Um poderoso rio atmosférico avança pelo Oceano Pacífico em direção à América do Sul e deve atingir o Chile com chuva extrema, ventos intensos, tempestades e fortes nevascas na Cordilheira dos Andes.
As projeções meteorológicas indicam que o corredor de umidade poderá alcançar a categoria 4 e, em alguns períodos, a categoria 5, nível máximo da escala usada para classificar a intensidade desse tipo de fenômeno.
O evento acompanhará uma sequência de sistemas frontais, permitindo que a chuva permaneça sobre parte do território chileno por até cinco ou seis dias consecutivos. Os primeiros efeitos mais intensos devem ocorrer a partir da metade desta semana, com novas frentes previstas até o fim de semana.
O que é um rio atmosférico?
Rios atmosféricos são corredores longos e relativamente estreitos que transportam grandes quantidades de vapor de água pela atmosfera.
A escala utilizada para classificá-los vai de 1 a 5 e considera tanto a intensidade do transporte de umidade quanto o período durante o qual o fenômeno permanece atuando. A categoria 4 é classificada como extrema, enquanto a categoria 5 representa um evento excepcional e com elevado potencial de causar impactos.
Quando esse fluxo de umidade encontra regiões montanhosas, o ar é forçado a subir, resfria e favorece a formação de chuva e neve persistentes. No Chile, a Cordilheira da Costa e os Andes podem ampliar significativamente os volumes de precipitação.
Regiões mais atingidas
As áreas sob maior risco ficam nas regiões de:
- Coquimbo;
- Valparaíso;
- Metropolitana de Santiago;
- O’Higgins;
- Maule;
- Ñuble;
- Biobío.
A influência do sistema poderá alcançar uma área ainda maior, desde Atacama, no Norte, até regiões do Sul do Chile.
Em Santiago, os volumes oficiais inicialmente previstos superavam 70 milímetros entre quinta-feira (16) e sexta-feira (17). Projeções atualizadas indicam que o acumulado poderá variar entre 100 e 150 milímetros ao longo de cinco dias, especialmente nas áreas próximas à pré-cordilheira.
Em setores de Coquimbo e Valparaíso, alguns modelos meteorológicos projetam acumulados superiores a 150 milímetros, podendo ultrapassar 250 ou até 300 milímetros em pontos isolados. Esses números ainda dependem da posição e da permanência do corredor de umidade.
Governo declara emergência preventiva
O governo do Chile declarou Emergência Preventiva em dez regiões, entre Atacama e Los Ríos. A medida está prevista para permanecer em vigor até 21 de julho.
As autoridades classificaram o sistema frontal como um evento de grande intensidade e com múltiplas ameaças, incluindo chuva, vento, neve e agitação marítima.
A Direção Meteorológica do Chile também emitiu o alerta AA91/2026 para precipitações moderadas a fortes entre as regiões de Atacama e Biobío.
Vento pode superar 100 km/h
Além da chuva, são esperadas rajadas entre 70 km/h e 100 km/h em áreas costeiras. Nos trechos mais elevados da Cordilheira dos Andes, o vento poderá ultrapassar os 100 km/h.
Também existe possibilidade de temporais isolados com descargas elétricas, chuva intensa em curto período e queda localizada de granizo.
Neve pode se acumular nos Andes
Com a chegada de uma massa de ar mais frio, grande parte da precipitação deve ocorrer na forma de neve nas regiões montanhosas.
As estimativas indicam acumulados diários entre 50 e 90 centímetros de neve em trechos da cordilheira entre Valparaíso e Biobío. A combinação de neve e vento poderá reduzir a visibilidade e provocar o fechamento de passagens internacionais entre Chile e Argentina.
Risco de alagamentos e deslizamentos
As autoridades monitoram a possibilidade de alagamentos urbanos, enchentes, transbordamentos de rios, deslizamentos de terra, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia.
O risco tende a aumentar caso o rio atmosférico permaneça estacionado durante vários dias sobre as mesmas regiões, mantendo os solos encharcados e os rios sob pressão.
Até o momento, os efeitos mais severos previstos estão concentrados no território chileno. As condições ainda poderão ser ajustadas conforme novas atualizações dos modelos meteorológicos.
Fontes
MetSul Meteorologia, Direção Meteorológica do Chile, governo chileno e Serviço Nacional de Prevenção e Resposta ante Desastres.