PREÇO NA BOMBA

Gasolina passa de US$ 4 e EUA recorrem à Malásia - mas carga não é o que parece

EUA buscam ampliar a oferta após gasolina atingir US$ 4,06 por galão; carga de 540 mil barris da Malásia é insumo para refinarias.

Por · · Atualizado: 18/08/2026 17:23
Navio-tanque chega a terminal de refino com bomba de combustível em primeiro plano. Imagem ilustrativa gerada por IA para o ClickFato.

Os Estados Unidos recorreram a um fornecedor distante para tentar reforçar a produção de combustíveis em meio à gasolina acima de US$ 4 por galão. Uma carga com mais de 540 mil barris saiu da Malásia rumo à Costa Oeste americana, num movimento raro que ganhou importância diante da pressão sobre as refinarias e do aumento dos preços nas bombas.

O carregamento, porém, não é de gasolina pronta para abastecer veículos. Também não se trata de petróleo bruto. O navio transporta óleo combustível de baixo teor de enxofre, um derivado que pode ser usado como matéria-prima pelas refinarias para ampliar a fabricação de produtos de maior valor.

Gasolina chega a US$ 4,06 por galão

Segundo a Associação Americana de Automobilistas (AAA), citada pela reportagem, o preço médio da gasolina comum chegou a US$ 4,06 por galão nos Estados Unidos. O valor está mais de US$ 1 acima do registrado no mesmo período do ano anterior, uma alta próxima de 30%.

O avanço ocorre num momento de oferta global apertada e de margens maiores para o setor de refino. A escalada dos combustíveis também é relacionada aos efeitos do conflito no Oriente Médio, que reduziu a capacidade de algumas refinarias da região e aumentou a preocupação com o abastecimento internacional.

Na segunda-feira (17), o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o governo deve anunciar medidas para ajudar refinarias a elevar a produção. Segundo ele, o aumento do processamento dentro e fora do país é uma das principais formas de aliviar a pressão sobre o mercado.

O que realmente vem da Malásia

Dados de navegação citados pela Reuters indicam que o navio Solomon Sea deixou na semana passada a refinaria PRefChem, na Malásia. A embarcação leva mais de 540 mil barris de óleo combustível direto de baixo teor de enxofre, conhecido no mercado pela sigla LSSR, e deve chegar aos Estados Unidos no início de setembro.

O volume equivale a aproximadamente 86 milhões de litros. Uma fonte ouvida pela agência informou que a carga tem como destino uma refinaria da Costa Oeste americana. O nome da empresa compradora não foi divulgado.

Esse tipo de óleo é um insumo industrial e ainda precisa passar por processamento. Em uma refinaria com estrutura adequada, ele pode ser convertido em derivados mais leves, mas o rendimento depende da qualidade da carga, da configuração da unidade e das condições operacionais.

A diferença é importante: a chegada do navio não coloca 540 mil barris de gasolina diretamente no mercado. Ela oferece matéria-prima adicional para o sistema de refino, o que pode ajudar a sustentar a produção num período de forte demanda.

Viagem é a primeira desse tipo em três anos

De acordo com a Reuters, este é o primeiro carregamento da refinaria de Pengerang para os Estados Unidos desde 2023. A unidade operada pela PRefChem tem capacidade de processamento de 300 mil barris por dia.

Refinarias americanas costumam importar óleo combustível de fornecedores mais próximos, especialmente México e Venezuela. A viagem desde a Malásia envolve uma rota muito mais longa e custos logísticos maiores, mas tornou-se comercialmente viável diante da escassez no mercado e das margens elevadas do refino.

O deslocamento mostra como diferenças regionais de preço podem redesenhar rapidamente o comércio de energia. Quando o valor do produto final sobe o suficiente, as empresas passam a considerar cargas que, em condições normais, seriam caras demais por causa da distância.

Carga pode reduzir o preço da gasolina?

A importação pode contribuir para a oferta de matéria-prima na Costa Oeste, região que possui um mercado de combustíveis mais isolado de outros centros de refino dos Estados Unidos. Ainda assim, um único carregamento não garante queda imediata na bomba.

O preço pago pelo motorista depende de vários fatores: custo do petróleo e dos insumos, capacidade das refinarias, estoques, demanda, transporte, distribuição e tributos. Interrupções inesperadas em unidades de processamento ou novas tensões geopolíticas também podem anular o efeito de uma carga adicional.

O sinal mais relevante será a continuidade do fluxo. Se novas compras forem realizadas e as refinarias conseguirem manter produção elevada, a oferta pode ganhar fôlego. Sem uma sequência de carregamentos ou aumento efetivo do processamento, a operação tende a ter impacto limitado sobre o preço médio nacional.

Fontes: Vietnam.vn, Báo Quốc Tế, Reuters, MarineTraffic e AAA.

Tags: gasolina nos EUA, Malásia, óleo combustível, refinarias, preço dos combustíveis

Compartilhar:

Mais Vistas