AVANÇO NA SAÚDE

Primeiro exame de sangue para Alzheimer com registro na Anvisa chega ao Brasil por cerca de R$ 3 mil

Teste começou a ser oferecido em Porto Alegre e mede a proteína p-tau217, biomarcador associado às alterações cerebrais do Alzheimer. Exame é indicado para pessoas com sintomas e suspeita clínica, não para rastreamento da população.

Por · · Atualizado: 16/10/2026 15:01
Novo exame de sangue com registro na Anvisa mede a proteína p-tau217 e pode auxiliar na investigação de pacientes com suspeita de Alzheimer.

Um novo exame de sangue destinado a auxiliar na investigação da doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil.

O teste é o primeiro do tipo disponibilizado no país com registro específico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e começou a ser realizado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

O custo estimado na rede privada é de aproximadamente R$ 3 mil.

Exame mede proteína associada ao Alzheimer

A tecnologia analisa no sangue a proteína p-tau217.

Esse biomarcador está associado a alterações características observadas no cérebro de pessoas com Alzheimer, incluindo processos relacionados ao acúmulo de beta-amiloide.

A análise pode ajudar médicos a determinar se as queixas cognitivas de um paciente estão associadas aos processos biológicos típicos da doença.

Quem pode fazer?

O exame não foi desenvolvido para check-up de pessoas sem sintomas.

A indicação é principalmente para pacientes acima de 50 anos que já apresentam alterações cognitivas e estão passando por investigação médica.

Entre os sinais que podem levar à avaliação estão:

  • perda de memória recente;
  • repetição frequente de perguntas;
  • dificuldade para realizar atividades habituais;
  • alterações de orientação;
  • dificuldades de linguagem ou raciocínio.

A solicitação precisa ser feita por médico.

Resultado positivo não fecha diagnóstico sozinho

Apesar do avanço, o resultado não substitui a avaliação médica completa.

Um teste positivo indica presença de biomarcadores associados à doença, mas precisa ser interpretado juntamente com histórico clínico, testes cognitivos e outros exames.

Isso significa que o exame não deve ser utilizado isoladamente para afirmar que uma pessoa tem Alzheimer.

Pode reduzir necessidade de exames mais invasivos

Até recentemente, a confirmação de alterações biológicas associadas ao Alzheimer dependia principalmente de métodos como:

  • punção lombar para coleta do líquido cefalorraquidiano;
  • PET amiloide;
  • exames de imagem e avaliação neuropsicológica.

O teste de sangue pode reduzir a necessidade de alguns desses procedimentos em determinados pacientes.

Ainda não está disponível no SUS

Neste primeiro momento, o exame é oferecido de forma particular.

Ainda não existe incorporação ao Sistema Único de Saúde.

Há interesse em ampliar o acesso futuramente, inclusive por meio de parcerias e avaliação para inclusão em outros serviços, mas ainda não há uma data definida.

Diagnóstico precoce ganha importância

O avanço dos exames ocorre em um momento em que o diagnóstico precoce das demências ganha cada vez mais importância.

Estimativas discutidas pelo Conselho Nacional de Saúde indicam que milhões de brasileiros vivem com demência e grande parte ainda não possui diagnóstico.

Quanto mais cedo os sintomas são investigados, maiores são as possibilidades de planejamento de cuidados e acompanhamento adequado.


Tags: Alzheimer, exame de sangue, Anvisa, p-tau217, demência, saúde, diagnóstico, Hospital Moinhos de Vento, neurologia


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