A atriz e modelo britânica Gabriella Wilde, de 37 anos, revelou que passou a atuar também como doula da morte, função voltada ao acompanhamento de pessoas que estão no fim da vida e de seus familiares.
Wilde contou que começou a se capacitar para esse trabalho paralelamente à carreira artística, enquanto ainda gravava a série Poldark.
Interesse surgiu durante formação em psicoterapia
Segundo a atriz, a decisão começou a tomar forma quando ela iniciou estudos em psicoterapia.
A partir daí, passou a se interessar mais profundamente por temas como luto, mortalidade e a forma como a sociedade lida com a morte.
Ela afirmou que percebeu rapidamente o quanto o assunto costuma ser evitado nas conversas do dia a dia.
O que faz uma doula da morte?
A função é diferente da atuação médica ou de enfermagem.
A doula da morte oferece principalmente apoio emocional, presença e acolhimento à pessoa em processo de terminalidade e também à família.
Entre as atividades que podem fazer parte desse acompanhamento estão:
- escuta e companhia;
- apoio emocional;
- auxílio em conversas difíceis;
- organização de desejos para o fim da vida;
- suporte aos familiares;
- presença durante os momentos finais.
O trabalho não substitui médicos, enfermeiros ou equipes de cuidados paliativos.
“Estar presente” é parte central do trabalho
Gabriella disse que, no início, chegou a sentir a chamada síndrome do impostor, por não saber exatamente o que deveria oferecer às pessoas.
Com a experiência, percebeu que grande parte do trabalho não depende de ações complexas.
Para ela, o essencial é conseguir estar presente de maneira calma e acolhedora.
Em alguns momentos, isso pode significar apenas permanecer ao lado de alguém, conversar ou segurar sua mão para que a pessoa não se sinta sozinha.
Experiência também mudou sua relação com a vida
A atriz afirma que trabalhar tão perto de pessoas em processo de despedida transformou a maneira como ela própria pensa sobre a vida e a morte.
A experiência fez com que passasse a valorizar mais a abertura para conversas sobre finitude, um tema que ainda costuma ser cercado por medo e silêncio.
Profissão também ganha espaço no Brasil
O trabalho das chamadas doulas do fim da vida também vem ganhando visibilidade no Brasil.
A atuação é baseada em suporte não clínico e pode envolver orientação emocional, preparação de rituais de despedida e apoio na comunicação entre pacientes, familiares e equipes de saúde.
Atualmente, a profissão ainda não possui regulamentação específica no país, embora exista um projeto de lei apresentado em 2026 com essa finalidade.
Da televisão para um trabalho pouco conhecido
Gabriella Wilde ficou conhecida por trabalhos em produções como Poldark, Mulher-Maravilha 1984 e Doctor Who.
Agora, paralelamente à carreira como atriz e modelo, ela também se dedica a uma atividade muito diferente dos sets de filmagem.
A escolha chama atenção para uma discussão cada vez mais presente: como oferecer dignidade, acolhimento e companhia também no fim da vida.
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