A onda de calor que atinge São Paulo mantém o campo em alerta até quarta-feira (19). No interior do estado, as temperaturas podem ficar até 7°C acima da média, enquanto a baixa umidade e a vegetação ressecada criam condições favoráveis para incêndios florestais.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento reforçou sete medidas para reduzir o risco nas propriedades rurais. As orientações envolvem limpeza de aceiros, vigilância, restrição ao uso do fogo e preparação de rotas para retirar pessoas, máquinas e animais em uma emergência.
1. Aceiros precisam estar limpos durante toda a estiagem
Os aceiros são faixas sem vegetação que dificultam a passagem das chamas entre áreas da propriedade. A recomendação estadual é manter pelo menos 3 metros entre talhões, 5 metros em cada lado de cercas e divisas e 6 metros ao redor de vegetação nativa.
A abertura da faixa não resolve o problema sozinha. Mato seco, folhas e resíduos que voltam a se acumular transformam o aceiro em combustível, por isso a manutenção deve continuar durante todo o período de estiagem.
2. Não use fogo para limpar terreno
A queima de restos de cultura, resíduos de poda e lixo aparece entre as causas recorrentes de incêndios no campo. Com calor intenso e ar seco, uma brasa pode escapar do controle e avançar rapidamente pela vegetação.
O uso do fogo em atividades agrossilvipastoris depende de autorização prévia da Cetesb ou da Defesa Agropecuária. Mesmo procedimentos autorizados podem ser suspensos nos períodos mais críticos. A orientação imediata é não iniciar queimadas.
3. Redobre o cuidado com qualquer fonte de ignição
Churrasqueiras, fogueiras, velas, fornos a lenha, fósforos e cigarros não devem ficar próximos de pastagens ou vegetação seca. Cinzas precisam estar completamente apagadas antes do descarte.
Balões também representam risco grave, além de serem proibidos por lei. Proprietários devem orientar trabalhadores e visitantes e impedir essa prática dentro ou nas proximidades da área rural.
4. Visitação rural pode ser suspensa nos dias críticos
Propriedades que recebem turistas devem avaliar a interrupção temporária das visitas. Restringir o acesso reduz o número de possíveis fontes de ignição e evita que equipes precisem resgatar visitantes se o fogo atingir a região.
A decisão deve considerar as condições locais, os alertas da Defesa Civil e a capacidade de retirar todas as pessoas com rapidez. Trilhas próximas de vegetação seca merecem atenção especial.
5. Monitore divisas, estradas e áreas ressecadas
A frequência das rondas deve aumentar nas áreas próximas de estradas, cercas, reservas legais e fragmentos florestais. São pontos em que focos podem começar sem serem percebidos e se espalhar antes da chegada do socorro.
Também é recomendável dificultar a entrada de pessoas não autorizadas nas partes mais vulneráveis. Ao observar fumaça suspeita, a prioridade é comunicar os serviços de emergência e avisar os vizinhos.
6. Revise rotas de fuga e o destino dos animais
O plano da propriedade precisa indicar por onde sairão moradores, funcionários e visitantes, como máquinas serão retiradas e para onde os animais de criação poderão ser levados. Portões bloqueados ou caminhos estreitos podem atrasar uma evacuação.
Brigadistas e equipamentos destinados aos focos iniciais devem estar preparados. A recomendação oficial é clara: ninguém deve combater um incêndio sozinho. Somente pessoas treinadas e com equipamento adequado podem se aproximar das chamas.
7. Cadastre alertas e mantenha os telefones de emergência acessíveis
Para receber avisos meteorológicos gratuitos, o produtor pode enviar o CEP por SMS para o número 40199. Informações de temperatura e umidade também estão disponíveis no CIIAGRO.
Em caso de incêndio, acione o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199. Atividades incendiárias suspeitas podem ser denunciadas pelo 190 ou, de forma anônima, pelo 181.
A Secretaria de Agricultura e o Corpo de Bombeiros reuniram instruções adicionais no Guia de Prevenção a Incêndios Florestais em Propriedades Rurais. O material também orienta sobre ações durante e depois de uma ocorrência.
Até a mudança no tempo, qualquer sinal de fumaça exige reação rápida. O produtor deve deixar o combate direto para as equipes treinadas e concentrar esforços em alertar pessoas, retirar animais e liberar as rotas de acesso dos bombeiros.
Fontes: Agência SP, Secretaria de Agricultura e Abastecimento e Defesa Civil de São Paulo.
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