padroeira de Curitiba

Imagem da padroeira de Curitiba com mais de 300 anos passa por restauração

Segunda imagem mais antiga de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais em Curitiba foi produzida no século XVIII e passa por restauração antes de retornar ao Museu de Arte Sacra.

Por · · Atualizado: 08/09/2026 08:27
Imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, produzida no século XVIII e considerada a segunda mais antiga da padroeira em Curitiba, passa por restauração antes de retornar ao Museu de Arte Sacra. Foto: Luiz Pacheco/FCC.

Uma peça com mais de 300 anos de história e diretamente ligada à formação religiosa e cultural de Curitiba está passando por um cuidadoso processo de restauração. Trata-se da segunda imagem mais antiga de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, padroeira da capital paranaense.

Produzida em Portugal no século XVIII, a escultura foi encomendada em 1716 e chegou a Curitiba por volta de 1720, para a inauguração da antiga Igreja Matriz, construída no local onde atualmente está a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

A restauração começou no início de 2026 e está em sua fase final. A previsão é que a imagem retorne ainda em setembro ao acervo do Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba (Masac), onde permanece exposta ao público.

Escultura pesa cerca de 60 quilos

Além da importância histórica, a própria construção da imagem apresenta características que despertam o interesse dos especialistas.

A peça tem 87 centímetros de altura, pesa aproximadamente 60 quilos e foi produzida em terracota.

Durante os estudos para a restauração, os profissionais identificaram uma base de preparação que utiliza branco de chumbo, material considerado incomum em esculturas e mais frequentemente associado a pinturas.

A análise conta com apoio do Laboratório de Espectrometria de Massas e Quimiometria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Exames, testes de materiais e radiografias ajudam os restauradores a identificar a composição da obra e intervenções realizadas ao longo dos séculos.

Restauração não pretende deixar imagem “como nova”

O objetivo do trabalho não é apagar as marcas deixadas pelo tempo.

Alguns dedos das mãos da santa, por exemplo, estão quebrados e não serão reconstruídos, porque não existem referências suficientes para determinar com segurança qual era o formato original.

Camadas de pintura adicionadas em restaurações anteriores também estão sendo analisadas. A retirada só ocorre quando os especialistas concluem que o procedimento não comprometerá a pintura original.

Dessa forma, desgastes e partes danificadas também passam a ser tratados como elementos que ajudam a contar a trajetória da obra.

Imagem chegou a desaparecer por décadas

A história da escultura também passou por um longo período longe de Curitiba.

A imagem permaneceu no altar da antiga Igreja Matriz até 1894, quando foi levada para a Lapa, na Região Metropolitana, por um vigário que havia sido transferido para o município.

Depois disso, a peça permaneceu desaparecida durante décadas.

Ela só foi localizada novamente em 1970, na residência de uma moradora da Lapa. Posteriormente, voltou a Curitiba e passou a integrar o acervo do Museu de Arte Sacra.

Projeto começou a ser preparado em 2022

A ideia de restaurar a imagem começou a ganhar forma em 2022, período em que o Museu de Arte Sacra estava fechado para obras.

A conservadora e restauradora Ana Eliza Caniatti realizou um levantamento das condições da escultura e começou a estruturar o projeto ao lado do produtor Gilmar Kaminski.

A iniciativa foi aprovada pelo Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba, na modalidade Mecenato Subsidiado, da Fundação Cultural de Curitiba.

Cerca de 15 profissionais participam do projeto, entre restauradores, historiadora, pesquisadora e fotógrafa. Após a devolução da imagem ao museu, também estão previstas palestras e visitas guiadas relacionadas ao trabalho de conservação.

Nossa Senhora da Luz está ligada à história de Curitiba

A devoção a Nossa Senhora da Luz dos Pinhais está ligada aos primeiros anos da formação de Curitiba.

A primeira imagem da santa teria chegado à região por volta de 1640. Segundo a tradição local, a imagem amanhecia voltada para a direção da área onde hoje está a Praça Tiradentes, episódio posteriormente incorporado à narrativa sobre a fundação da cidade.

Essa primeira representação permanece atualmente no acervo do Museu Paranaense. A peça em restauração, chegada aproximadamente 80 anos depois, é considerada a segunda mais antiga da santa existente em Curitiba.

Em 1995, o papa João Paulo II reconheceu a devoção particular a Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e declarou oficialmente a santa como padroeira municipal de Curitiba.

O trabalho de restauração ocorre justamente em setembro, mês em que a cidade celebra sua padroeira, cuja data é comemorada em 8 de setembro.


Fonte: Bem Paraná e Prefeitura de Curitiba/Fundação Cultural de Curitiba.


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