A ginasta brasileira Rebeca Andrade voltou ao lugar mais alto do pódio e escreveu mais um capítulo histórico para o esporte nacional. Neste sábado (24 de outubro), a atleta conquistou a medalha de ouro no salto do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, disputado em Roterdã, na Holanda, tornando-se tricampeã mundial do aparelho.
Aos 27 anos, Rebeca apresentou dois saltos de alto nível técnico e alcançou a nota final de 14,466 pontos, suficiente para superar as adversárias norte-americanas Claire Pease e Skye Blakely.
O resultado garantiu à brasileira sua décima medalha em Campeonatos Mundiais e um feito especial: ela se tornou a primeira representante do Brasil a conquistar três títulos mundiais em uma mesma prova da ginástica artística.
A conquista aconteceu diante de uma espectadora ilustre. A norte-americana Simone Biles, considerada uma das maiores ginastas da história, acompanhou a disputa das arquibancadas.
Rebeca Andrade conquista o ouro com dois saltos de alto nível
A brasileira chegou à final do salto depois de liderar a fase classificatória e apresentar um dos melhores desempenhos da competição.
Na decisão, optou por executar dois elementos que já vinha treinando e utilizando durante o torneio.
No primeiro salto, um Yurchenko com dupla pirueta, Rebeca conseguiu 14,400 pontos, demonstrando excelente controle durante a execução e a aterrissagem.
Na segunda apresentação, realizou o salto Lopez, recebendo 14,133 pontos.
Com a média dos dois movimentos e a bonificação de 0,2 ponto prevista no regulamento para saltos de grupos diferentes, a brasileira alcançou 14,466 pontos.
A combinação de precisão, controle e elevado nível de execução foi determinante para superar suas concorrentes.
Confira quem conquistou as medalhas na final do salto
A disputa reuniu algumas das principais ginastas do mundo, com uma diferença relativamente pequena entre as três primeiras colocadas.
O pódio do Mundial de Roterdã ficou assim:
- Ouro — Rebeca Andrade (Brasil): 14,466 pontos.
- Prata — Claire Pease (Estados Unidos): 14,233 pontos.
- Bronze — Skye Blakely (Estados Unidos): 14,166 pontos.
A norte-americana Claire Pease apresentou movimentos de elevada dificuldade, mas terminou atrás da brasileira.
Já Skye Blakely garantiu a terceira colocação com uma apresentação consistente.
A sul-coreana Yeo Seojeong, apontada como uma das principais concorrentes de Rebeca, realizou um primeiro salto de 14,600 pontos, mas sofreu uma queda no segundo, comprometendo sua média final.
Brasileira conquista feito que nem Simone Biles alcançou
O tricampeonato também colocou Rebeca Andrade em um grupo extremamente restrito da ginástica mundial.
Antes da conquista deste sábado, apenas a chinesa Cheng Fei havia vencido três vezes o título mundial do salto feminino.
A atleta chinesa conquistou a prova em 2005, 2006 e 2007.
Agora, Rebeca se junta a ela como a segunda tricampeã mundial do aparelho.
O feito chama atenção porque nem mesmo Simone Biles, dona de dezenas de medalhas internacionais, conseguiu alcançar três títulos mundiais no salto.
A norte-americana possui dois ouros mundiais nessa prova.
Rebeca Andrade também passou a ser a primeira ginasta brasileira a conquistar três títulos mundiais em um mesmo aparelho.
Até então, os maiores resultados individuais repetidos por atletas brasileiros eram os bicampeonatos de Diego Hypolito no solo e da própria Rebeca no salto.
Rebeca chega a dez medalhas em Campeonatos Mundiais
Com o ouro conquistado na Holanda, Rebeca ampliou uma coleção de conquistas que já a coloca entre as maiores ginastas da história do Brasil.
A atleta agora soma dez medalhas em Campeonatos Mundiais, distribuídas da seguinte forma:
- 4 medalhas de ouro.
- 4 medalhas de prata.
- 2 medalhas de bronze.
Os títulos mundiais de ouro foram conquistados no salto, em 2021, 2023 e 2026, além do individual geral, em 2022.
Considerando as provas individuais, Rebeca também entrou para o grupo das dez ginastas com maior número de medalhas na história dos Mundiais, empatada em nono lugar com a soviética Yelena Shushunova.
O desempenho confirma a presença da brasileira entre os principais nomes da modalidade em nível internacional.
Conquista marca retorno após período longe das competições
O ouro em Roterdã possui um significado especial na trajetória de Rebeca.
Depois de conquistar quatro medalhas nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, a atleta passou por um período de redução da carga competitiva.
