O avanço do El Niño em 2026 acendeu um alerta entre pesquisadores e organismos internacionais diante da possibilidade de um episódio de intensidade muito elevada durante o segundo semestre.
O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar a circulação da atmosfera, influenciando as temperaturas e a distribuição das chuvas em diferentes partes do planeta.
A expressão “Super El Niño” vem sendo utilizada para se referir à possibilidade de um evento extremamente forte. As classificações oficiais mais recentes indicam que o fenômeno já está presente e deve continuar ganhando intensidade até o final do ano.
NOAA aponta chance elevada de El Niño muito forte
O Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, informou em atualização publicada em julho que o El Niño está ativo.
Segundo o órgão, existe 81% de possibilidade de o fenômeno alcançar intensidade classificada como muito forte entre outubro e dezembro de 2026. A NOAA também estima uma probabilidade de 97% de permanência do El Niño até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.
A Organização Meteorológica Mundial já havia alertado que as temperaturas elevadas no Pacífico estavam favorecendo o desenvolvimento do fenômeno. A organização indicou 80% de probabilidade de El Niño entre junho e agosto, com chances próximas ou superiores a 90% de continuidade pelo menos até novembro.
O que pode acontecer no Brasil?
Os efeitos do El Niño não são iguais em todo o país. A intensidade e a localização dos eventos dependem também de outros fatores, como frentes frias, temperatura do Oceano Atlântico, umidade do solo e condições atmosféricas regionais.
Mesmo assim, pesquisadores alertam para o aumento do risco de chuvas torrenciais, estiagens prolongadas, ondas de calor, enchentes e erosão costeira em um planeta que já apresenta temperaturas médias mais elevadas.
Sul pode ter chuva acima da média
Historicamente, episódios de El Niño favorecem a ocorrência de chuvas mais frequentes e intensas na Região Sul.
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem enfrentar períodos de chuva persistente, temporais, alagamentos, enchentes e deslizamentos. Áreas próximas a rios e encostas exigem atenção especial durante episódios de precipitação acumulada.
Isso não significa que todos os municípios serão atingidos da mesma maneira, mas aumenta a necessidade de acompanhamento dos alertas meteorológicos e dos comunicados da Defesa Civil.
Amazônia pode enfrentar seca e calor
Na Região Norte, especialmente em áreas da Amazônia, o comportamento costuma ser diferente. O El Niño pode reduzir a quantidade de chuva e favorecer períodos de seca severa.
Entre os possíveis impactos estão a diminuição do nível dos rios, dificuldades no transporte fluvial, problemas no abastecimento de comunidades e maior risco de incêndios florestais.
Comunidades ribeirinhas podem ser particularmente afetadas, já que dependem dos rios para deslocamento, alimentação, atendimento médico e acesso a produtos básicos.
Litoral brasileiro preocupa pesquisadores
As cidades costeiras também aparecem entre as áreas mais vulneráveis. Chuvas intensas, ressacas, elevação temporária do nível do mar e erosão podem afetar praias, avenidas, moradias e estruturas próximas à costa.
Pesquisadores destacam que a urbanização intensa e a perda de ambientes naturais, como manguezais, dunas e restingas, reduziram a capacidade de algumas regiões de absorver os impactos de tempestades e do avanço do mar.
Preparação deve começar antes dos eventos extremos
Especialistas defendem o reforço dos sistemas de monitoramento, a limpeza de redes de drenagem, o mapeamento de áreas vulneráveis e a atualização dos planos municipais de emergência.
Também são recomendadas medidas de recuperação ambiental, como a preservação de matas ciliares, manguezais, áreas úmidas e vegetação costeira.
Embora o El Niño aumente a probabilidade de determinados eventos, não é possível afirmar com grande antecedência onde ocorrerá cada temporal, seca ou onda de calor. Alertas de curto prazo emitidos por órgãos meteorológicos continuam sendo fundamentais para orientar a população.
Fonte: CNN Brasil, Organização Meteorológica Mundial e NOAA.
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