O cantor Netinho, um dos nomes mais importantes da história do axé music, morreu nesta terça-feira, 13 de outubro, aos 60 anos, em Salvador.
O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que atinge o sistema linfático. Segundo informações divulgadas após a morte, o quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
De Santo Antônio de Jesus para os palcos do Brasil
Batizado de Ernesto de Souza Andrade Júnior, Netinho nasceu em Santo Antônio de Jesus, na Bahia, em 12 de julho de 1966.
Ainda criança, mudou-se para Salvador, cidade onde sua relação com a música começou a ganhar força. Aos 14 anos, recebeu o primeiro violão da mãe e aprendeu a tocar de forma autodidata.
Antes da fama, chegou a cursar Engenharia Civil e se apresentava profissionalmente em bares da capital baiana, interpretando MPB e bossa nova.
Banda Beijo levou Netinho ao sucesso
A projeção nacional começou com a Banda Beijo, grupo no qual Netinho se destacou a partir do fim dos anos 1980.
Entre os sucessos daquele período estão músicas como “Beijo na Boca”, “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”.
Em 1990, a Banda Beijo chegou a levar um trio elétrico para a Itália durante a Copa do Mundo, em uma ação que marcou a expansão do axé para além do Brasil.
“Milla” se tornou um dos maiores hits do axé
Depois de seguir carreira solo, Netinho alcançou um dos momentos mais importantes de sua trajetória com “Milla”.
A canção integrou o álbum Netinho ao Vivo!, lançado em 1996, e tornou-se um dos grandes símbolos do axé music dos anos 1990.
O trabalho vendeu mais de 3 milhões de cópias e ajudou a transformar o cantor em um dos artistas brasileiros mais populares daquela década.
Ao longo da carreira, Netinho também realizou turnês internacionais e apresentações em países como Portugal e Estados Unidos.
Cantor enfrentou problemas de saúde nos últimos anos
A saúde de Netinho já havia preocupado fãs anteriormente.
Em 2013, o artista enfrentou graves problemas médicos e passou por cirurgias após sofrer AVCs.
Anos depois, retomou projetos musicais e voltou aos palcos.
Em fevereiro de 2025, recebeu o diagnóstico de câncer no sistema linfático. Em 2026, enfrentou uma recidiva do linfoma não Hodgkin e voltou a ser internado para tratamento.
Nos últimos meses, estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, onde realizava tratamento e chegou a se afastar das redes sociais para concentrar as energias na recuperação.
Despedida será reservada
A família informou que o velório e a cremação serão restritos a familiares e amigos próximos, atendendo a um pedido feito pelo próprio cantor.
A assessoria também pediu respeito à privacidade da família durante o período de despedida.
Artistas como Claudia Leitte, Sarajane e outros nomes da música e do entretenimento publicaram homenagens após a confirmação da morte.
Um nome que ajudou a levar o axé para o país
Netinho fez parte da geração responsável por transformar o axé music em fenômeno nacional durante as décadas de 1980 e 1990.
Sua voz ficou associada ao Carnaval da Bahia, aos trios elétricos e a músicas que continuam sendo lembradas décadas depois de seus lançamentos.
O cantor deixa a filha Bruna Trindade, fruto de seu antigo casamento com a jornalista Mariana Trindade.
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