Uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal teria desviado aproximadamente R$ 45 milhões de contas de clientes da Caixa Econômica Federal, incluindo trabalhadores com valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e beneficiários do auxílio emergencial.
As investigações apontam que as contas eram invadidas após a obtenção ilegal de informações pessoais e bancárias. Algumas vítimas teriam perdido recursos destinados a despesas básicas, enquanto integrantes do grupo mantinham uma rotina marcada por viagens, imóveis e veículos de alto valor.
Como funcionava o golpe
De acordo com a apuração, a organização atuava por meio de núcleos instalados no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Um dos grupos seria responsável por conseguir os dados das vítimas e acessar as contas bancárias. Depois da invasão, o dinheiro era transferido para contas controladas pelos investigados ou por pessoas utilizadas para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis.
Outro núcleo cuidava da movimentação e da ocultação dos valores. Parte do dinheiro teria sido convertida em criptomoedas, enquanto uma empresa aberta nas Ilhas Virgens Britânicas era utilizada para tentar manter o patrimônio fora do alcance das autoridades brasileiras.
Beneficiários ficaram sem dinheiro
Entre os clientes prejudicados estavam beneficiários do auxílio emergencial e trabalhadores que possuíam valores depositados em contas relacionadas ao FGTS.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, houve relatos de pessoas que ficaram sem dinheiro para comprar alimentos e medicamentos após as movimentações fraudulentas. O valor total atribuído ao grupo chega a cerca de R$ 45 milhões.
Grupo teria recebido decisão sigilosa
A investigação ganhou um novo desdobramento depois que policiais encontraram, no celular de um dos suspeitos, uma cópia integral da decisão judicial que autorizava medidas contra a própria organização.
O documento estava sob segredo de Justiça e deveria ser acessado apenas por autoridades, investigadores e servidores autorizados. Segundo a apuração, os integrantes do grupo receberam o arquivo antes do cumprimento dos mandados e passaram a apagar dados e tentar proteger o patrimônio.
A Polícia Federal rastreou o caminho digital do documento e passou a investigar a suspeita de que informações protegidas tenham sido repassadas por um servidor da Justiça Federal mediante pagamento. A defesa dos citados no caso nega envolvimento, e a apuração ainda está em andamento.
Operação mobilizou cerca de 120 policiais
Em uma das fases da chamada Operação Infiltrados, aproximadamente 120 policiais federais participaram do cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A ação contou com apoio do Ministério Público Federal e teve como objetivo recolher aparelhos eletrônicos, documentos e outros elementos relacionados às fraudes bancárias e à possível participação de agentes públicos.
Como proteger a conta
A Caixa orienta os clientes a nunca compartilharem senhas, códigos enviados por SMS ou tokens de acesso, mesmo quando a solicitação partir de alguém que se apresente como funcionário do banco.
A instituição também informa que não envia links por SMS para atualização cadastral, desbloqueio de contas ou cadastramento de chaves Pix. Aplicativos devem ser baixados somente nas lojas oficiais dos celulares.
Quem perceber uma movimentação desconhecida deve procurar imediatamente a Caixa, solicitar o bloqueio preventivo dos acessos e registrar a contestação das operações. O banco disponibiliza o SAC pelo telefone 0800 726 0101 e os canais Alô Caixa pelo 4004 0104, nas capitais e regiões metropolitanas, ou 0800 104 0104, nas demais localidades.
Fonte: MSN, Polícia Federal, Band, Fantástico e Caixa Econômica Federal.
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