COMÉRCIO VAREJISTA

Vendas do comércio varejista registram queda de 1,5% em abril, aponta IBGE

Após fechar o primeiro trimestre em patamar recorde, setor recua pressionado pela forte baixa na atividade de combustíveis e lubrificantes. Na comparação anual, o varejo ainda acumula alta de 1,0%.

· Atualizado: 19/06/2026 03:25
Setor de combustíveis e lubrificantes registrou queda expressiva de 6,2% em abril, exercendo a principal pressão negativa sobre o volume geral de vendas do comércio brasileiro. (Foto: Gilson Abreu/AEN)

O volume de vendas do comércio varejista nacional apresentou um recuo de 1,5% no mês de abril em comparação com março, na série livre de influências sazonais. O desempenho negativo interrompe uma sequência de resultados positivos registrados nos primeiros meses do ano. Os dados foram extraídos da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a análise técnica do órgão oficial de estatísticas, a retração observada em abril decorre, em grande parte, de um efeito de base comparativa. Como os três primeiros meses do ano apresentaram um crescimento expressivo na margem, elevando o patamar do comércio para níveis historicamente recordes, a margem para novas expansões consecutivas tornou-se mais estreita, propiciando o ajuste natural verificado no período.

Entre as oito atividades pesquisadas que compõem o indicador do varejo restrito, seis apresentaram resultados negativos em abril. O principal impacto de baixa veio do segmento de combustíveis e lubrificantes, que despencou 6,2%. Também registraram perdas os setores de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-4,5%), móveis e eletrodomésticos (-0,8%), além de reduções marginais de 0,1% em tecidos, vestuário e calçados, e artigos farmacêuticos e de perfumaria.

Por outro lado, o campo positivo foi liderado pelo setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceu 1,3% e exerceu uma força de amortecimento importante por possuir o maior peso específico dentro do índice geral. O segmento de livros, jornais, revistas e papelaria também fechou o mês no azul, com uma expansão de 1,1% no volume de vendas.

Apesar do recuo mensal na margem, o comércio varejista mantém uma trajetória favorável quando analisado sob perspectivas de prazos mais longos. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o varejo registrou uma alta de 1,0%. Com esse resultado, o setor acumula um crescimento consolidado de 2,0% no acumulado do ano e de 1,5% nos últimos 12 meses.

No âmbito do comércio varejista ampliado — que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças, material de construção e o atacado especializado em alimentos e bebidas —, o volume de vendas em abril recuou 0,7% em relação ao mês anterior. Esse resultado ocorre após uma situação de estabilidade (0,0% ) verificada em março. Na comparação anual, o varejo ampliado mostrou reação puxada pela alta de 2,6% em veículos e motos, e de 2,0% no atacado especializado.

Geograficamente, a retração das vendas foi disseminada pelo território nacional, atingindo 20 das 27 Unidades da Federação na série com ajuste sazonal. Os recuos mais expressivos foram registrados no Piauí (-3,9%), Goiás (-3,8%), Santa Catarina (-3,6%) e Amazonas (-3,6%). Na contramão da queda nacional, apenas seis estados conseguiram avançar, liderados por Roraima (1,8%), Tocantins (1,6%) e São Paulo (1,3%), enquanto o Rio Grande do Sul permaneceu estável (0,0%).

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