Você sabia que a primeira capital de Alagoas não foi Maceió?
Antes da atual capital assumir esse papel, a sede política alagoana ficava em uma cidade histórica localizada entre lagoas, rios e o litoral: Marechal Deodoro.
O município também guarda outra característica que o colocou definitivamente na história nacional.
Foi ali que nasceu, em 5 de agosto de 1827, Manuel Deodoro da Fonseca, militar que liderou a Proclamação da República em 1889 e se tornou o primeiro presidente do Brasil.
Atualmente, Marechal Deodoro tem população estimada em 62.528 habitantes em 2026, segundo o IBGE.
Você sabia que Marechal Deodoro já foi a capital de Alagoas?
A importância política da cidade começou muito antes da República.
O núcleo que deu origem ao atual município começou a se desenvolver ainda no início do século XVII, às margens da Lagoa Manguaba.
Em 1817, com a separação de Alagoas da antiga Capitania de Pernambuco, a então vila tornou-se a sede administrativa da nova capitania.
Assim, o atual município de Marechal Deodoro passou a ser a primeira capital de Alagoas.
A situação durou pouco mais de duas décadas.
Em 1839, a sede do governo foi transferida definitivamente para Maceió, que vinha ganhando importância econômica e estratégica.
A antiga capital tinha outro nome
Durante grande parte de sua história, a cidade não se chamava Marechal Deodoro.
O povoado esteve associado inicialmente à denominação Santa Madalena do Sumaúma.
Em 1636, passou à condição de vila com o nome de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul.
Depois da criação da Capitania de Alagoas, em 1817, a localidade tornou-se conhecida como Alagoas da Lagoa do Sul.
Somente em 1939 recebeu oficialmente o nome atual, em homenagem a Deodoro da Fonseca.
Ou seja: a cidade que hoje leva o nome do primeiro presidente brasileiro já existia havia mais de três séculos quando recebeu essa denominação.
Deodoro da Fonseca nasceu em uma casa que virou museu
A ligação com a história da República continua visível no Centro Histórico.
Deodoro da Fonseca nasceu em uma casa térrea urbana no município em 5 de agosto de 1827.
O imóvel foi preservado e atualmente abriga o Museu Marechal Deodoro da Fonseca.
Depois de seguir carreira militar, Deodoro participou da Guerra do Paraguai, alcançou o posto de marechal e ganhou projeção nacional.
Em 15 de novembro de 1889, liderou o movimento militar que encerrou a Monarquia e proclamou a República.
Tornou-se então chefe do Governo Provisório e, posteriormente, o primeiro presidente da República brasileira.
O primeiro presidente permaneceu pouco tempo no cargo
Apesar da importância histórica, o governo de Deodoro durou pouco.
Ele permaneceu na Presidência até novembro de 1891, quando renunciou em meio a uma grave crise política.
Seu vice, o também alagoano Floriano Peixoto, assumiu o comando do país.
Deodoro morreu em agosto de 1892, menos de três anos depois da Proclamação da República.
Hoje, sua trajetória é um dos principais elementos da identidade histórica do município.
Centro Histórico é protegido pelo Iphan
Marechal Deodoro preserva um conjunto arquitetônico formado por igrejas, conventos, casarões e praças que ajudam a contar diferentes períodos da história de Alagoas.
O conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado pelo Iphan em 2009.
A área de proteção é formada por três núcleos: Centro, Carmo e Taperaguá.
O Iphan destaca que a cidade preserva dois importantes registros da história do urbanismo brasileiro: a forma original de uma praça do período entre 1611 e 1636 e soluções arquitetônicas adaptadas aos diferentes níveis do terreno.
Convento tem origem no século XVII
Entre os principais monumentos está o Convento Franciscano de Santa Maria Madalena.
A origem do conjunto remonta ao século XVII.
Segundo o Iphan, um pequeno convento foi fundado para abrigar 12 religiosos em 1635.
Com a invasão holandesa, os frades deixaram a região e se refugiaram na Bahia.
