Um novo exame de sangue destinado a auxiliar na investigação da doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil.
O teste é o primeiro do tipo disponibilizado no país com registro específico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e começou a ser realizado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
O custo estimado na rede privada é de aproximadamente R$ 3 mil.
Exame mede proteína associada ao Alzheimer
A tecnologia analisa no sangue a proteína p-tau217.
Esse biomarcador está associado a alterações características observadas no cérebro de pessoas com Alzheimer, incluindo processos relacionados ao acúmulo de beta-amiloide.
A análise pode ajudar médicos a determinar se as queixas cognitivas de um paciente estão associadas aos processos biológicos típicos da doença.
Quem pode fazer?
O exame não foi desenvolvido para check-up de pessoas sem sintomas.
A indicação é principalmente para pacientes acima de 50 anos que já apresentam alterações cognitivas e estão passando por investigação médica.
Entre os sinais que podem levar à avaliação estão:
- perda de memória recente;
- repetição frequente de perguntas;
- dificuldade para realizar atividades habituais;
- alterações de orientação;
- dificuldades de linguagem ou raciocínio.
A solicitação precisa ser feita por médico.
Resultado positivo não fecha diagnóstico sozinho
Apesar do avanço, o resultado não substitui a avaliação médica completa.
Um teste positivo indica presença de biomarcadores associados à doença, mas precisa ser interpretado juntamente com histórico clínico, testes cognitivos e outros exames.
Isso significa que o exame não deve ser utilizado isoladamente para afirmar que uma pessoa tem Alzheimer.
Pode reduzir necessidade de exames mais invasivos
Até recentemente, a confirmação de alterações biológicas associadas ao Alzheimer dependia principalmente de métodos como:
- punção lombar para coleta do líquido cefalorraquidiano;
- PET amiloide;
- exames de imagem e avaliação neuropsicológica.
O teste de sangue pode reduzir a necessidade de alguns desses procedimentos em determinados pacientes.
Ainda não está disponível no SUS
Neste primeiro momento, o exame é oferecido de forma particular.
Ainda não existe incorporação ao Sistema Único de Saúde.
Há interesse em ampliar o acesso futuramente, inclusive por meio de parcerias e avaliação para inclusão em outros serviços, mas ainda não há uma data definida.
Diagnóstico precoce ganha importância
O avanço dos exames ocorre em um momento em que o diagnóstico precoce das demências ganha cada vez mais importância.
Estimativas discutidas pelo Conselho Nacional de Saúde indicam que milhões de brasileiros vivem com demência e grande parte ainda não possui diagnóstico.
Quanto mais cedo os sintomas são investigados, maiores são as possibilidades de planejamento de cuidados e acompanhamento adequado.
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