O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados decidiu dar prosseguimento ao processo disciplinar contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O parecer preliminar foi aprovado nesta terça-feira (11) por 10 votos a 5.
A decisão não representa uma punição definitiva nem significa que a parlamentar perdeu ou teve o mandato suspenso. Com a aprovação do parecer, o processo continua tramitando no Conselho de Ética e passa às próximas etapas de apuração.
A representação foi apresentada pelo partido Missão e acusa Erika Hilton de quebra de decoro parlamentar em razão de declarações publicadas em uma rede social.
Publicação nas redes sociais motivou representação
O caso está relacionado a uma postagem feita pela parlamentar em março, após sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
Na publicação, Hilton utilizou expressões como “imbeCIS” e “esgoto da sociedade” ao responder a críticos e opositores de sua escolha para comandar o colegiado. A representação sustenta que as declarações seriam ofensivas e incompatíveis com o decoro parlamentar.
O termo “imbeCIS” utilizado na postagem faz um jogo de palavras entre “imbecis” e “cis”, referência a pessoas cisgênero.
Segundo a acusação apresentada pelo Missão, a publicação ultrapassaria os limites da crítica política e caracterizaria abuso das prerrogativas parlamentares.
Conselho aprovou parecer por 10 votos a 5
O relator do caso, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), apresentou parecer pelo prosseguimento da representação.
Na votação realizada pelo Conselho de Ética, o relatório recebeu 10 votos favoráveis e cinco contrários, permitindo que o processo disciplinar continue.
O processo havia sido oficialmente instaurado no Conselho de Ética em 29 de abril, após a Representação nº 8/2026 ser encaminhada ao colegiado.
O que pode acontecer com Erika Hilton?
O avanço do processo não significa que uma sanção já tenha sido aplicada.
A partir da continuidade da ação, haverá novas etapas de instrução, apresentação da defesa e análise das acusações antes de uma decisão sobre eventual punição.
A própria representação apresentada pelo Missão pediu, ao final do processo, o reconhecimento de quebra de decoro e a recomendação ao Plenário da Câmara para aplicação da perda do mandato. Isso, porém, é um pedido formulado pelo partido autor da representação e não uma decisão já tomada pelo Conselho de Ética.
Portanto, qualquer eventual punição dependerá do andamento do processo e das decisões posteriores dentro da Câmara.
Caso segue em análise na Câmara
Erika Hilton terá direito ao contraditório e à ampla defesa durante a tramitação.
O processo ganha relevância política porque envolve uma deputada de grande projeção nacional e declarações feitas em meio à disputa pela presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
As próximas etapas serão decisivas para determinar se o Conselho de Ética entenderá que houve efetivamente quebra de decoro e qual eventual sanção poderá ser recomendada.
Fonte: R7 / Agência Câmara / Câmara dos Deputados
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