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Seu cachorro é medroso? Estudo aponta raças mais propensas ao medo

Estudo com milhares de cães aponta raças mais propensas ao medo e mostra como socialização, exercício e ambiente influenciam o comportamento.

· Atualizado: 05/08/2026 12:14
Genética, socialização, ambiente e experiências anteriores podem influenciar a forma como cada cachorro reage ao medo.

Seu cachorro é medroso? Estudo aponta raças mais propensas ao medo

Alguns cachorros permanecem tranquilos diante de visitas, ruídos e outros animais. Outros se escondem, tremem, latem ou procuram imediatamente a proteção do tutor.

Embora algumas raças possam apresentar maior predisposição a determinados comportamentos, não existe uma lista simples capaz de definir que todo cachorro de uma raça será medroso.

Uma pesquisa publicada na revista científica Scientific Reports analisou respostas relacionadas a 13.715 cães de 264 raças. Os pesquisadores avaliaram características como sensibilidade a ruídos, medo de pessoas ou animais, receio de superfícies e alturas, comportamento compulsivo, agressividade e ansiedade relacionada à separação.

No levantamento, a sensibilidade a ruídos apareceu como um dos problemas mais relatados. Cerca de 32% dos animais foram classificados como altamente receosos de pelo menos um tipo de barulho, enquanto comportamentos ligados ao medo apareceram em 29% da amostra.

O medo muda conforme a situação

Os pesquisadores diferenciam o medo social do medo não social.

O medo social envolve reações diante de pessoas desconhecidas ou de outros cães. Já o medo não social pode ser provocado por fogos de artifício, trovões, objetos, superfícies, alturas ou ambientes novos.

Isso significa que uma raça pode demonstrar maior receio de outros animais, mas não necessariamente apresentar a mesma reação diante de ruídos ou de pessoas desconhecidas.

Por esse motivo, classificar uma raça simplesmente como “a mais medrosa” pode ser enganoso.

Raças com maior medo de outros cães

Em uma análise específica com aproximadamente 6 mil animais, o chihuahua apresentou a maior probabilidade de demonstrar medo de outros cães.

Também apareceram entre as raças com maior predisposição nessa categoria:

  • chihuahua;
  • pastor-de-shetland, também conhecido como sheltie;
  • cão d’água espanhol.

Na mesma comparação, pembroke welsh corgi, cairn terrier e wheaten terrier apresentaram menor probabilidade de medo de outros cães.

O resultado não significa que todos os chihuahuas ou pastores-de-shetland terão esse comportamento. O estudo identifica uma associação observada na população analisada, e não uma sentença para cada animal.

Raças mais receosas de pessoas desconhecidas

Quando os pesquisadores observaram especificamente o medo de estranhos, a ordem mudou.

As raças que apresentaram maior probabilidade foram:

  • cão d’água espanhol;
  • pastor-de-shetland;
  • cão de crista chinês.

Wheaten terrier, cão finlandês da Lapônia e labrador retriever apareceram entre os menos propensos ao medo de pessoas desconhecidas naquela amostra.

O cão d’água espanhol e o pastor-de-shetland apresentaram maior probabilidade tanto de medo de outros cães quanto de estranhos. O chihuahua, por sua vez, apareceu com destaque no medo de cães, mas não ocupou a mesma posição no receio de pessoas.

Tamanho também pode influenciar

O estudo observou que cães pequenos demonstraram maior probabilidade de medo social do que animais médios ou grandes.

Uma possível explicação apresentada pelos pesquisadores é que animais pequenos podem se sentir mais ameaçados pela diferença de tamanho em relação a pessoas e cães maiores. Também pode existir uma relação entre porte, genética, reatividade e tolerância ao estresse.

Ainda assim, o tamanho não explica sozinho o comportamento.

Socialização durante a infância é decisiva

Um dos fatores mais associados ao medo foi a quantidade de experiências de socialização durante os primeiros meses de vida.

Cães que tiveram menos contato seguro com pessoas, outros animais, ambientes, sons e situações diferentes entre aproximadamente 7 e 16 semanas apresentaram maior probabilidade de medo social.

A socialização não deve significar forçar o filhote a permanecer em uma situação assustadora. O ideal é permitir contatos graduais, controlados e positivos, respeitando as reações do animal.

Ambiente urbano, exercício e atividades

Animais que viviam em ambientes mais urbanos apresentaram maior probabilidade de medo de cães e de pessoas desconhecidas na pesquisa.

A participação pouco frequente em treinamentos e atividades também esteve associada ao comportamento medroso. Cães que praticavam menos exercícios diariamente demonstraram maior probabilidade de medo de outros animais.

Outro estudo da mesma equipe encontrou associação entre menor socialização, pouca participação em atividades e maior receio de situações novas.

Como reconhecer um cachorro com medo

As reações variam, mas alguns sinais comuns incluem:

  • esconder-se atrás do tutor;
  • tentar fugir;
  • manter o rabo baixo ou entre as pernas;
  • abaixar o corpo;
  • tremer ou ofegar;
  • latir de maneira insistente;
  • recusar comida;
  • ficar imóvel;
  • reagir defensivamente quando não consegue escapar.

Um cachorro assustado pode rosnar ou tentar morder. Isso não significa necessariamente que seja um animal naturalmente agressivo. A reação pode ser uma tentativa de aumentar a distância em relação ao estímulo que considera ameaçador.

O que o tutor deve fazer

Punir, gritar ou obrigar o cachorro a enfrentar o medo pode intensificar o problema.

O tutor deve oferecer um ambiente seguro, evitar exposições repentinas e utilizar recompensas para criar associações positivas. Casos intensos ou persistentes devem ser avaliados por um médico-veterinário, que poderá descartar problemas de saúde e indicar acompanhamento comportamental.

A raça pode influenciar determinadas tendências, mas criação, socialização, experiências anteriores, rotina e características individuais também possuem papel relevante.

Mais importante do que saber se o cachorro pertence a uma raça considerada medrosa é observar como ele reage e oferecer apoio adequado.


Fontes: Scientific Reports, Universidade de Helsinque e reportagem reproduzida pelo MSN.


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