Um homem de 36 anos foi preso em São Gabriel da Palha, no Norte do Espírito Santo, suspeito de planejar a morte do próprio filho, de 8 anos. Segundo a investigação, o caso chegou à polícia brasileira após um alerta encaminhado ao FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.
De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo, o suspeito teria usado uma ferramenta de inteligência artificial para registrar mensagens sobre a intenção de cometer crimes. A empresa responsável pela plataforma identificou o risco e encaminhou as informações às autoridades norte-americanas.
Após receber o alerta, o FBI repassou os dados ao Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em seguida, a Polícia Civil capixaba foi acionada e iniciou a apuração.
Plano teria relação com pensão alimentícia
As investigações apontam que a motivação do crime estaria ligada à cobrança de pensão alimentícia. Segundo a polícia, o homem demonstrava preocupação com a possibilidade de a mãe da criança cobrar valores da avó paterna caso ele não pagasse a pensão.
A apuração indica ainda que o suspeito teria tentado contratar uma pessoa para executar o crime mediante pagamento de R$ 50 mil. O suposto contratado teria recusado a proposta ao saber que a vítima seria uma criança.
Com base nas informações recebidas, os investigadores identificaram o suspeito, confirmaram que ele tinha um filho e solicitaram à Justiça mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva.
Prisão ocorreu um dia antes da data planejada
O homem foi preso no dia 19 de junho, um dia antes da data em que, segundo a polícia, ele pretendia colocar o plano em prática.
Durante a investigação, a polícia também apurou que o suspeito teria mencionado a posse de arma, corda e substância tóxica. Além disso, ele teria feito pesquisas sobre venenos e relatado intenção de cometer ataques contra policiais e em locais públicos.
A identidade do investigado não foi divulgada. Ele é agricultor e, ao ser abordado, negou que pretendesse matar o filho. Segundo a Polícia Civil, porém, o material técnico reunido será analisado junto com os dados extraídos do telefone celular apreendido.
Caso é considerado inédito no Espírito Santo
A Polícia Civil informou que esta é a primeira investigação no Espírito Santo iniciada a partir de comunicação feita por uma plataforma de inteligência artificial às autoridades. Segundo o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, este seria apenas o terceiro caso do tipo registrado no Brasil.
Para os investigadores, a gravidade do caso está relacionada à frequência das mensagens, ao detalhamento das intenções e ao risco concreto de execução do crime.
O inquérito ainda está em andamento. A perícia no celular do suspeito deve ajudar a definir quais crimes poderão ser atribuídos a ele. Entre as possibilidades analisadas estão tentativa de homicídio, ameaça, incitação ao crime e apologia ao crime.
Cooperação internacional ajudou na investigação
O caso também reforça a importância da cooperação entre autoridades brasileiras e estrangeiras em investigações de crimes cibernéticos e ameaças graves. Após o alerta inicial, a troca de informações permitiu que a polícia local agisse rapidamente.
Segundo a Polícia Civil, a atuação integrada foi essencial para evitar uma tragédia e proteger a criança.