Uma onda de incêndios florestais de grandes proporções atingiu a França e a Espanha e provocou uma das maiores operações de retirada de moradores já registradas na Europa. Mais de 300 mil pessoas precisaram deixar suas casas ou locais de hospedagem enquanto as chamas avançavam sobre áreas residenciais, florestas e destinos turísticos.
Os incêndios são alimentados pelas temperaturas elevadas, pela vegetação extremamente seca e pela falta de chuva. A previsão de uma nova onda de calor aumentou a preocupação das autoridades, que temem uma retomada mais intensa das chamas e o surgimento de novos focos. centra a maior parte das retiradas
Na França, mais de 250 mil pessoas foram retiradas preventivamente de áreas ameaçadas pelo fogo. Cerca de 220 mil evacuações ocorreram somente na região de Gironde, no sudoeste do país, onde as chamas avançaram nas proximidades de Bordeaux.
O incêndio iniciado perto da localidade de Saumos, em 22 de julho, consumiu mais de 420 quilômetros quadrados de florestas e vegetação. Pelo menos 240 residências foram destruídas ou danificadas. ombeiros, militares e policiais foram mobilizados para proteger comunidades, retirar moradores e impedir que o fogo alcançasse áreas mais densamente povoadas.
Autoridades também restringiram atividades turísticas em áreas consideradas perigosas. Acampamentos de férias destinados a crianças e pessoas com deficiência foram suspensos em parte de Gironde diante do risco de novos avanços das chamas.
Incêndio criou nuvem capaz de produzir raios
A intensidade do incêndio francês provocou um fenômeno meteorológico raro conhecido como pirocumulonimbus. Trata-se de uma enorme nuvem de tempestade formada pelo calor, pela fumaça e pela umidade liberados durante um incêndio extremo.
A nuvem pode produzir rajadas de vento, alterar repentinamente a direção das chamas e gerar descargas elétricas capazes de iniciar novos focos. Segundo entidades francesas ligadas ao combate a incêndios, um fenômeno desse tipo ainda não havia sido oficialmente registrado no país.
Espanha declara emergência nacional
Na Espanha, dezenas de milhares de moradores foram retirados de comunidades próximas a Madri, Ávila, Castellón e outras regiões afetadas.
O governo espanhol declarou emergência nacional devido à ocorrência simultânea de vários incêndios, às condições meteorológicas desfavoráveis e à necessidade de mobilizar equipes de diferentes administrações públicas.
Foi a primeira vez que o país adotou esse nível de emergência especificamente por causa de incêndios florestais. Com a medida, o Ministério do Interior passou a coordenar diretamente a resposta nacional, a oeste de Madri e na província de Ávila, milhares de moradores foram obrigados a abandonar suas residências. Unidades militares, equipes terrestres, aeronaves e veículos especializados foram enviados para combater os focos.
Embora algumas frentes próximas a Madri tenham sido contidas, autoridades alertaram que pontos ativos ainda exigiam atenção e que o retorno dos moradores depende da avaliação de segurança.
Mais de 300 mil hectares já foram queimados
Estimativas do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais apontam que mais de 300 mil hectares foram atingidos pelo fogo na França e na Espanha durante 2026.
Na França, foram contabilizados mais de 13,5 mil incêndios desde o início do ano, responsáveis pela destruição de aproximadamente 116 mil hectares — o maior número registrado na série histórica moderna do país.
Na Espanha, cerca de 153 mil hectares foram queimados. O total representa aproximadamente seis vezes a área destruída no mesmo período de 2025. Um dos incêndios em Ávila ultrapassou 50 mil hectares, tornando-se um dos maiores já registrados no território espanhol. A União Europeia acionou seu mecanismo de proteção civil para auxiliar os dois países.
Para a França, foram enviados sete aviões e quatro helicópteros disponibilizados por República Tcheca, Croácia, Alemanha, Portugal, Eslováquia, Suécia e Turquia.
A Espanha recebeu seis aviões enviados por Grécia, Itália e Turquia, além de 134 profissionais e 41 veículos mobilizados por Portugal. A União Europeia mantém uma reserva estratégica formada por 22 aviões e cinco helicópteros de combate a incêndios, que pode ser utilizada quando os recursos oferecidos pelos países participantes não forem suficientes.
Especialistas apontam que as ondas de calor, a baixa umidade e a redução das chuvas deixaram grandes áreas da Europa vulneráveis aos incêndios.
Junho foi o mês mais quente já registrado na França, com temperaturas médias 3,8°C acima do normal. O volume de chuva ficou quase 50% abaixo da média histórica. A vegetação que cresceu durante um período de chuvas intensas na primavera secou rapidamente com o calor do verão, criando grande quantidade de material combustível.
A chegada de temperaturas ainda mais elevadas poderá dificultar o trabalho dos bombeiros. Autoridades dos dois países pediram que moradores e turistas acompanhem os alertas oficiais e deixem imediatamente as áreas submetidas a ordens de retirada.