O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual. Com a decisão, que foi tomada de forma unânime pelos membros do colegiado, o indicador recua de 14,50% para 14,25% ao ano. Este movimento consolida a terceira queda consecutiva na taxa de juros.
A autoridade monetária destacou que o ambiente internacional ainda demanda cautela e monitoramento constante por parte das economias emergentes. O principal fator de incerteza reside na consolidação dos termos para o encerramento dos conflitos armados no Oriente Médio, que têm gerado forte volatilidade nos preços de ativos financeiros e de commodities globais nos últimos meses.
No cenário interno, o anúncio de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã trouxe alívio imediato aos mercados. A diminuição das tensões geopolíticas resultou na desobstrução do Estreito de Ormuz, via crucial para o comércio internacional, provocando a queda no preço do petróleo. O recuo da commodity atenuou a pressão de alta sobre os combustíveis no Brasil, aliviando as projeções inflacionárias.
O desempenho da inflação oficial do país em maio também contribuiu para a decisão do comitê. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma alta de 0,58%, mostrando desaceleração em comparação ao avanço de 0,67% observado no mês anterior. Apesar do indicador recente ser positivo, o Copom ponderou que a inflação cheia e as medidas subjacentes ainda operam acima do limite superior da meta estabelecida.
Atualmente, o Banco Central opera sob o sistema de meta contínua de inflação, cujo centro objetivo está fixado em 3%, com uma margem de tolerância que varia de 1,5% a 4,5%. Como as decisões sobre a taxa Selic demoram entre seis e 18 meses para surtir o efeito pleno na atividade econômica e no controle de preços, a instituição informou que as calibrações atuais já miram o cumprimento das metas para o ano de 2027.
O comitê reforçou o compromisso com a convergência da inflação em direção à meta e ressaltou que os próximos passos dependerão dos dados acumulados. O ritmo de novos cortes e a duração total do ciclo de afrouxamento monetário serão determinados ao longo do tempo, à medida que novos indicadores econômicos e projeções de mercado forem incorporados às análises do Banco Central.