Quanto dinheiro uma família precisa receber por mês para viver com as principais despesas pagas em cada estado brasileiro? A resposta varia bastante conforme a região, especialmente por causa das diferenças nos preços de alimentos, moradia e serviços.
Um levantamento comparativo elaborado a partir dos dados mais recentes da Conab e do Dieese, mostra que o orçamento mensal necessário pode variar de aproximadamente R$ 5 mil a R$ 7,7 mil, considerando como referência uma família de quatro pessoas e tomando a capital de cada estado como parâmetro.
São Paulo aparece no topo da estimativa, enquanto Sergipe, representado por Aracaju, aparece na outra ponta.
É importante destacar que não existe atualmente um indicador oficial que determine exatamente quanto custa viver em cada um dos 26 estados e no Distrito Federal. Por isso, os valores abaixo são estimativas comparativas, e não um ranking oficial do custo de vida.
O que entra na conta?
O Dieese calcula mensalmente o chamado salário mínimo necessário, levando em consideração que a renda de uma família deve conseguir atender despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Em julho de 2026, o Dieese estimou que uma família de quatro pessoas precisaria receber R$ 7.687,01 por mês. O valor equivale a 4,74 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621.
Para permitir uma comparação entre os estados, o ClickFato utilizou o valor de São Paulo como referência e aplicou proporcionalmente a diferença do custo da cesta básica de cada uma das 27 capitais.
A metodologia não significa, por exemplo, que aluguel, consulta médica ou ingresso de cinema custem exatamente na mesma proporção dos alimentos. O objetivo é produzir uma referência comparável de orçamento, já que ainda não existe uma pesquisa mensal oficial com todas essas despesas para cada estado.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE mostra por que olhar somente o supermercado não é suficiente para medir o custo de vida. Na estrutura de consumo das famílias, habitação representava 36,6% das despesas, transporte 18,1%, alimentação 17,5%, assistência à saúde 8% e recreação e cultura 2,6%.
Veja quanto seria necessário por mês em cada estado
Estado Capital usada como referência Cesta básica Orçamento mensal estimado
*São Paulo São Paulo R$ 915,01 R$ 7.687
Mato Grosso Cuiabá R$ 881,27 R$ 7.404
Santa Catarina Florianópolis R$ 860,73 R$ 7.231
Rio de Janeiro Rio de Janeiro R$ 855,37 R$ 7.186
Rio Grande do Sul Porto Alegre R$ 841,94 R$ 7.073
Mato Grosso Sul Campo Grande R$ 809,08 R$ 6.797
Paraná Curitiba R$ 807,93 R$ 6.787
Espírito Santo Vitória R$ 795,34 R$ 6.682
Goiás Goiânia R$ 792,79 R$ 6.660
Ceará Fortaleza R$ 769,88 R$ 6.468
Minas Gerais Belo Horizonte R$ 765,25 R$ 6.429
Distrito Federal Brasília R$ 747,10 R$ 6.276
Tocantins Palmas R$ 731,89 R$ 6.149
Roraima Boa Vista R$ 730,74 R$ 6.139
Pará Belém R$ 724,10 R$ 6.083
Amapá Macapá R$ 713,29 R$ 5.992
Piauí Teresina R$ 702,27 R$ 5.900
Amazonas Manaus R$ 697,80 R$ 5.862
Acre Rio Branco R$ 692,04 R$ 5.814
Rondônia Porto Velho R$ 684,83 R$ 5.753
Pernambuco Recife R$ 660,31 R$ 5.547
Maranhão São Luís R$ 656,69 R$ 5.517
Bahia Salvador R$ 650,32 R$ 5.463
Paraíba João Pessoa R$ 644,04 R$ 5.411
Rio Grande Norte Natal R$ 631,51 R$ 5.305
Alagoas Maceió R$ 618,60 R$ 5.197
Sergipe Aracaju R$ 594,07 R$ 4.991
*Estimativa comparativa para uma família de quatro pessoas. Não representa um indicador oficial de custo de vida estadual.
Os preços da cesta básica utilizados são referentes a julho de 2026. A pesquisa da Conab e do Dieese cobre atualmente as 27 capitais brasileiras.
São Paulo lidera e diferença passa de R$ 2,6 mil
Pelo modelo comparativo, uma família vivendo em São Paulo precisaria de aproximadamente R$ 7.687 mensais para manter um orçamento que contemple não apenas alimentação, mas também moradia, transporte, saúde, educação, higiene e algum espaço para lazer.
