JUSTIÇA

Renato Cariani pode pegar até 51 anos de prisão? MP pede condenação por tráfico e lavagem de dinheiro; defesa reage

Ministério Público pede condenação de Renato Cariani por tráfico de insumos químicos, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Influenciador nega acusações e responde em liberdade.

Por · · Atualizado: 29/10/2026 12:01
Ministério Público de São Paulo pediu a condenação do influenciador Renato Cariani por tráfico de insumos químicos, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro; empresário nega as acusações e responde ao processo em liberdade.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do influenciador fitness e empresário Renato Cariani, de 50 anos, pelos crimes de tráfico de matérias-primas destinadas à fabricação de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. O pedido foi apresentado nas alegações finais de um processo que investiga o suposto desvio de toneladas de produtos químicos para o narcotráfico.

A manifestação foi protocolada em 21 de outubro de 2026 e ganhou repercussão nacional na quarta-feira (28), quando novos detalhes das acusações foram divulgados.

Segundo o Ministério Público, um esquema envolvendo empresas do setor químico teria desviado mais de 12 toneladas de substâncias utilizadas na preparação e adulteração de cocaína e crack, além de movimentar aproximadamente R$ 2,4 milhões em operações suspeitas de lavagem de dinheiro.

O caso também envolve outros dois acusados, Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, apontados pela Promotoria como participantes das operações investigadas.

Renato Cariani responde ao processo em liberdade e ainda não foi condenado. Sua defesa nega qualquer participação em atividades criminosas e afirma confiar na absolvição.

Ministério Público pede condenação após investigação sobre desvio de produtos químicos

O pedido foi apresentado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público paulista.

O documento possui 269 páginas e reúne os argumentos finais da acusação depois da produção de provas ao longo da ação penal.

O processo tramita na 3ª Vara Criminal de Diadema, na Grande São Paulo, e está relacionado à Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023.

Segundo os promotores, o esquema teria utilizado a estrutura de empresas autorizadas a comercializar produtos químicos controlados para realizar operações fraudulentas.

A acusação sustenta que substâncias adquiridas e comercializadas legalmente teriam sido desviadas para terceiros envolvidos na preparação de drogas ilícitas.

Entre os materiais mencionados na investigação estão lidocaína, fenacetina, acetona e outros produtos químicos sujeitos à fiscalização.

A comercialização dessas substâncias pode ser legal quando realizada nas condições autorizadas. O que está sendo questionado é a suposta destinação irregular de parte dos produtos.

Investigação aponta desvio de mais de 12 toneladas de insumos

Um dos números que mais chamam atenção é o volume de materiais supostamente desviados.

De acordo com o Gaeco, os envolvidos teriam fornecido mais de 12 toneladas de produtos químicos destinados à preparação e adulteração de entorpecentes.

A acusação aponta aproximadamente 59 operações comerciais consideradas fraudulentas.

Essas movimentações teriam ocorrido ao longo de vários anos, envolvendo empresas sediadas em Diadema.

O Ministério Público sustenta que as transações foram registradas de maneira a ocultar os verdadeiros destinatários das substâncias.

A investigação também identificou documentos fiscais que, segundo os promotores, não correspondiam a vendas efetivamente realizadas para as empresas indicadas.

Entretanto, as conclusões apresentadas fazem parte da acusação e ainda precisam ser avaliadas definitivamente pela Justiça.

Notas fiscais teriam utilizado nomes de grandes empresas

Outro ponto central da investigação envolve a suposta utilização indevida de nomes de companhias do setor farmacêutico e químico.

Segundo o Ministério Público, operações foram registradas como se os produtos tivessem sido vendidos para empresas como:

  • AstraZeneca: companhia farmacêutica internacional.
  • Cloroquímica: empresa do setor químico.
  • LBS Laborasa: companhia mencionada entre as supostas destinatárias dos insumos.

As empresas teriam negado a realização das compras atribuídas a elas.

A acusação afirma que documentos fiscais e registros financeiros foram utilizados para dar aparência de regularidade às operações.

Os pagamentos também teriam sido realizados por intermediários, com depósitos em espécie nas contas de empresas investigadas.

O Ministério Público sustenta que essas práticas ajudariam a ocultar a origem e a destinação dos recursos movimentados.

Mais de R$ 2,4 milhões são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro

Além dos crimes relacionados ao fornecimento de produtos químicos, o processo também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro.

