CLIMA

El Niño está oficialmente formado e cientistas alertam para risco de intensidade recorde

Agência climática dos EUA confirma o estabelecimento do fenômeno no Pacífico; no Brasil, os efeitos devem atingir o pico entre novembro e janeiro, trazendo risco de enchentes no Sul e seca no Norte.

· Atualizado: 12/06/2026 16:36
Monitoramento global por satélite exibe manchas avermelhadas no Oceano Pacífico Equatorial, indicando a elevação da temperatura da água e a consolidação do fenômeno El Niño. (Foto: ClickFato/IA)

O mistério acabou, mas a preocupação global apenas começou. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente a formação do El Niño. O fenômeno climático natural, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, já está estabelecido e deve ganhar ainda mais força nos próximos meses, intensificando-se durante o inverno do Hemisfério Norte (entre o fim de 2026 e o início de 2027).

A confirmação já era amplamente esperada por meteorologistas após meses de aquecimento gradual nas águas oceânicas. Em maio, os modelos já indicavam 82% de probabilidade para o evento. Agora, os cientistas mudaram o foco do debate: a dúvida não é mais se o El Niño vai acontecer, mas o quão forte ele será.

De acordo com o boletim oficial da agência, existe uma chance de 63% de que este El Niño se torne um evento de intensidade "muito forte", o que tem potencial para colocá-lo na lista dos maiores registros climáticos observados no planeta desde 1950.


Entenda o Fenômeno (ENOS)


O El Niño e a La Niña são duas fases opostas do mesmo sistema climático, conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño se configura quando as águas do Pacífico equatorial registram temperaturas $0,5^\circ\text{C}$ (ou mais) acima da média histórica. O fenômeno costuma aparecer em intervalos de dois a sete anos, dura cerca de doze meses e tem impacto direto na elevação da temperatura média global do planeta. A La Niña faz o caminho inverso, promovendo o resfriamento dessas mesmas águas.


Os impactos esperados para o Brasil

Os efeitos do El Niño variam de acordo com a região e a estação do ano, mas o período mais crítico (o chamado "pico" do fenômeno) está previsto para acontecer entre novembro e janeiro.


Historicamente, o Brasil sente os impactos de forma muito dividida e severa:

  • Região Sul: Tendência de chuvas muito acima da média, o que eleva drasticamente o risco de temporais, enchentes e cheias de rios.
  • Regiões Norte e Nordeste: Cenário oposto, com sério risco de secas prolongadas, redução drástica nos volumes de chuva e queimadas.
  • Demais regiões: Temperaturas médias consideravelmente mais altas e abafadas.


Satélites de monitoramento global já registraram variações significativas no nível do mar nas últimas semanas. As manchas avermelhadas concentradas no Pacífico equatorial demonstram a expansão térmica da água — um sinal físico claro de que o oceano está acumulando calor e que o clima global passará por fortes transformações nos próximos meses.

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