O Irã estaria tentando transformar o conflito militar com os Estados Unidos em uma guerra econômica por meio do controle e da influência exercida sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo.
A avaliação é do cientista político Mehran Kamrava, professor da Universidade de Georgetown no Catar. Segundo ele, o estreito tornou-se a principal ferramenta de dissuasão iraniana diante da superioridade militar dos Estados Unidos.
O especialista afirma que o chamado Eixo da Resistência, formado por grupos aliados do Irã em diferentes países do Oriente Médio, está enfraquecido militarmente. Nesse cenário, a capacidade de interferir no tráfego marítimo e no mercado internacional de energia passou a ter ainda mais importância para Teerã.
Kamrava avalia que o governo iraniano sabe que não consegue enfrentar os Estados Unidos em condições de igualdade no campo militar. Por isso, a estratégia seria ampliar as consequências econômicas do conflito, pressionando o abastecimento de petróleo e os preços internacionais.
O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que os Estados Unidos pretendem controlar o Estreito de Ormuz e impedir a entrada e a saída de navios iranianos ou ligados comercialmente ao país.
Apesar das declarações, o professor ressalta que ainda não está claro como os Estados Unidos conseguiriam retirar efetivamente do Irã a influência sobre a passagem marítima. Uma operação desse tipo poderia envolver ataques a instalações costeiras ou até ações em ilhas estratégicas iranianas.
O especialista considera que tanto Washington quanto Teerã demonstram interesse em encerrar o conflito. O impasse, porém, está nas condições exigidas por cada lado para aceitar uma saída diplomática.