Segundo os promotores, as operações investigadas teriam movimentado aproximadamente R$ 2,4 milhões em valores que a acusação considera relacionados às atividades ilícitas.

Relatórios de inteligência financeira também apontaram depósitos em espécie que, na avaliação do Ministério Público, precisariam ser explicados diante da documentação comercial apresentada.

A Promotoria afirma que parte dos pagamentos teria sido realizada por terceiros, enquanto os registros indicavam empresas farmacêuticas como responsáveis pelas transações.

A hipótese investigada é que esses procedimentos fossem utilizados para dissimular a origem de recursos obtidos por meio das operações questionadas.

A defesa contesta essa interpretação e nega que Renato Cariani tenha participado conscientemente de qualquer esquema criminoso.

Cariani pode receber pena de até 51 anos de prisão?

A possibilidade de uma pena elevada ganhou destaque após a divulgação das alegações finais.

Segundo estimativas jurídicas apresentadas na imprensa, uma eventual condenação por todos os crimes atribuídos ao influenciador poderia resultar em penas somadas que variariam de aproximadamente 16 anos e quatro meses a 51 anos e oito meses.

O cálculo considera as acusações de associação para o tráfico, tráfico de matérias-primas destinadas à produção de drogas e lavagem de dinheiro, incluindo a possibilidade de reconhecimento de múltiplas infrações.

O Ministério Público também pediu a aplicação de regime inicial fechado, caso haja condenação nos termos defendidos pela acusação.

Entretanto, é necessário esclarecer três pontos importantes.

Primeiro, não existe condenação judicial contra Cariani nesse processo até o momento.

Segundo, a estimativa de até 51 anos não representa uma pena determinada pela Justiça. A eventual dosimetria dependerá do reconhecimento dos crimes, da forma de concurso de infrações e das circunstâncias examinadas pelo juízo.

Terceiro, a legislação brasileira estabelece limites para o tempo efetivo de cumprimento de penas privativas de liberdade, que não devem ser confundidos com a soma das condenações aplicadas.

Portanto, não é correto afirmar que Renato Cariani já foi condenado ou que exista uma ordem de prisão para cumprimento dessa pena.

Ministério Público pediu prisão imediata do influenciador?

As notícias sobre o caso provocaram dúvidas depois que algumas chamadas utilizaram a expressão pedido de prisão.

O que foi confirmado nas alegações finais é o pedido de condenação criminal, com aplicação de regime inicial fechado caso a Justiça acolha a acusação.

Isso é diferente de uma ordem de prisão preventiva ou de uma determinação judicial para prender imediatamente o investigado.

Até esta quinta-feira (29 de outubro), as informações verificadas indicam que Cariani continua respondendo ao processo em liberdade.

Não foi confirmada a existência de nova decisão judicial determinando sua prisão.

A possibilidade de cumprimento de pena dependerá das futuras decisões da Justiça e das regras processuais aplicáveis.

Defesa de Renato Cariani nega acusações e espera absolvição

Após a divulgação do pedido de condenação, a defesa de Renato Cariani se manifestou publicamente.

O advogado Aldo Romani Netto afirmou que a manifestação do Ministério Público era esperada, considerando que o órgão sustenta a acusação desde o início da ação penal.

Em nota, os representantes do influenciador informaram que apresentarão argumentos destinados a contestar as conclusões da Promotoria.

A defesa sustenta que as provas produzidas ao longo do processo demonstrarão a improcedência das acusações.

Os advogados também afirmaram confiar em uma análise imparcial dos elementos reunidos durante a investigação e esperam que o resultado seja a absolvição de Cariani.

Empresário afirma que empresa foi vítima de fraude interna

Ao longo da investigação, Renato Cariani também apresentou uma explicação para as irregularidades apontadas nas operações comerciais.

Segundo a versão defendida pelo empresário, a empresa Anidrol teria sido vítima de uma fraude praticada por pessoas que utilizaram sua estrutura sem autorização ou conhecimento dos sócios.

A defesa argumenta que as operações questionadas representam uma parcela pequena do volume total de transações realizadas pela companhia.

De acordo com os argumentos apresentados no processo, aproximadamente 60 documentos fiscais foram investigados em um universo de mais de 85 mil notas emitidas pela empresa durante o período analisado.

