SIMPLES NACIONAL

Mudança no Simples pode beneficiar milhares de empresas, mas governo prevê impacto de quase R$ 50 bilhões

Projeto amplia limites de faturamento do Simples Nacional e do MEI. Estudo da Receita Federal calcula forte redução de arrecadação previdenciária em 2027 e 2028.

Por · · Atualizado: 14/09/2026 15:01
Mudanças propostas para o Simples Nacional podem ampliar os limites de faturamento de pequenos negócios e do MEI.

Uma proposta que pode ampliar significativamente o número de empresas enquadradas no Simples Nacional voltou ao centro das discussões em Brasília. Ao mesmo tempo em que empresários defendem a atualização das faixas, cálculos da Receita Federal apontam um impacto bilionário nas contas públicas.

Segundo estudo encaminhado pelo Ministério da Fazenda à Câmara dos Deputados, a mudança pode provocar uma redução de aproximadamente R$ 23,7 bilhões na arrecadação previdenciária em 2027 e outros R$ 25,8 bilhões em 2028. Somados, os valores ficam próximos de R$ 50 bilhões em apenas dois anos.

O que pode mudar no Simples?

O debate ocorre em torno do PLP 108/2021, que prevê atualização dos limites de faturamento das empresas enquadradas no regime simplificado.

Uma das propostas em discussão eleva o teto das empresas de pequeno porte dos atuais R$ 4,8 milhões para aproximadamente R$ 8,7 milhões anuais. Para o MEI, o limite previsto no substitutivo chega a R$ 144.913,41 por ano, com possibilidade de contratação de até dois empregados.

Mais empresas poderiam entrar no regime

A Receita estima que 78.116 empresas atualmente enquadradas no Lucro Real ou no Lucro Presumido poderiam ter vantagem financeira ao migrar para o Simples Nacional caso os novos limites sejam aprovados.

No caso do MEI, a estimativa aponta potencial de migração de mais de 364 mil contribuintes, incluindo trabalhadores autônomos, microempresas e negócios hoje tributados pelo Lucro Presumido.

Receita faz ressalva sobre os cálculos

O próprio estudo ressalta que as projeções representam efeitos fiscais diretos e não consideram possíveis consequências econômicas positivas, como aumento da formalização, crescimento da base de contribuintes, redução da evasão fiscal ou expansão da atividade econômica.

O projeto continua sendo discutido no Congresso, onde entidades empresariais pressionam pela atualização dos limites, alegando que as faixas atuais perderam valor real com a inflação acumulada.


Fonte: Receita Federal e Câmara dos Deputados.


Tags: Simples Nacional, MEI, pequenas empresas, Receita Federal, empreendedorismo, impostos, Previdência, PLP 108/2021, economia, microempresas

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