LUTO NAS ARTES

Juarez Machado, artista que levou desenho e mímica à televisão, morre aos 85 anos

Catarinense de Joinville, Juarez Machado construiu carreira internacional de mais de seis décadas e ficou conhecido nacionalmente por unir desenho, humor e mímica na televisão brasileira.

Por · · Atualizado: 07/10/2026 11:09
Conhecido pelo trabalho nas artes visuais, Juarez também teve uma passagem pela televisão brasileira. Instagram: @ juarezmachadooficial / Reprodução

O artista plástico Juarez Machado morreu nesta terça-feira, 6 de outubro, aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro.

A morte foi confirmada pelo Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM), instituição criada pelo próprio artista em sua cidade natal, Joinville, Santa Catarina.

No comunicado inicial, o Instituto não informou a causa da morte.

Juarez deixa uma trajetória de mais de seis décadas marcada pela pintura, desenho, escultura, caricatura, cenografia, fotografia, atuação e uma maneira particular de unir artes visuais e humor.

De Joinville para o mundo

Juarez Machado nasceu em 16 de março de 1941, em Joinville.

Ainda jovem, seguiu para Curitiba, onde estudou artes. Durante a década de 1960, iniciou sua carreira profissional e realizou sua primeira exposição individual em 1964.

Depois, estabeleceu-se no Rio de Janeiro e ampliou sua atuação como pintor, desenhista, ilustrador e chargista.

Seu trabalho chegou também às páginas de importantes jornais brasileiros, entre eles o Jornal do Brasil.

Desenhos ganharam vida na televisão

Foi durante os anos 1970 que Juarez Machado se tornou conhecido por milhões de brasileiros.

O artista participou do Fantástico, da TV Globo, em um quadro no qual combinava desenho e mímica.

Diante das câmeras, ele criava desenhos e depois interagia fisicamente com as próprias ilustrações, usando movimentos e expressões corporais para completar as cenas.

A linguagem inovadora fez com que Juarez fosse considerado um dos pioneiros do desenho de humor na televisão brasileira.

Além do Fantástico, trabalhou em diferentes produções televisivas, criando também cenários, figurinos, vinhetas e outros elementos visuais.

Paris se tornou parte importante da carreira

Na década de 1980, Juarez Machado levou sua produção artística para a Europa.

Ele estabeleceu um ateliê em Montmartre, em Paris, e passou a participar de exposições internacionais.

A mudança ampliou o reconhecimento de seu trabalho fora do Brasil e consolidou uma carreira que alcançaria públicos de diferentes países.

Suas obras ficaram conhecidas pelo uso de cores, pelo humor, pelas situações cotidianas e por composições que frequentemente apresentam movimento e elementos narrativos.

Joinville permaneceu presente em sua trajetória

Mesmo com décadas de atuação internacional, Juarez nunca rompeu a ligação com Joinville.

Entre suas obras presentes na cidade está o mural cerâmico “O Grande Circo”, instalado na entrada do Centreventos Cau Hansen e inaugurado em 1998.

Em 2014, outro importante projeto se tornou realidade: o Instituto Internacional Juarez Machado.

Criado na cidade natal do artista, o espaço preserva e divulga seu legado, além de receber exposições e promover atividades culturais e educativas.

Legado atravessa diferentes formas de arte

Definir Juarez Machado apenas como pintor seria limitar uma carreira marcada justamente pela experimentação.

Ele também atuou como escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador, mímico, designer, cenógrafo, escritor, fotógrafo e ator.

Ao lamentar a morte do artista, o Instituto destacou sua sensibilidade, seu humor e a forma como observava o cotidiano, além da contribuição para levar o nome de Joinville a diferentes países.

A Fundação Catarinense de Cultura também prestou homenagem e destacou a dimensão internacional de sua produção artística.

Juarez Machado deixa uma extensa produção e um legado que permanece presente tanto nas galerias e museus quanto na memória de uma geração que conheceu sua arte através da televisão.


Tags: Juarez Machado, artes, artista plástico, Joinville, Santa Catarina, Fantástico, pintura, cultura, televisão, Instituto Juarez Machado, luto

Compartilhar:

Mais Vistas