francisco do Sul alcançou seu período de maior prosperidade entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX justamente graças à movimentação portuária.
Navios transportavam mercadorias e conectavam o litoral norte catarinense a outros centros econômicos.
Essa atividade continua fundamental atualmente.
O complexo portuário permanece instalado praticamente ao lado do Centro Histórico, criando uma situação pouco comum: casarões antigos e grandes operações marítimas convivem em áreas muito próximas.
PIB por habitante ultrapassa R$ 140 mil
A força econômica atual também aparece nos dados do IBGE.
Em 2023, São Francisco do Sul registrou PIB por habitante de R$ 140.417,13.
O valor é bastante elevado para um município com menos de 60 mil habitantes e reflete, entre outros fatores, a forte presença das atividades portuárias, logísticas e industriais.
Em 2026, novos projetos ligados à movimentação marítima continuaram avançando na região da Baía da Babitonga.
A cidade abriga um dos principais acervos de barcos tradicionais do Brasil
Outra curiosidade está diretamente ligada ao mar.
No Centro Histórico funciona o Museu Nacional do Mar – Embarcações Brasileiras.
Instalado em antigos galpões da Companhia Hoepcke de Navegação, às margens da Baía da Babitonga, o museu possui um acervo dedicado às diferentes formas tradicionais de navegação brasileira.
O conjunto inclui cerca de 100 embarcações em tamanho natural, mais de 400 modelos e réplicas, centenas de peças relacionadas ao artesanato naval e uma biblioteca especializada com mais de 7 mil títulos.
O próprio acervo foi tombado pelo Iphan em 2010.
Atualmente, o museu passa por processo de restauração e consta como temporariamente fechado para visitação.
Baía da Babitonga faz parte da identidade da cidade
A paisagem marítima é inseparável de São Francisco do Sul.
A Baía da Babitonga aparece diante do Centro Histórico e acompanha parte significativa da formação econômica e cultural do município.
Trapiches, áreas de ancoragem, porto, construções históricas e antigas atividades de navegação mostram como a população esteve ligada ao mar durante diferentes períodos.
Essa relação continua sendo uma das principais características visuais da cidade.
Cidade fica em uma ilha
Outro detalhe curioso é que boa parte do município está associada à Ilha de São Francisco do Sul.
O território reúne Centro Histórico, praias, áreas de Mata Atlântica, regiões portuárias e comunidades costeiras.
Isso faz com que a mesma cidade consiga reunir patrimônio arquitetônico, grandes navios cargueiros e destinos de praia.
Além do Centro Histórico, localidades como Enseada, Ubatuba e Praia Grande estão entre as áreas conhecidas do município.
São Francisco do Sul já se aproxima de 58 mil habitantes
Segundo os dados mais recentes do IBGE:
- População no Censo 2022: 52.674 habitantes;
- População estimada em 2026: 57.649 habitantes;
- Área territorial: 493,266 km²;
- Densidade demográfica: 106,79 habitantes por km²;
- Gentílico: francisquense;
- PIB por habitante: R$ 140.417,13 em 2023.
Entre o Censo de 2022 e a estimativa de 2026, são quase 5 mil moradores adicionais, mostrando crescimento populacional relevante em poucos anos.
Uma cidade onde o mar conta mais de quatro séculos de história
São Francisco do Sul começou sua trajetória muito antes de Santa Catarina existir como estado.
Primeiro vieram os povos indígenas.
Depois, navegadores europeus começaram a aparecer naquele litoral.
Portugueses e paulistas consolidaram a povoação.
O porto ajudou a transformar a economia.
Casarões foram erguidos diante da Baía da Babitonga.
Séculos depois, grandes navios continuam utilizando praticamente o mesmo cenário marítimo que ajudou a formar a cidade.
Talvez seja justamente essa a maior curiosidade de São Francisco do Sul: uma das cidades mais antigas do Sul do Brasil continua dependendo economicamente do mesmo elemento que definiu sua história desde o começo — o mar.
O resultado é uma paisagem onde um centro histórico protegido pelo Iphan, um importante complexo portuário e uma baía cercada por áreas naturais continuam dividindo o mesmo espaço.
Na série Municípios do Brasil, o ClickFato apresenta histórias, curiosidades e características que tornam únicas as cidades brasileiras.
FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Assembleia Legislativa de Santa Catarina; Ministério de Portos e Aeroportos; Instituto Brasileiro de Museus.
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