SAÚDE

Adoçantes podem alterar metabolismo e deixar efeitos por gerações, aponta estudo

Pesquisa com camundongos identificou alterações metabólicas, intestinais e genéticas associadas ao consumo prolongado de sucralose e estévia, com alguns efeitos observados por até duas gerações.

Por · · Atualizado: 09/09/2026 17:25
Estudo realizado com camundongos investigou os possíveis efeitos de longo prazo da sucralose e da estévia sobre o metabolismo e a microbiota intestinal.

O consumo prolongado de adoçantes pode provocar alterações no metabolismo e no funcionamento do intestino capazes de aparecer também em gerações seguintes, segundo um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Chile.

A pesquisa, publicada na revista científica Frontiers in Nutrition, avaliou os efeitos da sucralose e da estévia em camundongos e encontrou mudanças relacionadas à tolerância à glicose, microbiota intestinal e expressão de genes envolvidos em processos metabólicos e inflamatórios.

Os próprios pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados foram obtidos em animais e não podem ser transferidos diretamente para seres humanos. O trabalho aponta caminhos que ainda precisam ser investigados em estudos clínicos.

Pesquisa acompanhou duas gerações

No experimento, 47 camundongos machos e fêmeas foram divididos em três grupos. Um recebeu apenas água, enquanto os demais consumiram água contendo sucralose ou estévia durante 16 semanas.

As doses foram estabelecidas para representar níveis compatíveis com uma exposição alimentar possível em humanos.

Depois, os animais foram reproduzidos e os pesquisadores acompanharam duas gerações de descendentes. Os filhotes e netos não receberam diretamente os adoçantes, permitindo investigar se alterações observadas poderiam persistir mesmo sem nova exposição às substâncias.

Alterações apareceram na tolerância à glicose

Um dos testes utilizados avaliou como o organismo dos animais respondia à glicose, indicador relacionado à ação da insulina e ao metabolismo do açúcar.

Na primeira geração, os pesquisadores identificaram piora na tolerância à glicose entre descendentes machos dos animais expostos à sucralose.

Na segunda geração, alterações na glicose foram observadas em descendentes machos do grupo da sucralose e em fêmeas descendentes dos animais que haviam consumido estévia.

Os resultados levantam a hipótese de que determinadas alterações metabólicas associadas à exposição parental possam persistir entre gerações.

Microbiota intestinal também sofreu mudanças

Os pesquisadores analisaram ainda amostras fecais para identificar mudanças na microbiota intestinal e na produção de ácidos graxos de cadeia curta.

Essas substâncias são produzidas por bactérias presentes no intestino e participam de diferentes processos relacionados à saúde intestinal e ao metabolismo.

Segundo o estudo, tanto a sucralose quanto a estévia provocaram alterações na atividade da microbiota, e parte desses efeitos também foi detectada nos descendentes.

Sucralose apresentou efeitos mais persistentes

Os resultados não foram iguais para os dois adoçantes.

Entre os parâmetros estudados, a sucralose apresentou alterações mais intensas e duradouras, incluindo mudanças na composição da microbiota e na expressão de genes relacionados à inflamação e ao metabolismo.

Alguns desses efeitos permaneceram detectáveis por duas gerações.

No grupo exposto à estévia, as alterações observadas foram, de maneira geral, menos persistentes e alguns dos efeitos não avançaram além da primeira geração.

Cientistas investigam possíveis efeitos epigenéticos

A equipe também analisou genes relacionados à inflamação, à barreira intestinal e ao metabolismo no fígado e no intestino.

Uma das hipóteses consideradas é a participação de mecanismos epigenéticos, capazes de modificar a atividade dos genes sem alterar diretamente a sequência do DNA.

Isso poderia ajudar a explicar como determinadas consequências de uma exposição ambiental ou alimentar aparecem também nos descendentes.

O estudo, entretanto, não estabelece que o consumo de adoçantes por seres humanos necessariamente produzirá esse mesmo fenômeno.

Resultado não significa que adoçante cause diabetes em humanos

Os pesquisadores alertam que o trabalho não deve ser interpretado como prova de que sucralose ou estévia provoquem diabetes ou transmitam doenças entre gerações humanas.

A autora principal, Francisca Concha Celume, da Universidade do Chile, explicou que o objetivo é chamar atenção para a necessidade de compreender melhor os efeitos biológicos de longo prazo dessas substâncias.

A equipe considera que os resultados justificam novas pesquisas e que a moderação no consumo de adoçantes pode ser uma medida prudente enquanto os possíveis efeitos de exposição prolongada continuam sendo investigados.


Fonte: CNN Brasil e estudo publicado na revista científica Frontiers in Nutrition.


Tags: adoçantes, sucralose, estévia, saúde, metabolismo, diabetes, glicose, microbiota intestinal, intestino, alimentação, estudo científico, Universidade do Chile, nutrição


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