A decisão fez parte de um planejamento para preservar sua saúde física e mental após anos de treinamento intenso.
Em 2025, Rebeca não participou de competições oficiais, concentrando-se na recuperação e na preparação para os desafios seguintes.
A brasileira também decidiu deixar de competir no solo, aparelho que exige forte impacto sobre os joelhos e os tornozelos.
A ginasta já enfrentou lesões importantes ao longo da carreira, incluindo cinco cirurgias nos joelhos.
O retorno gradual tem como objetivo manter sua competitividade sem comprometer a preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Ouro veio com estratégia e cuidado na execução
Antes da final, havia expectativa sobre a possibilidade de Rebeca apresentar o salto Cheng, um dos movimentos mais difíceis de seu repertório.
Entretanto, a brasileira e o técnico Francisco Porath optaram por manter a sequência que vinha apresentando resultados positivos.
A estratégia priorizou a qualidade de execução e a segurança da atleta.
Mesmo com saltos de dificuldade inferior aos de algumas adversárias, Rebeca conseguiu notas elevadas graças à precisão dos movimentos.
O resultado demonstrou que, na ginástica artística, o grau de dificuldade precisa ser acompanhado por uma execução consistente.
A escolha também reflete o planejamento de evolução gradual adotado pela equipe técnica.
Simone Biles acompanhou conquista brasileira das arquibancadas
A final teve a presença de Simone Biles, convidada de honra do Mundial de Roterdã.
A norte-americana, que não participou da competição, acompanhou as apresentações das ginastas e viu Rebeca conquistar o terceiro título mundial no salto.
As duas atletas protagonizaram momentos importantes nos últimos Jogos Olímpicos, especialmente em Paris 2024.
Naquela edição, Rebeca conquistou o ouro no solo, superando Simone Biles e Jordan Chiles.
A imagem das norte-americanas homenageando a brasileira no pódio se tornou um dos momentos mais marcantes da competição.
Em Roterdã, as duas não se enfrentaram, mas a presença de Simone acrescentou simbolismo à conquista da brasileira.
Rebeca também é a maior medalhista olímpica do Brasil
Além das dez medalhas em Mundiais, Rebeca Andrade possui um histórico expressivo nos Jogos Olímpicos.
A ginasta conquistou seis medalhas olímpicas, sendo duas de ouro, três de prata e uma de bronze.
Com esse resultado, tornou-se a atleta brasileira com maior número de medalhas na história dos Jogos Olímpicos.
Entre suas conquistas estão o ouro no salto em Tóquio e o título do solo em Paris.
A trajetória também inclui superação de lesões, retornos competitivos e a consolidação da ginástica artística brasileira no cenário internacional.
Mundial de Roterdã também é importante para Los Angeles 2028
Apesar da conquista individual de Rebeca, o Brasil enfrentou desafios na competição por equipes.
A seleção feminina terminou em quinto lugar, resultado que não garantiu a classificação olímpica antecipada para Los Angeles 2028.
Entretanto, a colocação assegurou presença no Campeonato Mundial de 2027, competição que distribuirá novas vagas para os Jogos Olímpicos.
A equipe brasileira continua trabalhando para ampliar sua participação nas principais competições internacionais.
Para Rebeca, o planejamento seguirá priorizando a preparação física e a evolução técnica até o próximo ciclo olímpico.
Mais um capítulo histórico para a ginástica brasileira
A conquista em Roterdã confirma a capacidade de Rebeca Andrade de retornar ao mais alto nível após períodos de recuperação e mudanças na preparação.
O título reúne marcas expressivas: o tricampeonato mundial no salto, a décima medalha em Mundiais e o reconhecimento como a primeira brasileira a conquistar três ouros na mesma prova.
Com apenas 27 anos, Rebeca Andrade já possui dez medalhas mundiais e seis olímpicas, consolidando uma das carreiras mais vitoriosas da história do esporte brasileiro.
O novo ouro também reforça a expectativa em torno de sua preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
TAGS: Rebeca Andrade, Rebeca Andrade ouro, Rebeca Andrade tricampeã, Mundial de Ginástica 2026, Mundial de Roterdã, Rebeca Andrade salto, Rebeca Andrade 10 medalhas, ginástica artística, ouro para o Brasil, Simone Biles, Claire Pease, Skye Blakely, Cheng Fei, ginástica brasileira, Olimpíadas Los Angeles 2028, medalhas Rebeca Andrade, tricampeonato mundial, esporte brasileiro, ginástica feminina, Rebeca Andrade hoje