Você sabia que existe no Brasil um município com pouco mais de 96 mil habitantes, mas com um território de 64.431 km²?
Estamos falando de Corumbá, em Mato Grosso do Sul.
Localizada às margens do Rio Paraguai e na fronteira com a Bolívia, Corumbá possui uma extensão territorial tão grande que supera a área total de diversos países.
Ao mesmo tempo, sua densidade demográfica é de apenas 1,49 habitante por km², resultado de um território dominado em grande parte pela paisagem pantaneira. Segundo o IBGE, a estimativa para 2026 é de 96.334 moradores.
Mas tamanho não é a única curiosidade.
Corumbá foi criada como ponto estratégico para proteger a fronteira portuguesa, foi ocupada por tropas paraguaias durante a Guerra do Paraguai, tornou-se um dos grandes portos comerciais da América do Sul e atualmente é conhecida como Capital do Pantanal.
Você sabia que Corumbá surgiu para proteger a fronteira?
A origem da cidade está diretamente ligada à posição estratégica da região.
Corumbá foi fundada em 21 de setembro de 1778, por determinação do capitão-general da Capitania de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres.
O primeiro núcleo recebeu o nome de Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque.
A intenção portuguesa era reforçar a presença na região e dificultar avanços espanhóis sobre o território.
A localização às margens do Rio Paraguai também tinha enorme importância, já que o rio funcionava como uma das principais rotas de circulação pelo interior da América do Sul.
O núcleo cresceu e tornou-se distrito em 1838. Em 1850, passou à condição de município.
A cidade foi ocupada pelo Paraguai
Um dos capítulos mais marcantes aconteceu durante a Guerra do Paraguai.
Em janeiro de 1865, tropas paraguaias avançaram pela então Província de Mato Grosso e ocuparam Corumbá.
A cidade permaneceu sob domínio paraguaio até 13 de junho de 1867, quando tropas brasileiras comandadas pelo tenente-coronel Antônio Maria Coelho realizaram uma operação para reconquistá-la.
A chamada Retomada de Corumbá tornou-se tão importante para a história local que 13 de junho é atualmente feriado municipal.
Em 2026, a cidade celebrou 159 anos da Retomada.
Soldados caminharam 25 quilômetros antes do ataque
Os detalhes da operação mostram a dimensão do episódio.
As tropas brasileiras partiram de Cuiabá em maio de 1867.
Na madrugada de 13 de junho, os soldados avançaram cerca de 25 quilômetros pelas margens do Rio Paraguai antes de chegar às proximidades da cidade.
Os ataques começaram por volta das 14 horas e se prolongaram até as 18 horas.
Segundo o relato histórico divulgado pela Prefeitura, nove militares brasileiros morreram, outros 27 ficaram feridos e 27 soldados paraguaios foram capturados.
A reconquista permitiu posteriormente a reconstrução e retomada das atividades econômicas de Corumbá.
Corumbá chegou a ter um dos maiores portos comerciais da América Latina
Depois da guerra, a cidade entrou em uma nova fase.
O Rio Paraguai voltou a ser fundamental para o desenvolvimento econômico.
Navios transportavam mercadorias pela Bacia do Prata, conectando Corumbá a portos e centros comerciais de outros países sul-americanos e, por consequência, ao comércio internacional.
A cidade recebeu comerciantes e imigrantes de diferentes origens e se transformou em um grande entreposto regional.
Documentos municipais registram que Corumbá chegou a possuir o terceiro maior porto comercial da América Latina no período de maior prosperidade, posição que manteve até as primeiras décadas do século XX.
Os antigos armazéns continuam de pé
Boa parte daquela fase econômica pode ser observada atualmente no Casario do Porto Geral.
Grandes sobrados e antigos armazéns foram construídos próximos ao Rio Paraguai para atender comerciantes, exportadores e empresas de navegação.
O conjunto permaneceu como uma das principais imagens históricas da cidade.
Em 1993, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o Conjunto Histórico, Arquitetônico e Paisagístico de Corumbá.
O perímetro protegido pelo instituto engloba 119 edificações diretamente no conjunto urbano, além de aproximadamente 3 mil imóveis na área de entorno.
Hoje, a região do Porto Geral reúne restaurantes, espaços culturais, lojas, turismo e atividades ligadas ao Rio Paraguai.
Em 2026, a orla ganhou novo projeto de revitalização
O patrimônio permanece recebendo intervenções.
Em março de 2026, a União autorizou a Prefeitura a avançar na revitalização de mais um setor da orla do Rio Paraguai, na região do Porto Geral.
A iniciativa integra projetos de recuperação urbana e valorização turística da área histórica.
É mais um capítulo de uma região que começou como centro comercial há mais de um século e atualmente funciona principalmente como patrimônio e atração turística.
Por que Corumbá é chamada de Cidade Branca?
Outro apelido tradicional é Cidade Branca.
Nesse caso, a explicação não está relacionada aos casarões históricos.
A denominação está associada à coloração clara do solo da região, rico em calcário, segundo documentos oficiais do município.
O nome Corumbá também possui origem indígena e passou por diferentes formas antes de se consolidar na denominação atual.
Município possui mais de 64 mil km²
Talvez um dos números que mais chamam atenção seja a extensão territorial.
