O penteado de Erling Haaland, atacante da seleção da Noruega, voltou a chamar atenção durante a Copa do Mundo de 2026 e também levantou uma dúvida entre torcedores e internautas: prender o cabelo sempre muito apertado pode provocar queda dos fios?
A resposta é sim, mas não da forma como muita gente imagina. Segundo especialistas, penteados com tração constante, como rabo de cavalo muito puxado, coques firmes e tranças apertadas, podem levar a um quadro chamado alopecia por tração.
Esse problema acontece quando há força repetida sobre os fios e o couro cabeludo, causando dano mecânico nos folículos pilosos. Os primeiros sinais costumam incluir dor, sensibilidade, vermelhidão, quebra dos fios e afinamento gradual da linha frontal do cabelo, especialmente na testa e nas têmporas.
Quando identificado no início, o quadro costuma ser reversível. No entanto, se a tração for mantida por muito tempo, pode haver cicatrização do folículo e perda definitiva dos fios em determinadas áreas.
Alopecia por tração não é a mesma coisa que calvície genética
Apesar de ambas levarem à queda de cabelo, a alopecia por tração é diferente da chamada alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície genética.
Na alopecia por tração, a principal causa é externa: o hábito de prender o cabelo de forma repetida e muito apertada. Já a calvície genética está ligada à predisposição hereditária e à sensibilidade dos folículos a hormônios como a DHT, substância derivada da testosterona.
Na prática, isso significa que uma pessoa pode sofrer queda de cabelo por tração mesmo sem tendência à calvície genética. Da mesma forma, alguém com predisposição hereditária pode desenvolver afinamento capilar independentemente do penteado que usa.
Como a calvície genética age nos fios
Na alopecia androgenética, os folículos sensíveis à DHT passam por um processo chamado miniaturização. Com isso, os fios nascem cada vez mais finos, curtos e menos visíveis ao longo do tempo.
Esse processo costuma ser gradual e não depende necessariamente de alterações hormonais detectadas em exames. Em muitos casos, o fator decisivo é a herança genética, que pode vir tanto do lado materno quanto do lado paterno da família.
Por isso, a simples presença do hormônio no organismo não significa, sozinha, que a pessoa ficará calva. O que pesa é a sensibilidade genética do folículo à ação hormonal.
Mitos sobre queda de cabelo ainda confundem muita gente
A discussão em torno do penteado de Haaland também reacendeu dúvidas comuns sobre queda de cabelo. Especialistas lembram que muitos mitos continuam circulando, como a ideia de que usar boné provoca calvície, lavar o cabelo todos os dias aumenta a queda ou raspar a cabeça faz o fio crescer mais forte.
Essas afirmações não têm comprovação científica para a calvície genética. Em geral, hábitos como secador muito quente, química excessiva ou tração constante podem enfraquecer os fios ou favorecer quedas temporárias, mas não são a causa direta da calvície hereditária.
Quando procurar ajuda médica
Quem percebe afinamento progressivo, falhas, quebra excessiva ou sensibilidade no couro cabeludo deve procurar avaliação com dermatologista. O diagnóstico correto é importante para diferenciar alopecia por tração, calvície genética, dermatites e outras causas de queda capilar.
Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de preservar os folículos e evitar perda definitiva dos fios.
Fonte:
g1