Motoristas que costumam reduzir a velocidade apenas quando se aproximam de um radar começaram a ser identificados por uma nova tecnologia em funcionamento na BR-101, no Espírito Santo.
O sistema calcula a velocidade média do veículo durante vários quilômetros, em vez de considerar apenas a velocidade registrada no momento em que o automóvel passa diante do equipamento.
A tecnologia foi implantada pela Ecovias Capixaba em cinco radares já existentes na região de Sooretama, no Norte do Espírito Santo, entre os quilômetros 102 e 125 da BR-101.
Como funciona o radar de velocidade média?
O funcionamento é diferente dos radares tradicionais.
Quando o veículo passa pelo primeiro ponto de monitoramento, o sistema registra o momento da passagem. Alguns quilômetros depois, outro equipamento identifica o mesmo veículo.
Como o sistema conhece a distância entre os dois radares e o tempo necessário para percorrer o trecho, é possível calcular a velocidade média mantida pelo motorista durante o percurso.
Assim, mesmo que o condutor passe exatamente pelo radar dentro do limite permitido, poderá ser identificado caso tenha acelerado excessivamente no trecho entre os equipamentos.
É justamente o comportamento conhecido como “efeito canguru”: o motorista freia ao perceber o radar e volta a acelerar logo depois.
Picape atingiu média de 124 km/h onde limite era de 60 km/h
Os primeiros testes mostraram diferenças significativas entre a velocidade registrada nos pontos fixos e aquela mantida durante todo o percurso.
Em um dos casos divulgados, uma picape registrou velocidade média de 124 km/h em um trecho com limite de 60 km/h.
Mesmo assim, o veículo havia passado pelos pontos de radar sem registrar velocidade acima do limite naquele exato momento.
O caso mostrou justamente a capacidade da tecnologia de identificar motoristas que reduzem perto do equipamento e depois voltam a acelerar.
Cerca de 10% estavam acima do limite
Durante uma operação educativa realizada pela Ecovias Capixaba em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 51 motoristas foram abordados após o monitoramento por velocidade média.
A ação ocorreu no contexto da campanha Maio Amarelo e teve finalidade exclusivamente educativa.
Dados divulgados posteriormente indicaram que aproximadamente 10% dos veículos monitorados estavam acima do limite quando considerada a velocidade média do percurso.
Entre aqueles identificados em excesso de velocidade, mais da metade trafegava com média superior a 50% do limite permitido, segundo a reportagem do Tempo Novo.
Radar de velocidade média já está multando?
Não pela velocidade média.
Embora a tecnologia já consiga calcular a velocidade dos veículos ao longo do percurso, o projeto existente na BR-101 tem caráter educativo.
Segundo a Ecovias Capixaba, o sistema é usado para ações de conscientização e segurança viária. A fiscalização baseada exclusivamente na velocidade média ainda depende de regulamentação específica para aplicação de penalidades no Brasil.
Isso não significa que os radares do trecho deixaram de multar.
Os radares convencionais continuam funcionando normalmente. Portanto, se um veículo for flagrado acima da velocidade permitida no próprio ponto fiscalizado por equipamento homologado, a autuação pode ser emitida pelas regras já existentes.
Cinco radares participam do projeto
A Ecovias não precisou instalar cinco equipamentos totalmente novos.
Os cinco radares já existentes entre os quilômetros 102 e 125 passaram a contar com tecnologia capaz de cruzar as leituras e calcular o tempo gasto pelos veículos entre diferentes pontos.
O trecho atravessa a região da Reserva Biológica de Sooretama, área de grande importância ambiental e com circulação de animais silvestres.
Em parte desse percurso, o limite é de 60 km/h justamente em razão das condições da via e da necessidade de proteção da fauna.
Tecnologia pode chegar a outras rodovias
A experiência no Espírito Santo não é isolada.
A EcoRodovias vem ampliando testes e projetos de monitoramento por velocidade média em diferentes concessões. Segundo informações divulgadas em agosto, a empresa pretende superar 70 quilômetros de rodovias monitoradas ainda em 2026.
Há iniciativas relacionadas às concessões Capixaba, Minas Goiás, Araguaia, Ponte, Leste Paulista e Norte Minas.
Um dos projetos mais antigos funciona desde 2022 em trecho da BR-050, em Minas Gerais.
O que muda para o motorista?
Por enquanto, a mudança é principalmente educativa.
O sistema demonstra que a tecnologia já permite saber se o motorista respeitou a velocidade durante um trecho inteiro — e não somente diante do radar.
Caso esse modelo seja regulamentado futuramente para fiscalização, simplesmente frear antes do radar e acelerar logo depois deixaria de evitar uma eventual autuação.
Independentemente da tecnologia utilizada, a orientação continua sendo manter a velocidade dentro do limite durante todo o percurso, especialmente em áreas com travessia de animais, curvas ou maior risco de acidentes.
Fonte: Portal Tempo Novo e Ecovias Capixaba.
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