Localizada na Região Central do Rio Grande do Sul, Santa Maria é um dos municípios mais populosos e importantes do interior gaúcho. Sua posição geográfica contribuiu para que a cidade se transformasse em um polo regional de comércio, saúde, educação, serviços e atividades militares.
De acordo com o Censo de 2022, Santa Maria possuía 271.735 habitantes. A estimativa divulgada pelo IBGE para 2025 indica uma população de aproximadamente 282.395 pessoas. O território municipal possui 1.780,194 quilômetros quadrados.
Atualmente conhecida como Cidade Universitária e Coração do Rio Grande, Santa Maria passou por diferentes ciclos de desenvolvimento. Primeiro, a posição estratégica favoreceu a formação do povoado. Depois, a ferrovia transformou sua economia e sua paisagem urbana. Décadas mais tarde, a criação da Universidade Federal de Santa Maria abriu uma nova etapa na história municipal.
Cidade começou a se formar a partir de um acampamento
A origem do núcleo urbano de Santa Maria remonta a 1797. Naquele período, uma comissão responsável pela demarcação dos territórios pertencentes a Portugal e à Espanha estabeleceu um acampamento na região onde posteriormente se desenvolveria a área central da cidade.
A localização era considerada estratégica por estar em uma passagem entre diferentes regiões do território gaúcho. O povoado cresceu ao redor do acampamento e passou a receber comerciantes, militares, agricultores e viajantes.
Em 1837, a localidade foi transformada em freguesia com o nome de Santa Maria da Boca do Monte. A denominação fazia referência à posição geográfica da comunidade, próxima a uma passagem natural utilizada para chegar às áreas de serra e aos antigos caminhos de São Martinho.
Santa Maria tornou-se município em 1858. O aniversário da cidade é comemorado em 17 de maio.
Ferrovia mudou o destino de Santa Maria
O desenvolvimento urbano ganhou velocidade com a chegada da ferrovia no final do século XIX.
A construção das estradas de ferro que passariam pela região havia sido autorizada por Dom Pedro II em 1873. Os trilhos chegaram a Santa Maria em outubro de 1882, e o transporte de cargas começou nos anos seguintes. A estrutura ferroviária permitiu conectar a Região Central à capital, à fronteira oeste e ao norte do Rio Grande do Sul.
Santa Maria passou a ocupar uma posição central na malha ferroviária gaúcha. Linhas procedentes de diferentes partes do estado encontravam-se na cidade, facilitando a circulação de passageiros, produtos agrícolas, animais, correspondências e mercadorias.
A partir de 1900, o município tornou-se um importante centro de controle do tráfego ferroviário no Rio Grande do Sul. A movimentação constante de trens estimulou a abertura de hotéis, restaurantes, armazéns, oficinas e estabelecimentos comerciais.
A população urbana aumentou, novos bairros foram formados e centenas de trabalhadores passaram a depender diretamente da ferrovia.
Vila Belga foi construída para trabalhadores ferroviários
Um dos principais patrimônios históricos de Santa Maria é a Vila Belga, localizada nas proximidades da antiga estação ferroviária.
O conjunto habitacional foi projetado pelo engenheiro belga Gustave Vauthier e construído entre 1901 e 1903. As casas serviam como moradia para funcionários da companhia belga responsável por parte da administração e expansão ferroviária no estado.
A Vila Belga é composta por 84 residências geminadas, com características arquitetônicas que ajudam a preservar a memória da presença ferroviária na cidade. O conjunto foi reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural pelo município em 1988 e recebeu tombamento estadual em 2020.
Atualmente, a Vila Belga, a antiga Gare e trechos da Avenida Rio Branco integram o patrimônio ferroviário de Santa Maria e recebem atividades culturais, feiras e ações de preservação histórica.
Fim dos trens de passageiros encerrou uma época
Durante décadas, a estação de Santa Maria recebeu trens de passageiros que viajavam para diferentes regiões do Rio Grande do Sul e do país.
As plataformas movimentadas faziam parte da rotina da cidade. Passageiros, ferroviários, comerciantes e moradores circulavam diariamente pela estação, transformando o local em um importante ponto de encontro.
O transporte ferroviário regular de passageiros foi encerrado na década de 1990. Mesmo após a redução das atividades, os trilhos, as oficinas, a estação e as moradias dos trabalhadores permaneceram como marcas visíveis do período em que Santa Maria era conhecida como Cidade Ferroviária.
Criação da UFSM transformou a cidade novamente
A segunda grande transformação de Santa Maria ocorreu com a criação da Universidade Federal de Santa Maria.
A instituição foi criada pela Lei nº 3.834-C, de 14 de dezembro de 1960, por iniciativa do médico e professor José Mariano da Rocha Filho. Sua instalação oficial ocorreu em março de 1961.
A UFSM tornou-se a primeira universidade federal criada no interior do Brasil, fora de uma capital. A iniciativa representou um marco na interiorização do ensino superior público brasileiro.
A Cidade Universitária foi implantada no bairro Camobi e passou a receber estudantes, professores e pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e de outros países.
Com o crescimento da universidade, Santa Maria ampliou sua atuação nas áreas de educação, ciência, tecnologia, saúde, agricultura, engenharia e inovação. A mudança foi tão significativa que a cidade anteriormente reconhecida por sua ferrovia passou a ser chamada de Cidade Universitária.
Além da UFSM, o município possui outras instituições de ensino superior, escolas técnicas e centros de pesquisa, reforçando sua importância educacional para a Região Central.
Curiosidade: primeiro dinossauro brasileiro foi encontrado em Santa Maria
A história de Santa Maria não está apenas nos edifícios ou nos trilhos. Parte dela encontra-se preservada no solo há milhões de anos.
O município possui importantes sítios paleontológicos, especialmente na região da Sanga da Alemoa. Nesse local foram encontrados fósseis de animais que viveram durante o período Triássico.
Entre as descobertas está o Staurikosaurus pricei, considerado o primeiro dinossauro brasileiro identificado pela ciência. Seus fósseis foram encontrados em 1936 na região da Sanga da Alemoa.
A formação geológica de Santa Maria reúne fósseis com aproximadamente 233 milhões de anos. Por sua relevância científica, a área da Sanga da Alemoa foi transformada em Monumento Natural Paleontológico, garantindo proteção aos depósitos fossilíferos e permitindo o desenvolvimento de pesquisas e ações de educação ambiental.
A presença desses fósseis coloca Santa Maria entre os locais mais importantes do Brasil para o estudo dos primeiros dinossauros.
Cidade reúne história ferroviária, ciência e serviços
Santa Maria passou de acampamento estratégico a centro ferroviário e, posteriormente, a polo universitário.
Atualmente, sua economia está concentrada principalmente nos setores de comércio e serviços, mas também possui atividades industriais, agropecuárias, tecnológicas e militares. A presença de hospitais, universidades e órgãos públicos faz com que moradores de dezenas de municípios procurem diariamente serviços na cidade.
A localização no centro do Rio Grande do Sul continua desempenhando um papel importante na circulação de pessoas e mercadorias, assim como ocorreu durante o período de expansão ferroviária.
Entre a antiga Gare, as casas da Vila Belga, os corredores da universidade e os fósseis preservados no subsolo, Santa Maria mantém registros de diferentes momentos da história gaúcha.
Fontes
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; Prefeitura Municipal de Santa Maria; Secretaria Municipal de Turismo; Universidade Federal de Santa Maria e Wikipédia.
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