A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, confirmou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira da Silva após o sacerdote aderir formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX).
A decisão foi divulgada em nota pastoral assinada pelo bispo diocesano Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, na sexta-feira (7). Segundo a Diocese, a situação do sacerdote é consequência de sua vinculação à fraternidade, considerada em estado de cisma pela autoridade da Igreja Católica.
O que muda após a excomunhão
Segundo a nota, os atos ministeriais realizados pelo padre Rodrigo passam a ser considerados ilícitos pela Igreja Católica.
A Diocese destacou ainda uma consequência específica envolvendo dois sacramentos: as absolvições concedidas pelo religioso no sacramento da Penitência, ou Confissão, e os casamentos realizados com sua assistência são considerados inválidos e nulos pela autoridade eclesiástica.
A decisão não significa, entretanto, que a ordenação sacerdotal de Rodrigo simplesmente deixou de existir. A excomunhão é uma sanção prevista pelo Direito Canônico que restringe a participação da pessoa na comunhão e na vida sacramental da Igreja enquanto permanecer nessa situação.
Diocese também faz alerta aos fiéis
O comunicado vai além da situação individual do sacerdote. A Diocese de Jundiaí orientou os católicos a evitarem celebrações, atividades pastorais e iniciativas promovidas no espaço religioso coordenado pelo padre.
De acordo com o documento, fiéis que aderirem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X também podem incorrer em consequências canônicas relacionadas ao cisma e à excomunhão.
A orientação da Diocese é que os fiéis mantenham comunhão com o papa e com o bispo diocesano.
Por que a Fraternidade São Pio X entrou no centro da decisão?
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é um movimento católico tradicionalista criado em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. Entre suas características está a defesa da liturgia tradicional, incluindo a missa no rito anterior às reformas promovidas após o Concílio Vaticano II.
A relação entre a fraternidade e Roma atravessa décadas de conflitos.
O novo episódio ocorreu após ordenações episcopais realizadas em 1º de julho de 2026, em Écône, na Suíça, sem mandato pontifício. Segundo a Diocese de Jundiaí, essas ordenações levaram à declaração de excomunhão e ao reconhecimento de uma situação formal de cisma envolvendo a fraternidade.
Foi nesse contexto que a Diocese enquadrou a adesão do padre Rodrigo ao grupo.
Padre havia pedido afastamento da Diocese
Antes da excomunhão ser anunciada, Rodrigo de Oliveira da Silva já havia solicitado seu afastamento da Diocese de Jundiaí, em fevereiro de 2026.
Posteriormente, o religioso iniciou um projeto para manter um espaço próprio de celebrações religiosas em Campo Limpo Paulista, também no interior de São Paulo.
A Diocese reforçou que as celebrações e demais atividades ligadas ao local não estão em comunhão com a autoridade diocesana.
Até a publicação das reportagens sobre o caso, veículos que procuraram o sacerdote informaram não ter obtido posicionamento dele sobre a declaração de cisma e excomunhão.
Fonte: Diocese de Jundiaí, CNN Brasil, Poder360 e UOL
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