SAÚDE CEREBRAL

Excesso de açúcar é associado a risco 43% maior de demência, aponta estudo

Estudo com mais de 158 mil adultos associou o consumo elevado de açúcares livres a risco 43% maior de demência. Pesquisa acompanhou participantes por quase dez anos e também avaliou fatores genéticos.

Por · · Atualizado: 22/09/2026 19:57
Consumo elevado de açúcares livres foi associado a risco 43% maior de demência em estudo que acompanhou mais de 158 mil adultos por quase dez anos.

O consumo elevado de açúcar, especialmente dos chamados açúcares livres, foi associado a um risco significativamente maior de desenvolver demência em um estudo de grande porte realizado com dados do UK Biobank, no Reino Unido.

A pesquisa acompanhou 158.408 adultos por um período mediano de quase dez anos. Ao comparar os participantes que consumiam mais açúcares livres com aqueles que apresentavam o menor consumo, os pesquisadores encontraram um risco relativo 43% maior de demência no grupo de maior ingestão.

O trabalho foi publicado no periódico científico The Journal of Prevention of Alzheimer's Disease e também investigou como características genéticas poderiam modificar essa associação.

O que são os açúcares livres?

O termo não se limita ao açúcar colocado no café.

Na pesquisa, açúcares livres incluem os monossacarídeos e dissacarídeos adicionados aos alimentos por fabricantes, cozinheiros ou consumidores, além dos açúcares presentes naturalmente em produtos como mel, xaropes e sucos de frutas.

Na prática, eles podem estar presentes em alimentos e bebidas como:

  • refrigerantes e outras bebidas açucaradas;
  • doces e chocolates;
  • bolos, biscoitos e sobremesas;
  • produtos industrializados com açúcar adicionado;
  • mel e xaropes;
  • sucos de frutas.

Isso não significa que consumir ocasionalmente um desses alimentos provoque demência. O estudo avaliou padrões de ingestão ao longo do tempo e encontrou uma associação estatística, não uma relação direta de causa e efeito.

De onde vêm os 43%?

Os pesquisadores dividiram os participantes de acordo com a proporção da alimentação composta por açúcares livres.

No grupo de menor consumo, esses açúcares representavam, em média, cerca de 5,4% da energia diária. No grupo de maior consumo, a média chegava a aproximadamente 19,3%.

Depois de considerar fatores como idade, sexo, atividade física, tabagismo, consumo de álcool, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e histórico familiar de demência, o grupo de maior ingestão apresentou um hazard ratio de 1,43 em comparação com o grupo de menor consumo.

Em termos simplificados, isso corresponde ao número de 43% de risco relativo maior utilizado para resumir o resultado.

O próprio estudo observou que o risco permaneceu relativamente estável até que os açúcares livres representassem aproximadamente 10% da ingestão energética diária. A partir desse nível, a curva de risco começou a aumentar mais rapidamente.

Pesquisa acompanhou mais de 158 mil pessoas

Os participantes tinham idade média próxima de 56 anos no início da pesquisa e faziam parte do UK Biobank, uma grande base de dados utilizada em estudos de saúde no Reino Unido.

A alimentação foi avaliada por meio de registros alimentares de 24 horas preenchidos pela internet.

Durante um acompanhamento mediano de 9,94 anos, foram registrados 1.219 diagnósticos de demência, correspondentes a cerca de 0,7% da população estudada.

Os pesquisadores também encontraram associação entre maior consumo dos chamados açúcares não livres e demência, mas o resultado foi menor: o grupo com maior ingestão apresentou risco relativo cerca de 26% superior ao grupo de menor consumo.

Genética também pode influenciar

Um dos diferenciais do estudo foi avaliar a interação entre alimentação e predisposição genética.

Os cientistas analisaram escores genéticos relacionados ao metabolismo do açúcar, à doença de Alzheimer e a características da microbiota intestinal.

Algumas combinações de maior predisposição genética com alto consumo de açúcar foram associadas a riscos ainda maiores. Os autores destacam, entretanto, que essas análises são complexas e não significam que uma pessoa esteja destinada a desenvolver demência por possuir determinada característica genética.

Estudo não prova que açúcar causa demência

Apesar do tamanho da amostra e do longo acompanhamento, a pesquisa é observacional.

Isso significa que os pesquisadores identificaram uma associação entre maior consumo de açúcar e maior ocorrência de demência, mas o trabalho não permite afirmar que o açúcar, isoladamente, tenha sido responsável pelos casos.

Mesmo com ajustes estatísticos para diferentes condições de saúde e hábitos, outros fatores podem contribuir para os resultados.

Também é importante observar que os participantes do UK Biobank não representam perfeitamente todas as populações, o que limita a generalização dos números para outros países e grupos sociais.

Alimentação na meia-idade pode ter impacto no futuro

O estudo reforça uma linha crescente de pesquisas que busca entender como hábitos mantidos durante a meia-idade podem influenciar a saúde cerebral décadas depois.

Os próprios pesquisadores destacam que reduzir o consumo excessivo de açúcares livres pode fazer parte de estratégias de prevenção de doenças crônicas e de promoção da saúde ao longo da vida.

A demência possui múltiplos fatores de risco, incluindo idade, genética, doenças cardiovasculares e hábitos de vida. Portanto, nenhuma mudança isolada na alimentação garante que a doença será evitada.


Fonte: MSN, EatingWell, UK Biobank, PubMed e The Journal of Prevention of Alzheimer's Disease.


Tags: demência, açúcar, consumo de açúcar, saúde cerebral, Alzheimer, alimentação, açúcares livres, prevenção, saúde, UK Biobank


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