Em Cuiabá, a estimativa fica próxima de R$ 7.404, seguida de Florianópolis, com aproximadamente R$ 7.231, Rio de Janeiro, com R$ 7.186, e Porto Alegre, com R$ 7.073.
Essas capitais também estão entre aquelas com as cestas básicas mais caras do país. Em julho, São Paulo liderou com R$ 915,01, seguida por Cuiabá, com R$ 881,27; Florianópolis, com R$ 860,73; e Rio de Janeiro, com R$ 855,37.
Na outra ponta aparecem estados do Nordeste. A estimativa ficou em aproximadamente R$ 4.991 em Sergipe, R$ 5.197 em Alagoas, R$ 5.305 no Rio Grande do Norte e R$ 5.411 na Paraíba.
A diferença entre as duas pontas do levantamento chega a aproximadamente R$ 2,7 mil por mês.
Moradia pode mudar completamente o resultado
Apesar da comparação, o local escolhido dentro de um mesmo estado pode alterar significativamente o orçamento.
Uma pessoa que mora em Curitiba, por exemplo, pode ter despesas muito diferentes de alguém que vive em uma pequena cidade do interior do Paraná. O mesmo vale para São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia ou qualquer outro estado.
A moradia tende a provocar uma das maiores diferenças. A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE mostrou que habitação é o maior componente das despesas de consumo das famílias brasileiras, à frente de transporte e alimentação.
Por isso, quem possui imóvel próprio quitado pode precisar de uma renda consideravelmente menor do que uma família que paga aluguel em uma região valorizada.
Saúde e lazer também pesam no orçamento
Saúde também não deve ser ignorada ao calcular quanto é necessário para viver. Medicamentos, consultas, exames, plano de saúde e tratamentos podem representar uma parcela relevante das despesas, principalmente para famílias com crianças, idosos ou pessoas que necessitam de acompanhamento frequente.
Na estrutura de despesas de consumo da POF, a assistência à saúde representa cerca de 8%, enquanto recreação e cultura respondem por aproximadamente 2,6%.
O lazer parece pequeno quando comparado à moradia ou à alimentação, mas faz diferença quando o objetivo é calcular não apenas o mínimo para sobreviver, e sim uma renda que permita manter uma rotina com alguma qualidade de vida.
Cinema, restaurantes, viagens curtas, atividades para crianças, academias, streaming e outros serviços podem elevar consideravelmente essa parcela dependendo do padrão de consumo da família.
Alimentação ainda consome grande parte da renda
Mesmo depois da queda registrada em julho, o custo dos alimentos continua elevado.
A Conab e o Dieese apontaram redução no valor da cesta básica em 26 das 27 capitais entre junho e julho. A única alta ocorreu em São Luís.
Para um trabalhador que recebe o piso nacional, comprar apenas a cesta básica exigiu, em média, 49,34% do salário mínimo líquido nas 27 capitais em julho.
Isso ajuda a explicar por que famílias que recebem um ou dois salários mínimos enfrentam dificuldade para conciliar supermercado, aluguel, contas da casa, transporte, medicamentos e lazer.
Quanto seria uma renda confortável?
Os valores apresentados no levantamento devem ser vistos como uma referência para cobrir as principais necessidades de uma família, e não como uma definição de riqueza ou de vida confortável.
Uma família com imóvel quitado, uso de serviços públicos de saúde e educação e baixo gasto com transporte pode viver com menos.
Por outro lado, aluguel elevado, escola particular, plano de saúde, financiamento de veículo, alimentação fora de casa e atividades de lazer podem fazer o custo mensal superar facilmente os valores apresentados.
O próprio Dieese reforça essa diferença ao estimar que, em julho de 2026, R$ 7.687,01 seriam necessários para sustentar uma família de quatro pessoas, considerando as necessidades previstas constitucionalmente, enquanto o salário mínimo oficial está em R$ 1.621.
Assim, a comparação mostra algo além do preço do supermercado: o estado onde a família vive pode fazer uma diferença de milhares de reais no orçamento necessário ao longo do ano.
Fonte: Conab/DIEESE — Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, julho de 2026; DIEESE — Salário Mínimo Necessário; IBGE — Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).
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