Quais são as cirurgias mais arriscadas? Veja procedimentos que exigem cuidado extremo
Quando uma pessoa recebe a indicação para uma cirurgia, uma das primeiras preocupações costuma ser o risco de complicações. Entretanto, não existe um ranking universal capaz de apontar qual é a cirurgia mais perigosa para todos os pacientes.
O risco depende de diferentes fatores, incluindo idade, estado geral de saúde, doenças preexistentes, urgência do procedimento, órgão afetado, duração da operação e complexidade técnica.
O Colégio Americano de Cirurgiões utiliza informações clínicas individuais e dados de pacientes submetidos a procedimentos semelhantes para estimar a possibilidade de complicações. A própria instituição ressalta que essas estimativas não representam uma garantia do resultado.
Alguns procedimentos, porém, são reconhecidos pela elevada complexidade ou por serem realizados em situações nas quais a vida do paciente já está ameaçada.
Reparo de aneurisma da aorta rompido
A aorta é a principal artéria do organismo. Um aneurisma ocorre quando parte de sua parede fica enfraquecida e dilatada.
Quando há ruptura, o paciente pode sofrer uma hemorragia interna intensa. O tratamento geralmente exige uma cirurgia de emergência, muitas vezes sem que exista tempo suficiente para uma preparação prolongada.
O reparo pode envolver a substituição da área comprometida por uma prótese vascular ou a implantação de um dispositivo por dentro do vaso. Entre as possíveis complicações estão sangramento, problemas cardíacos, insuficiência renal, infecções e formação de coágulos.
Cirurgia para dissecção da aorta
A dissecção acontece quando surge uma ruptura na camada interna da aorta e o sangue passa a circular entre as camadas da parede arterial.
É uma emergência médica que pode comprometer a circulação para o cérebro, coração, rins e intestinos. Dependendo da região atingida, o tratamento pode exigir uma operação imediata.
A cirurgia da raiz da aorta apresenta riscos maiores quando realizada emergencialmente por causa de uma ruptura ou dissecção. As complicações podem incluir sangramento, acidente vascular cerebral, falência de órgãos e morte.
Transplante de fígado
O transplante de fígado envolve a retirada do órgão doente e sua substituição por um fígado saudável, inteiro ou parcial, proveniente de um doador.
Além da complexidade da operação, o paciente precisa enfrentar o risco de rejeição e utilizar medicamentos que reduzem a atividade do sistema imunológico.
Entre as complicações descritas estão sangramentos, formação de coágulos, infecções, problemas nos canais biliares, rejeição e falha do órgão transplantado.
Embora seja uma cirurgia de grande porte, o transplante pode representar a principal possibilidade de sobrevivência para pessoas com determinadas doenças hepáticas avançadas.
Neurocirurgias complexas
Cirurgias realizadas no cérebro podem ser necessárias para tratar tumores, hemorragias, traumatismos, aneurismas cerebrais ou aumento perigoso da pressão dentro do crânio.
Uma craniectomia, por exemplo, remove temporariamente uma parte do osso do crânio para permitir que o cérebro inchado tenha espaço. O procedimento pode ser necessário após um trauma grave ou acidente vascular cerebral.
As complicações possíveis das cirurgias cerebrais incluem sangramento, infecção, inchaço, alterações da fala, perda de força, problemas de memória, dificuldades de equilíbrio e danos neurológicos. O risco varia conforme a área operada e a condição que levou à intervenção.
Procedimento de Whipple
A cirurgia de Whipple é utilizada principalmente no tratamento de determinados tumores do pâncreas.
Durante a operação, podem ser retiradas partes do pâncreas, do intestino, do canal biliar e, em algumas situações, do estômago. Depois, o cirurgião precisa reconstruir o sistema digestivo para permitir a passagem dos alimentos e das secreções.
É considerada uma operação complexa por envolver vários órgãos e conexões do aparelho digestivo.
O risco individual depende da extensão da doença, das condições clínicas do paciente e da experiência do centro hospitalar.
Retirada parcial ou total do esôfago
A esofagectomia pode ser indicada para tratar câncer ou doenças graves do esôfago.
O procedimento envolve a retirada de uma parte ou de quase todo o órgão e a reconstrução do caminho entre a boca e o estômago. Como o esôfago atravessa o tórax, a cirurgia pode afetar os sistemas digestivo e respiratório.
Entre as complicações estão pneumonia, infecção, sangramento, problemas cardíacos, coágulos e vazamento na ligação criada entre o esôfago e o estômago.
Uma cirurgia complexa não significa que terá resultado ruim
O fato de um procedimento ser considerado de alto risco não significa que todos os pacientes terão complicações.
Cirurgias planejadas permitem exames prévios, estabilização de doenças, avaliação da anestesia e preparação da equipe. Já nas emergências, o problema costuma estar mais avançado e há menos tempo para corrigir fatores de risco.
Idade, condição cardíaca, funcionamento dos rins e pulmões, presença de diabetes, obesidade, infecções e estado nutricional podem alterar a avaliação. Por isso, o risco deve ser calculado individualmente e discutido com o cirurgião e o anestesista.
A decisão também considera o perigo de não realizar a operação. Em determinados casos, mesmo uma cirurgia complexa oferece um risco menor do que permitir a progressão da doença.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde.
Fontes: Colégio Americano de Cirurgiões, Mayo Clinic, Cleveland Clinic e NHS.
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