Os representantes de Cariani sustentam que a existência de transações fraudulentas não comprovaria automaticamente a participação consciente do influenciador.

O Ministério Público, por outro lado, afirma ter reunido mensagens, registros financeiros e outros elementos que indicariam conhecimento e participação do empresário nas operações investigadas.

Essas versões conflitantes serão analisadas pela Justiça antes da sentença.

Outros dois acusados também podem ser condenados

O pedido apresentado pelo Gaeco não envolve exclusivamente Renato Cariani.

A Promotoria também solicitou a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.

Segundo a acusação, Fábio teria atuado na intermediação das operações com produtos químicos.

Rodrigo, por sua vez, é apontado como participante de movimentações financeiras relacionadas aos pagamentos investigados.

Ambos contestam as acusações.

No caso de Rodrigo, a defesa sustenta que ele realizava depósitos por orientação de seu empregador, sem conhecimento de eventual finalidade criminosa.

O Ministério Público deverá ter seus argumentos confrontados com as manifestações dos acusados antes de uma decisão definitiva.

Promotoria pede absolvição de duas mulheres investigadas

Um detalhe relevante das alegações finais é que o próprio Ministério Público solicitou a absolvição de duas pessoas que também haviam sido incluídas no processo.

Segundo a apuração divulgada, o Gaeco pediu a absolvição de:

  • Roseli Dorth: sócia de Cariani na empresa Anidrol.
  • Andreia Domingues Ferreira: esposa de Fábio Spínola Mota.

Os promotores consideraram que as provas disponíveis não eram suficientes para demonstrar a participação consciente das duas nas atividades criminosas atribuídas aos demais réus.

O pedido de absolvição, assim como os pedidos de condenação, ainda depende da análise judicial.

Como começou a investigação contra Renato Cariani?

O caso ganhou repercussão nacional em dezembro de 2023, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Hinsberg.

A investigação apurava suspeitas de desvio de produtos químicos que poderiam ser utilizados na preparação de drogas.

Renato Cariani, conhecido por seus vídeos sobre musculação, treinamento físico e estilo de vida fitness, foi um dos investigados.

O trabalho da Polícia Federal envolveu a análise de operações comerciais, notas fiscais, movimentações financeiras e registros de empresas ligadas aos envolvidos.

Em fevereiro de 2024, a Justiça recebeu a denúncia apresentada contra o influenciador, que passou oficialmente à condição de réu.

Desde então, o processo avançou pelas etapas de apresentação de provas, manifestações das partes e instrução judicial.

A novidade divulgada agora é o encerramento da manifestação da acusação, com o pedido formal de condenação.

O que acontece agora com o processo?

O processo entrou na etapa de alegações finais da defesa.

Nessa fase, os advogados poderão apresentar sua análise das provas, contestar os argumentos do Ministério Público e requerer a absolvição dos acusados.

Segundo as informações divulgadas, as defesas receberam um prazo comum de 30 dias para apresentar suas manifestações.

A determinação foi assinada pela juíza Andrea Coppola Brião, responsável pelo caso na 3ª Vara Criminal de Diadema.

Depois do encerramento dessa etapa, o processo poderá ser encaminhado para julgamento.

Caberá à Justiça avaliar se os elementos apresentados são suficientes para reconhecer a prática dos crimes imputados aos réus.

O resultado poderá ser uma condenação, absolvição ou outra decisão juridicamente cabível, conforme a análise do conjunto probatório.

Eventuais decisões também estarão sujeitas aos recursos previstos na legislação.

Caso ganha repercussão nacional após pedido do Ministério Público

O novo capítulo da investigação voltou a colocar Renato Cariani no centro das notícias sobre celebridades e Justiça.

O influenciador possui milhões de seguidores nas redes sociais e é conhecido por conteúdos sobre musculação, alimentação e atividades físicas.

A repercussão aumentou devido à quantidade de produtos químicos mencionada na acusação, aos valores financeiros investigados e à possibilidade de penas elevadas caso a Justiça reconheça os crimes.

Entretanto, a apresentação das alegações finais pelo Ministério Público ainda não encerra o processo.

O MP-SP pediu a condenação de Renato Cariani por tráfico de insumos químicos, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, mas o influenciador nega as acusações e permanece em liberdade.

A próxima etapa será a manifestação dos advogados de defesa, antes da decisão judicial sobre o caso.


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