Quando se fala em animais capazes de sobreviver às situações mais extremas do planeta, baratas e escorpiões costumam aparecer entre os primeiros lembrados. Mas um organismo praticamente microscópico supera esses animais e é apontado por pesquisadores como um dos candidatos a últimos sobreviventes da Terra.
São os tardígrados, pequenos animais conhecidos também como ursos-d'água. Eles medem menos de 1,2 milímetro e conseguem suportar condições que seriam fatais para a maioria das formas de vida.
O que torna os tardígrados tão resistentes?
Apesar do tamanho diminuto, os tardígrados apresentam uma capacidade de sobrevivência impressionante.
Experimentos já demonstraram resistência a temperaturas próximas de -200°C, períodos de exposição a cerca de 150°C, pressões extremamente elevadas, fortes doses de radiação e até ao vácuo do espaço.
Parte dessa resistência está relacionada à chamada criptobiose.
Quando encontram condições ambientais desfavoráveis, esses animais podem perder grande parte da água presente no corpo e reduzir drasticamente sua atividade metabólica. Nesse estado, permanecem praticamente em suspensão até que o ambiente volte a apresentar condições adequadas.
Estudo analisou algumas das maiores catástrofes possíveis
Pesquisadores das universidades de Oxford e Harvard publicaram em 2017 um estudo na revista científica Scientific Reports para avaliar quão difícil seria eliminar completamente a vida de um planeta semelhante à Terra.
Os cientistas analisaram cenários como impactos de grandes asteroides, explosões de supernovas e rajadas de raios gama. Para o estudo, o tardígrado da espécie Milnesium tardigradum foi utilizado como referência de uma forma de vida extremamente resistente.
A conclusão é surpreendente: embora um desses eventos pudesse representar uma catástrofe para seres humanos e grande parte dos animais, seria muito mais difícil provocar a esterilização completa do planeta.
Seria preciso praticamente ferver os oceanos
A resistência dos tardígrados é tão grande que os pesquisadores utilizaram um cenário extremo como referência: para garantir a eliminação dessas formas de vida, um evento precisaria gerar energia suficiente para tornar inviável até mesmo a sobrevivência protegida pela água dos oceanos.
O estudo concluiu que eventos astrofísicos capazes de produzir uma esterilização global dessa magnitude são extremamente improváveis.
Isso significa que um grande asteroide capaz de destruir cidades ou até alterar profundamente o clima não necessariamente acabaria com toda a vida terrestre.
Mas tardígrados não são realmente indestrutíveis
A descoberta não significa que esses animais possam sobreviver literalmente a qualquer situação.
Os tardígrados também possuem limites. A pesquisa analisa principalmente a possibilidade de sobrevivência diante de grandes eventos astrofísicos e demonstra o quanto seria difícil eliminar todas as formas de vida da Terra de uma única vez.
Em escalas de bilhões de anos, o próprio Sol representa uma ameaça inevitável. Sua evolução e o aumento gradual da luminosidade deverão modificar profundamente as condições do planeta, tornando a Terra incapaz de manter os oceanos e, posteriormente, a vida como conhecemos.
Até lá, porém, os pequenos ursos-d'água permanecem como um dos maiores exemplos conhecidos da extraordinária capacidade de adaptação da vida.
Fonte: MSN/Deutsche Welle, Scientific Reports e Universidade de Oxford.
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