GUERRA NA UCRÂNIA

Guerra muda de escala: Ucrânia atinge navios russos ligados ao Irã no Mar Cáspio

A Ucrânia afirmou ter atacado embarcações russas utilizadas no transporte de cargas militares entre Rússia e Irã no Mar Cáspio. A ofensiva amplia o alcance dos drones ucranianos e pressiona rotas logísticas distantes da linha de frente.

· Atualizado: 26/07/2026 04:28
Embarcações russas navegam pelo Mar Cáspio, região onde a Ucrânia afirmou ter atacado navios ligados ao transporte de cargas militares entre Rússia e Irã.

A guerra entre Rússia e Ucrânia ganhou um novo capítulo neste sábado (25), após autoridades ucranianas afirmarem que drones atingiram embarcações russas no Mar Cáspio, região localizada a centenas de quilômetros das principais frentes de combate.

Segundo o Serviço de Segurança da Ucrânia, o SBU, os alvos incluíram os navios de carga Port Olya 2 e Begey, que seriam utilizados no transporte de equipamentos militares entre Rússia e Irã.

O governo russo não havia apresentado uma resposta detalhada sobre os ataques até a última atualização das informações. As alegações sobre os alvos e a extensão dos danos também não foram verificadas de maneira independente.

Ucrânia mira rota entre Rússia e Irã

O Mar Cáspio tornou-se uma importante rota logística durante a guerra. Embarcações utilizam portos russos e iranianos para transportar mercadorias, equipamentos industriais e cargas que, segundo governos ocidentais e autoridades ucranianas, podem estar relacionadas ao setor militar.

Rússia e Irã ampliaram sua cooperação desde o começo da invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022. Governos ocidentais acusam Teerã de fornecer drones, tecnologia e outros equipamentos utilizados pelas forças russas.

O Irã já rejeitou ou contestou parte das acusações relacionadas ao fornecimento de armas, enquanto Moscou sustenta que suas relações comerciais e militares obedecem aos interesses estratégicos dos dois países.

Ataque mostra alcance dos drones ucranianos

O episódio chama atenção pela distância entre o Mar Cáspio e o território controlado pela Ucrânia. Kiev vem ampliando o uso de drones de longo alcance contra refinarias, depósitos de combustível, instalações industriais, embarcações e estruturas logísticas localizadas dentro da Rússia.

Na mesma ofensiva, a Ucrânia afirmou ter atingido uma plataforma petrolífera russa no Mar Cáspio e uma refinaria na região da Sibéria. Alguns dos alvos ficam a mais de 700 quilômetros e outros a aproximadamente 2 mil quilômetros do território ucraniano.

A estratégia de Kiev busca dificultar o fornecimento de combustível, equipamentos e recursos usados pelas tropas russas. Os ataques também obrigam Moscou a espalhar sistemas de defesa aérea por uma área territorial muito maior.

Embarcações tornam-se alvos da guerra

Navios militares, petroleiros e cargueiros passaram a ocupar uma posição cada vez mais central no conflito. Ucrânia e Rússia intensificaram ataques contra portos e embarcações nos mares Negro, de Azov e Cáspio.

Kiev afirma que seus ataques têm como objetivo interromper rotas militares e reduzir as receitas utilizadas pela Rússia para financiar a guerra. Moscou, por sua vez, acusa a Ucrânia de colocar em risco a navegação e atacar embarcações civis.

No Mar Negro, a Rússia também afirmou ter atingido um cargueiro que transportava materiais destinados às Forças Armadas ucranianas. Assim como ocorre com parte das declarações feitas por Kiev, a versão russa não pôde ser confirmada de forma independente.

Nova frente aumenta tensão internacional

A presença de cargas relacionadas ao Irã aumenta a dimensão geopolítica do episódio. Um ataque contra rotas que conectam Rússia e Irã pode gerar novas tensões diplomáticas e afetar operações comerciais no Mar Cáspio.

O episódio também mostra que áreas antes consideradas distantes da linha de frente passaram a integrar o mapa de risco da guerra, principalmente com a evolução dos drones de longo alcance utilizados pelos dois países.


Fonte: Estadão


Tags: guerra na Ucrânia, Rússia, Ucrânia, Irã, Mar Cáspio, navios russos, drones ucranianos, conflito internacional

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