O convento permaneceu fechado até 1659 e sua construção atual só foi concluída em 1723.
Atualmente, o complexo abriga o Museu de Arte Sacra de Alagoas.
A invasão holandesa deixou marcas na cidade
Marechal Deodoro também está relacionada às disputas entre portugueses e holandeses no Nordeste.
Em 1633, durante o período de ocupação holandesa, a vila foi atacada.
O Iphan registra que aproximadamente 100 casas foram incendiadas e a Igreja Matriz foi destruída.
A cidade acabaria sendo reconstruída e voltaria a crescer com base principalmente na produção de açúcar.
Durante o período colonial, engenhos instalados na região ajudaram a sustentar a economia local.
Até a Família Imperial passou pela antiga capital
Outro edifício importante é o antigo Palácio da Província, atualmente utilizado como sede da Prefeitura.
O prédio foi adquirido em 1836 para funcionar como sede do governo provincial.
Entre 1836 e 1839, foi uma das principais estruturas administrativas de Alagoas.
Mas o imóvel ainda teria outro capítulo histórico.
Em 1860, serviu como hospedagem para integrantes da Família Imperial brasileira durante uma passagem pela região.
Hoje, o mesmo prédio continua sendo utilizado pela administração municipal.
Você sabia que a Praia do Francês também fica em Marechal Deodoro?
Nem toda a fama do município está ligada ao período colonial ou à República.
Marechal Deodoro também abriga uma das praias mais conhecidas de Alagoas: a Praia do Francês.
O próprio nome remete a um período anterior à consolidação portuguesa da região.
Segundo o Iphan, franceses interessados no comércio de pau-brasil frequentavam aquele trecho do litoral e mantinham relações comerciais com povos indígenas Caetés.
Séculos depois, a região se tornou um dos principais destinos turísticos do litoral alagoano.
Lagoa Manguaba moldou a formação da cidade
A geografia também teve papel fundamental.
O núcleo histórico surgiu próximo à Lagoa Manguaba, que durante séculos funcionou como rota de circulação, fonte de alimentos e parte importante da atividade econômica.
O patrimônio protegido pelo Iphan mantém forte relação com essa paisagem lagunar.
O município é banhado pelas lagoas Mundaú e Manguaba, região onde também está a Ilha de Santa Rita, destacada pelo Iphan como a maior ilha lacustre do Brasil.
Assim, Marechal Deodoro reúne em um mesmo território centro histórico, lagoas e litoral.
Município já supera 62 mil habitantes
A cidade contemporânea é bastante diferente daquela antiga capital do século XIX.
Segundo os dados mais recentes do IBGE:
- População no Censo 2022: 60.370 habitantes;
- População estimada em 2026: 62.528 habitantes;
- Área territorial: 340,987 km²;
- Densidade demográfica: 177,05 habitantes por km²;
- Gentílico: deodorense.
Marechal Deodoro também integra atualmente a Região Metropolitana de Maceió.
Uma cidade que perdeu a capital, mas entrou para a história do Brasil
Marechal Deodoro deixou de ser capital em 1839.
À primeira vista, a transferência do governo para Maceió poderia ter reduzido sua importância.
Mas o município acabaria entrando novamente para a história nacional exatamente meio século depois.
Em 1889, um homem nascido naquela antiga capital alagoana liderou o movimento que encerrou a Monarquia e iniciou a República no Brasil.
Hoje, a cidade reúne as duas histórias.
De um lado, igrejas, conventos, praças e edifícios ligados ao período em que comandava politicamente Alagoas.
Do outro, a casa onde nasceu o militar que se tornaria o primeiro presidente brasileiro.
E talvez essa seja a maior curiosidade de Marechal Deodoro: a cidade perdeu o posto de capital de Alagoas, mas acabou dando ao país o homem que se tornaria o primeiro presidente da República.
Na série Municípios do Brasil, o ClickFato apresenta histórias, curiosidades e características que tornam únicas as cidades brasileiras.
FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Prefeitura de Marechal Deodoro.
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