Segundo o IBGE, Corumbá possui atualmente:
- Área territorial: 64.431,145 km²;
- População no Censo 2022: 96.268 habitantes;
- População estimada em 2026: 96.334 habitantes;
- Densidade demográfica: 1,49 habitante por km²;
- Gentílico: corumbaense;
- PIB por habitante: R$ 43.497,63 em 2023.
Corumbá é o maior município em extensão territorial de Mato Grosso do Sul.
Essa enorme área ajuda a explicar por que uma cidade com população próxima de 100 mil habitantes possui densidade demográfica tão baixa.
Boa parte do território está dentro do Pantanal
Corumbá é frequentemente chamada de Capital do Pantanal.
Segundo informações oficiais do município, cerca de 60% do território pantaneiro está dentro dos limites de Corumbá.
A região apresenta um dos ciclos naturais mais característicos do Brasil.
Durante a época das cheias, rios e baías avançam sobre grandes extensões de planície.
Em determinados trechos, o Rio Paraguai pode chegar a apresentar áreas inundadas com até 25 quilômetros de largura durante esse período.
Áreas mais elevadas, conhecidas regionalmente como cordilheiras, permanecem acima das águas e servem de refúgio para animais e rebanhos.
Esse movimento entre períodos de cheia e seca molda a paisagem, a fauna, a economia e o próprio modo de vida pantaneiro.
Estrada Parque atravessa a paisagem pantaneira
Uma das formas de conhecer essa região é pela Estrada Parque Pantanal.
O percurso atravessa áreas naturais, pontes e propriedades rurais e é utilizado para observação da fauna e das paisagens características do bioma.
Entre os animais encontrados na região estão jacarés, capivaras, cervos, araras e diferentes espécies de aves.
O turismo ligado à contemplação da natureza tornou-se uma das atividades associadas à identidade contemporânea de Corumbá.
Corumbá está na fronteira com a Bolívia
Outra característica importante está na localização.
O município faz fronteira internacional com a Bolívia.
Do lado brasileiro está Corumbá. Na região boliviana aparecem cidades como Puerto Quijarro e Puerto Suárez.
O município também possui aeroporto internacional e ligação terrestre com a Bolívia.
Essa proximidade produziu, ao longo do tempo, uma intensa circulação de pessoas, mercadorias, idiomas, alimentos e tradições.
Rio Paraguai conectava Corumbá a outros países
Antes da expansão das rodovias e da aviação, essa integração acontecia principalmente pela água.
Até aproximadamente a metade do século XX, os rios Paraguai, Paraná e da Prata formavam a principal ligação regional.
Essa condição aproximou Corumbá cultural e economicamente dos países da Bacia do Prata.
Documentos municipais apontam que costumes, hábitos e até expressões linguísticas foram influenciados por essa convivência internacional.
É mais uma característica particular de uma cidade brasileira localizada muito mais próxima de algumas localidades bolivianas do que de sua própria capital nacional.
Forte Coimbra antecede a própria fundação da cidade
Outro ponto histórico importante é o Forte Coimbra.
A fortificação foi criada em 1775, três anos antes da fundação de Corumbá, justamente para ajudar Portugal a proteger a região do Rio Paraguai.
O conjunto do Forte Coimbra também é protegido pelo Iphan.
Posteriormente, outras estruturas militares seriam construídas, entre elas o Forte Junqueira, também reconhecido como patrimônio cultural federal.
Isso mostra como defesa territorial e fronteira fazem parte da história de Corumbá desde antes da própria formação urbana.
Em 2026, Corumbá completou 248 anos
No último dia 21 de setembro de 2026, Corumbá completou 248 anos de fundação.
As comemorações destacaram justamente a relação entre o patrimônio histórico, o Rio Paraguai e a cultura pantaneira.
Ao mesmo tempo, o município desenvolve um novo planejamento para fortalecer sua posição como destino turístico ligado ao Pantanal. Em setembro deste ano, foi iniciada a construção coletiva de um novo Plano de Gestão e Marketing Turístico.
Uma cidade moldada pela fronteira, pelo rio e pelo Pantanal
Corumbá nasceu para defender uma fronteira.
Depois, o Rio Paraguai a transformou em entreposto comercial.
A Guerra do Paraguai interrompeu seu crescimento e deixou a cidade sob ocupação estrangeira.
A Retomada permitiu reconstruí-la.
Décadas depois, navios e comerciantes fizeram do Porto Geral um dos centros comerciais mais movimentados da região.
Hoje, a paisagem mudou novamente.
Os grandes armazéns se transformaram em patrimônio, enquanto turismo, mineração, pecuária e serviços convivem com uma das maiores áreas preservadas do Pantanal.
E talvez esteja aí a maior curiosidade de Corumbá: um município com menos de 100 mil moradores ocupa mais de 64 mil km², guarda parte significativa do Pantanal, divide fronteira com outro país e preserva nas margens do Rio Paraguai construções de uma época em que seu porto movimentava negócios internacionais.
Na série Municípios do Brasil, o ClickFato apresenta histórias, curiosidades e características que tornam únicas as cidades brasileiras.
FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Prefeitura de Corumbá; Governo de Mato Grosso do Sul.
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